Noite Senhor F: Draco, Zerodoze e Hangar.

Há alguns anos acontece uma movimentação importante na cena Rock do Rio Grande do Sul. Passada a hegemonia das bandas indie (que ainda exercem importante papel na cena, porém em menos quantidade do que há cinco anos), bandas mais pesadas vem se destacando entre as mais ativas e importantes no underground gaúcho. Entre elas, Draco e Zerodoze, donas de públicos fiéis e de currículos invejáveis, foram escaladas para a mais recente edição da Noite Senhor F. Como headliners da noite, a Hangar, banda do lendário baterista Aquiles Priester (que durante anos foi responsável pelas baquetas do Angra e chegou a fazer audições para o Dream Theater) e que comemora seus 15 anos com a reunião da formação original, completou o cast de uma noite de peso em um dos mais importantes eventos da cena independente no Brasil.

Como é de costume, pontualmente às 21h subiu ao palco a primeira atração da noite. O trio Zerodoze, que promove atualmente seu mais recente álbum “O Peso Que Corrói”, abre sua apresentação com “Ninguém”. O que se veria a seguir não seria surpresa para os que acompanham o trabalho da banda (que já abriu shows de grandes artistas como Sebastian Bach e Slash): um show de Rock com peso, energia e competência de sobra. Canções já conhecidas de seu público como “O Gole”, “Black and Gray” e “Essa Mulher” levantaram o público sem deixar nada a desejar em comparação com os covers bem escolhidos: “Children of the Grave” (Black Sabbath) e “Symphony of Destruction” (Megadeth). Outro momento especial ficou por conta da participação do vocalista Igor Assunção (Cartel da Cevada) em “Fantoche”. O encerramento ficou a cargo do primeiro single de “O Peso Que Corrói”, “Da Onde Veio”. Pouco mais de 30 minutos que evidenciaram o porquê de esse imponente trio gaúcho escrever seu nome entre as melhores bandas do underground nacional.

O autointitulado trio de Rock Pauleira Draco abriu o segundo show da noite com a excelente “O Inferno é Aqui”, música que abre seu primeiro álbum, “Contramão”. Enfrentando alguns problemas técnicos (que foram, inclusive, responsáveis pela brusca interrupção de uma música), a banda superou as dificuldades e apresentou um show digno de quem enfrentou por duas vezes o desafio de abrir shows do Black Label Society (uma das maiores influências da Draco). Com repertório baseado no álbum Contramão, a banda agradou o público presente, especialmente em “Contrato com o Diabo” e no hit do underground “Louco da Estrada”. Também homenageando bandas que influenciaram seus integrantes, a Draco presenteia o público com “Black Night” (Deep Purple) e “Highway to Hell” (AC/DC), que encerrou a apresentação. Em ambas, a banda recebeu o reforço de Luciano Gillan (Teto e Muro, Lovers) nos vocais. Mais uma banda que merece atenção dos fãs de som pesado no Brasil.

Após breve troca de palco, a atração de fundo sobe ao palco do Opinião: Hangar inicia uma apresentação especial com a formação original, que gravou o álbum “Last Time”: Michael Polchowicz (vocal) e Cristiano Wortmann (guitarra) somaram-se a Nando Mello (baixo), Eduardo Martinez (guitarra) e Aquiles Priester (bateria) para um repertório baseado no álbum de estreia e também em seu sucessor, “Inside Your Soul”. Os fãs que se aglomeravam a beira do palco com canções emblemáticas de “Last Time” como “The Secrets of the Sea”, “Like a Wind in the Sky” e “Voices” e “Angel of the Stereo”. Na sequencia, ainda no primeiro ato da apresentação, a formação já citada executou os clássicos “Falling in Disgrace”, “To Tame a Land”, “Savior” e “Inside Your Soul”. 

Para as canções dos álbuns “The Reason of Your Conviction” e “Infallible”, que formaram o segundo ato da apresentação, a banda recebeu o reforço do vocalista Pedro Campos, uma das vozes do Soulspell. Interpretando com competência “Infallible Emperor 1956”, “Some Light to Find My Way”,  “When The Darkness Takes You”, “One More Chance”, “Haunted By Your Ghosts” e “The Reason of your Conviction”, Pedro deixa claro seu potencial e habilitação plena para assumir em definitivo espinhoso posto de vocalista da Hangar.

Por fim, o momento mais especial do show da Hangar. Dois grandes clássicos do Heavy Metal fizeram o grand finale: “Master of Puppets”, do Metallica, contou com os vocais de Cristiano Wortmann, enquanto “Eagle Fly Free”, do Helloween, foi interpretada nas vozes de Michael Polchowicz e Pedro Campos, dando fim uma Noite Senhor F de peso.

A noite das guitarras pesadas responde por mais uma edição brilhante da Noite Senhor F: Draco, Zerodoze e Hangar fizeram, cada uma em seu estilo, apresentações que uniram técnica e feeling e que levantaram o público de pouco mais de 300 pessoas que compareceram ao Opinião na cálida noite de domingo. A próxima edição do evento, também dedicada ao público das camisetas pretas, contará com Baltimore, Hibria e Rosa Tattooada. 

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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