Noite Senhor F: Urso, Skabout e Dingo Bells

Já se passam quase dois anos desde a primeira edição da Noite Senhor F, evento promovido pela produtora Senhor F em parceria com Brisa Daitx e Gabriel Oliveira (Opinião) com o objetivo de promover novas bandas que desenvolvem um bom trabalho na cena underground brasileira. Desta vez, as escolhidas formavam uma trinca inusitada, mas nem por isso menos brilhante: A instrumental Urso, o caldeirão de estilos da Skabout e a psicodelia da Dingo Bells tomaram o Opinião na noite do último domingo, dia 21 de Outubro.

    Por volta das 21h30 sobe ao palco a primeira atração da noite: Urso, banda instrumental que se vale de ótimos riffs pesados para compor seu material. Contando com ótimos instrumentistas, a banda chama a atenção pela alternância de climas e pelos títulos no mínimo inusitados de suas canções, como “Tia Júlia e o Escrivinhador” e “Os Conselhos que Vos Deixam”. Um bom começo de noite, que mostrou mais um bom nome para a minguada cena instrumental.

    Pouco depois das 22h30 era hora de mais uma grata surpresa no palco do Opinião: Skabout, banda esteiense que mistura Reggae, Pop, Rock, Groove e o que mais vier à cabeça, sempre de forma muito competente e agradável aos ouvidos até mesmo daqueles que rechaçam esse tipo de sonoridade. Foi o que ficou comprovado pela reação do público e da própria banda que, mesmo “espremida” entre uma banda pesada e outra com sonoridade sessentista, agradou e surpreendeu.

    O show, que serviu de pré-lançamento para o primeiro álbum da banda (“A música é nossa única moeda”) foi baseado principalmente em composições próprias como as excelentes “Bato na Madeira” (com um excelente riff principal, de dar inveja a muita banda de Rock), “Na Pele do Lobo”, “Sementinha” e o single “Pode Dançar”, que fechou a apresentação. Além da qualidade técnica e artística da banda, destaque também para a versão de “Wish You Are Here”, do Pink Floyd, que recebeu uma roupagem coerente com a proposta da banda. Uma promessa da nova música gaúcha, com forte potencial para chegar ao mainstream.

    Por fim, chegou a hora dos headliners da noite: Dingo Bells, banda que teve a honra de abrir o show de um Beatle (Ringo Starr), inicia seu show com “O Jantar, A Colher e o Banho”, que se mostra já conhecida (e apreciada) pelo público presente. Todas as músicas do primeiro álbum da banda foram cantadas com fervor pelas pessoas que tomaram a pista do Opinião para o show da Dingo. Além do material autoral, ainda houve espaço para três versões de respeito: “Ciça, Cecília”, de Erasmo Carlos, “Moonage Daydream”, de David Bowie e “Cinnamon Girl”, de Neil Young embalaram a noite e foram surpresas agradáveis no show do trio (que se apresentou como septeto, com a companhia de um trio de sopros e do guitarrista Gustavo Chaise).

    A ironia social também esteve presente. Antes de “Nó na Garganta” o baterista Rodrigo FIschmann (que virou tecladista nessa hora), chamou a atenção para um recente acontecimento: “Porto Alegre está precisando gritar. As vezes a gente precisa gritar… as vezes tem que furar uns mascotes, mas faz parte…” em clara referência ao episódio do ataque ao mascote da copa no Largo Glênio Peres. Arrancou aplausos.

    Já era segunda quando a banda se despede com “A Parede Roxa” e o público pequeno porém seleto que compareceu àquela edição da Noite Senhor F retornou às suas casas com a certeza de que existe muita coisa boa sendo feita e que diferentes estilos podem, sim, conviver em harmonia e dividir o mesmo palco em um grande evento. Urso, Skabout e Dingo Bells merecem a atenção do público e, certamente, a conquistarão cedo ou tarde.

Que venham mais e mais edições da Noite Senhor F, esse projeto não apenas importante, mas heroico, dentro do underground.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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