Matanza Fest: Noitada de Peso.

                Que o Matanza visita a capital gaúcha semestralmente, sempre brindando seu público com boas apresentações, não é novidade nenhuma. Também não é algo novo o fato de a Pisca Produtora abrir espaço para que outras bandas dividam o palco com os cariocas. No entanto, produção e banda criaram, há alguns meses, o Matanza Fest, festival itinerante onde o quarteto divide o palco com bandas de peso Brasil afora. Para a primeira edição, foi escolhido o Opinião, casa da banda em Porto Alegre. O resultado não poderia ser diferente: uma noite memorável para o público de camisas pretas. Na noite de domingo, dia 02 de dezembro, Leviaethan, Nervochaos, Cartel da Cevada e Matanza fizeram a estreia do evento, que já tem edições marcadas para São Paulo e Rio de Janeiro.

Leviaethan

                A veterana banda de Thrash Metal gaúcha Leviaethan abriu os trabalhos pouco depois das 19h. Com uma formação especial para este show (e um tanto inusitada) a banda se apresentou com três guitarristas e dois bateristas! Excelentemente ensaiados, não houve o que se pudesse apontar de forma negativa: a banda desfilou seu repertório e levantou o público que ovacionou a banda de forma fervorosa. O brado “Leviaethan! Leviaethan!” permeou toda a apresentação, mostrando o porque de ter escrito seu nome entre as maiores e melhores do metal gaúcho.

Nervochaos

                Já os paulistas da Nervochaos fizeram uma apresentação mais fria. Competentes, mas sem demonstrar muita criatividade em suas composições lotadas de riffs repetitivos e linhas vocais idem, agradaram basicamente o pequeno público que foi exclusivamente para vê-los. Destaque para “Total Satan”, a mais bem recebida da noite.

Cartel da Cevada

                Os beberrões do Cartel da Cevada apresentaram o show que já é velho conhecido dos roqueiros gaúchos: Baseado em seu álbum de estréia e complementado por sua nova música de trabalho, “A Barbada”, que também serve de divulgação para a cerveja artesanal da banda. Além de suas canções que tratam de cerveja, carne vermelha e gauchismo, a banda foi acompanhada, como é de praxe, por seu próprio diabo, pilchado, que cospe fogo e distriubui cerveja ao público que acompanha o show da grade de contenção. Por pouco mais de 30 minutos a banda, assim como a Leviaethan, foi bastante aplaudida e contou com a receptividade do público que, mesmo ávido pela atração de fundo, foi bastante caloroso para com o quarteto.

Matanza

                A atração de fundo, promotora do festival, subiu ao palco pouco depois das 22h, como de costume. Após introdução instrumental e seguindo o que é habitual, emendou porradas sucessivas sem pausa para respirar: “Interceptor V6”, “Remédios Demais”, “Ressaca Sem Fim” e “Eu Não Gosto de Ninguém” abriram os trabalhos com o acompanhamento do público que já lotava o Opinião.

                Após a primeira pausa, Jimmy se dirige pela primeira vez ao público: “O Matanza está lançando um disco novo. Disco novo com música velha. Puta que pariu, hein? É muita cara de pau!”, comenta, em um momento de bem humorada auto-resignação. “Matanza em Idaho” foi a primeira faixa do álbum “Thunder Dope” (lançado este ano, com regravações de músicas resgatadas dos primórdios do Matanza, antes mesmo de “Santa Madre Cassino”) inclusa no set. A seguir, o que se viu foram doses cavalares de sucessos do Matanza permeados pelos tradicionais discursos do vocalista Jimmy London. No mais interessante deles, confrontou aqueles que acusam a banda de machismo, dizendo que o poder está nas mulheres (mais especificamente em um certo ponto delas) e homenageou a todas com a renomeada “Clube DAS Canalhas”. O encerramento apoteótico ficou por conta de “Bom é Quando Faz Mal”, que botou o Opinião abaixo, fechando a excelente apresentação dos cariocas. Ao contrário do que vinha acontecendo, desta vez não houve bis.

                O Matanza Fest, em sua primeira edição, levou um público numeroso ao Opinião para conferir o trabalho de quatro bandas em uma noitada de peso. Com ingressos a preços honestos e apresentando nomes de qualidade no underground, deixou todos na expectativa para um retorno do festival itinerante à capital.

Mais do que nunca, que venha o próximo.

                Vida longa ao Matanza Fest.


Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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