Showrrasco da Cartel: Celebrando o Rock and Roll no melhor estilo gaúcho.

Um evento já tradicional da cena Rock porto-alegrense é o Showrrasco da Cartel. Promovido pela banda Cartel da Cevada desde 2006, o evento tem uma proposta bastante simples: reunir rockers para uma noite de churrasco, cerveja e Rock and Roll. Este ano, mais robusta, a noite contou também com, além da própria Cartel, Marcelo Nova, Pata de Elefante e o grupo gauchesco Cordas & Cordeonas (que abriu a noite, fazendo a trilha sonora para o churrasco, propriamente dito).

Pata de Elefante

    A banda Pata de Elefante apresentou com sua nova formação. Originalmente um trio formado por Daniel Mossmann e Gabriel Guedes (que se revezavam nas funções de baixista e guitarrista da banda) e pelo baterista Gustavo Telles ganhou dois novos integrantes: Luciano Leães (teclados) e Edu Meireles, que assumiu o baixo em definitivo, liberando Gabriel e Daniel para se dedicarem integralmente às guitarras. Com arranjos muito bem construídos e munida de algumas canções que já se tornaram clássicos do underground (como “Soltaram” e “Um Olho no Fósforo e Outro na Fagulha”), a banda agradou com seu show de pouco mais de uma hora.

Marcelo Nova

    O eterno vocalista e líder do Camisa de Vênus subiu ao palco pouco depois da 0h40. Acompanhado de seu filho Drake na guitarra, além do baixista Leandro Dalle e do baterista Célio Glouster, Marcelo Nova apresentou um show controverso, que dividiu fortemente as opiniões. Adepto de uma filosofia que defende que as versões originais refletem apenas os momentos em que foram gravadas, Marcelo levou esta concepção às ultimas consequências, apresentando uma lista de versões completamente diferentes, seja em harmonia, melodia ou ritmo, para a imensa maioria das canções. O caráter dylanesco do show fez com que os fãs mais próximos ao palco fossem ao delírio com a presença (de corpo e de espírito) do compositor, ao contrário dos que, mais de longe, observavam incrédulos ou entediados.

    “Faça a Coisa Certa”, que abriu o show, foi uma das canções mais bem recebidas da noite, além dos clássicos “Simca Chambord”, “Pastor João e a Igreja Invisível” (canção mais emblemática da parceria do Marcelo Nova com seu conterrâneo mais ilustre, Raul Seixas) e, obviamente, “Eu Não Matei Joana d’Arc”. No entanto, canções muito aguardadas como “Silvia”, “O Adventista” e “Eu Vi o Futuro, Ele é Passado” ficaram de fora.

    O que não mudou foi a acidez de Marceleza, que chegou a ironizar a reação apática do público em duas ocasiões: “Podemos começar o show agora?” e “Como vocês estão visivelmente cansados, acho que vamos ficar por aqui…” foram intimações agudas para que o público se mostrasse presente. “Eu não tenho esse negócio de seguidor… eu tenho vocês!!”, agradeceu Marcelo, que foi muito aplaudido pelo público. O saldo do show ficou entre a emoção de ver uma lenda e a estranheza causada por sua personalidade musical.

Cartel da Cevada

    Os headliners da noite subiram ao palco pouco depois das 3h e anunciados pelo já clássico diabo da fronteira, os bêbados sujos da Cartel da Cevada apresentaram o que muito já se viu deles: um show baseado em seu álbum de estreia.  “A Puta Mais Feia” foi cantada pelo público já minguado que resistiu até o show de fundo.

    O clima de festa se tornou completo com algumas surpresas como as presenças de Cristiano Wortmann (Zerodoze) e Leo Jamess (Draco), que já substituíram integrantes da banda eventualmente, para algumas músicas do primeiro álbum da banda. Outro momento marcante foi a comemoração de aniversario do vocalista Igor Assumpção, com direito a “Parabéns” e Torta. Obviamente, na cara, o que arrancou risos dos amigos e fãs presentes.

    Por fim, ainda com a companhia dos convidados Cristiano Wortmann e Leo Jamess, a banda encerra a música que dá nome à banda, já com as luzes da Casa do Gaúcho acesas sem o consentimento da banda ou da produção do evento. Ainda houve tempo para mais uma surpresa, que encerrou a noite com chave de ouro: “TNT”, do AC/DC, levantou o público já cansado pelo adiantado da hora (eram mais de 4h).

    Apesar do pouco público que compareceu à Casa do Gaúcho na noite de sexta-feira, o Showrrasco da Cartel, mais uma vez, marcou presença no calendário rocker de Porto Alegre com a fórmula simples, porém eficaz, que o criou: churrasco, cerveja e Rock and Roll.

    Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Rachell Kolodsiejski

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