Discografia do Rock Gaúcho: revisitando a história no Palco no Opinião

Entre as tradições culturais de Porto Alegre, como a Feira do Livro, o “Porto Alegre em Cena” e a temporada de verão de Tangos e Tragédias, está o Porto Verão Alegre, evento que reúne dezena s de espetáculos a preços acessíveis durante a estação mais quente do ano. A parte musical do Porto Verão Alegre deste ano contou com um evento mais do que especial: a Discografia do Rock Gaúcho, que já fora sucesso em 2012, voltou para mais quatro noites, desta vez com ingressos totalmente grátis. Durante a primeira semana de fevereiro Frank Jorge, Wander Wildner, Topaz, Bide ou Balde, Acústicos & Valvulados, Tequila Baby, Cachorro Grande e Defalla apresentaram cada uma um disco emblemático de suas carreiras para um público ávido por diversão ao som do bom e velho Rock Gaúcho.

04/02 – Segunda-feira

Frank Jorge

    A abertura dos trabalhos ficou a cargo de Frank Jorge, músico, compositor, produtor, líder da Graforréia Xilarmônica. baixista original dos Cascavelettes e dono de uma série de outros títulos que o salvaguardam como um dos principais nomes não apenas da cena músical gaúcha, mas do underground nacional. Pontualmente às 22h a banda abre seu show, que homenageava o excelente “Carteira Nacional de Apaixonado”, com “Serei Mais Feliz” (Vou Largar a Jovem Guarda). A partir dalí se pode conferir o caráter de total cumplicidade e respeito mútuo entre artista e público, que interagiram durante os quase 60 minutos de apresentação. Frank, munido de suas três décadas de experiência, conduziu a apresentação acompanhado de um competentíssimo sexteto de camisas amarelas (que contava com as ilustres presenças de Alexandre Birck e Luiz Henrique “Tchê” Gomes) e de um repertório bastante conhecido de seus fãs. Destaque para “Cabelos Cor de Jambo”, “Nunca Diga” (sucesso da Graforréia Xilarmônica que recebeu uma versão diferente em “Carteira Nacional de Apaixonado”) e Homem de Neanderthal. Concluído o set do álbum homenageado, ainda houve espaço para uma versão de Je T'Aaime Moi Non Plus, de Serge Gainsbourg, e para o clássico absoluto “Amigo Punk”, que encerrou a apresentação com chave de ouro.

Wander Wildner

    Apresentando um clássico de maneira totalmente nova, Wander Wildner armou-se de seu clássico álbum “Baladas Sangrentas” para sua participação no projeto. Porém, alterou totalmente a ordem já conhecida do público, abrindo com “Ganas de Vivir”, ao violão, acompanhado apenas por Jimi Joe. Na sequencia, todas as músicas que fizeram a história da carreira solo de Wander no início dos anos 90: “Bebendo Vinho”, “Maverikão”, “Usted”, “Eu Tenho uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”, entre outras, desencadearam coros de alegria e nostalgia na pista do Opinião. Antes do encerramento, houve ainda espaço para “Fecha Um”, de Jimi Joe e “Um Lugar do Caralho”, um dos maiores clássicos do Rock Gaúcho. A primeira noite do projeto encerra-se com um saldo mais do que positivo.

(por Marcel Bittencourt)

05/02 – Terça-feira

Topaz

Um dos principais produtos lançados pela produtora Olelê Music nos últimos anos, a banda Topaz, não poderia ficar de fora. Dona de um público cativo que compareceu em peso ao Opinião, a banda executou seu álbum “III”, de 2010 para um público predominantemente juvenil. Destaque para o hit “O Maior Idiota do Mundo”.

Bidê ou Balde

    Quebrando a idéia de apresentar um álbum que fez história, a Bidê Ou Balde optou pela execução integral de seu novo álbum, “Eles são assim e assim por diante”, lançado no final de 2012. Isso, no entanto, não desabona em nada a performance empolgante e cheia de energia da banda mais elegante do Rock Gaúcho. No entanto, como não poderia deixar de ser, as melhores reações do público vieram no final, com “Melissa”, “Microondas”, “Bromélias” e a belíssima “Mesmo Que Mude”.

(por Marcel Bittencourt)

06/02 –Quarta-feira

Acústicos e Valvulados

    A banda mais camarada do Rock Gaúcho, os Acústicos e Valvulados, foi escalada para abrir a terceira noite do projeto, que contaria ainda com seus amigos da Tequila Baby. Apostanto no tiro certo, a banda escolheu seu álbum de maior sucesso comercial: o homônimo “Acústicos e Valvulados”, de 1999. Grandes sucessos que permearam os playlists das rádios na época levaram o público ao delírio. “O Dia D é Hoje”, “Remédio”, “Fim de tarde com Você” e “Até a Hora de Parar” levantaram o público e mexeram com as memórias do público que já lotava a pista para conferir o excelente show de Malenotti e cia.

Tequila Baby

    Valendo-se do projeto para lançar seu álbum em sua cidade e para um público especial, a Tequila Baby mandou “Por Onde Você Andava?”, de 2012, na ordem e na íntegra. Frustrando um pouco as expectativas de quem esperava “Sangue Ouro e Pólvora” ou até mesmo uma nova apresentação de seu homônimo álbum de estréia, como aconteceu em uma edição anterior do projeto “Discografia do Rock Gaúcho”, a banda não se intimidou e deu importância de clássico a seu material mais atual, porém, a exemplo do que acontecera na noite anterior com a Bidê ou Balde, conseguiu a melhor resposta do público no bis, com “Sexo Algemas e Cinta-Liga”, “Velhas Fotos” e “51”.

(por Marcel Bittencourt)

07/02 – Quinta-feira

Cachorro Grande

O Opinião estava completamente lotado para receber a última noite do projeto Discografia do Rock Gaúcho. A primeira banda a subir no palco foi a Cachorro Grande, que tocou na íntegra e em ordem as faixas do seu primeiro álbum, Cachorro Grande, lançado em 2001. O riff marcante de "Lunático" abriu os trabalhos, seguido pelo primeiro hit "Sexperienced" e pela não menos clássica "Debaixo do Chapéu". "Lili" foi dedicada ao Sid, proprietário do Bambu's, bar clássico da cena Rock porto alegrense. Destaque para "Dia Perfeito", um dos pontos altos da noite, e "Vai T.Q.Dá" com a banda dando um verdadeiro show ao improsivar solos por cerca de 10 minutos.

Depois de "(Os doces exóticos de) Charlotte Grapewine", ainda houve energia para a faixa secreta do disco, sem dúvida uma das músicas mais insanas do Rock Gaúcho, que ajudou a elevar o espírito autodestrutivo da banda, desmontando os equipamentos no palco ao melhor estilo The Who.

Após a banda saudar o público, abraçada no centro do palco, viraram de costas e mostraram a bunda. Um ato inesperado e no mínimo engraçado.  Esse show lembrou muito a apresentação de lançamento desse álbum, em 2001, na Casa de Cultura Mário Quintana. Doze anos depois daquele dia e após conquistar o Brasil, a sinceridade e o prazer em fazer Rock seguem intactos e a Cachorro Grande ainda tem muito a oferecer ao Rock.

Defalla

A apresentação do Defalla certamente atendeu as expectativas dos fãs da banda e dos fãs de Rock, afinal, poucos conseguem exercer a função de “front man” tão bem quanto Edu K.

Começando pelo visual, uma mistura de moda praia, com um cabelo punk e um óculos bem psicodélico. Por diversas vezes desafiou o público, principalmente os mais jovens, e dessa forma controversa conquistou de vez a plateia. O álbum "It's Fuckin' Borin' to Death", de 1988, é uma pedrada na orelha e fez os presentes baterem cabeça ao longo de toda apresentação.

Acredito que o festival não poderia terminar melhor, com uma das bandas mais clássicas do Rock Brasileiro e Gaúcho, quebrando tudo e presenteando a todos com um dos álbuns mais legais já lançados na nossa terra.

(por Thiago Floriano Barbosa)

Fotos: Fabiana Menine

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