Barão Vermelho: Comemorando 30 anos em plena forma.

                Que os anos 80 foram de extrema importância para o Rock no Brasil, ninguém discorda. Porém, muitos dos artistas que emplacaram sucessos naquela época estão hoje no ostracismo ou se apresentando para plateias muito menores do que naquela época. Exceção à regra, o Barão Vermelho decidiu tirar o pó de seus instrumentos para, após um hiato de cinco anos, cair na estrada e comemorar os 30 anos da banda. Em plena forma, Roberto Frejat (vocal e guitarra), Fernando Magalhães (guitarra), Rodrigo Santos (baixo), Guto Goffi (bateria) e o carismático percussionista Peninha subiram ao palco do Pepsi On Stage no último sábado, dia 02 de março, para uma apresentação memorável, que contou ainda com a abertura dos Autoramas.

                Pouco depois das 23h30 as luzes se apagam para a simpática introdução onde a vinheta anunciava “Lá vem o avião do Barão Vermelho”. E foi com a presença de um Boeing que a banda entrou em cena com “Por Que A Gente É Assim?”, como não poderia deixar de ser na turnê batizada “+ 1 Dose”. Na sequencia, mais dois hits, fechando apenas a primeira trinca de uma noite recheada deles: a blueseira “Ponto Fraco” e “Pense e Dance”, com seu riff mais que marcante levantaram o público totalmente heterogêneo que lotava o Pepsi On Stage.

                Após saudar o público e agradecer por estar novamente em Porto Alegre, o sorridente Frejat chama o riff introdutório de “Cuidado”, canção que marcou a reunião anterior do Barão Vermelho (afinal, para quem não lembra, esta não foi a primeira vez que o Barão tirou férias).

                Seguiu-se então duas horas de viagem no tempo que, conforme prometido por Frejat, apresentou material de todos os álbuns do Barão. “Billy Negão”, “Meus Bons Amigos”, “Pedra, Flor, Espinho” e “Bilhetinho Azul”, entre outras, embalaram as lembranças dos fãs ávidos por uma visita do Barão Vermelho à capital. Um dos pontos altos do show foi a interpretação intimista de Frejat, ao violão, para “Por Você”. O público deu show, cantando a letra do início ao fim. Frejat, gentil, retribuiu alterando a letra para “Iria a pé de Porto Alegre a Salvador”. Houve espaço ainda para versões consagradas de “Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo” (de Roberto e Erasmo Carlos), “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto” (Legião Urbana) e “Tente Outra Vez”, de Raul Seixas.

                Para o fim, ficou reservado o melhor: “Maior Abandonado”, “Down em Mim”, “O Tempo Não Para” e “Pro Dia Nascer Feliz” fecharam com chave de ouro o tempo regulamentar.       O bis contou com “Codinome Beija Flor”, cantada em coro pelo público que não demonstrava sinal algum de cansaço e uma surpresa: “Satisfaction”, dos Rolling Stones.

Em perfeita sintonia com seu público, e apresentando-se de forma coesa e convincente, os seis músicos (Maurício Barros acompanha a banda nos teclados) deram tudo de si no palco e proporcionam um show de veteranos tocando com energia juvenil, endossando a teoria de que o Rock and Roll não envelhece. A banda transpirava vontade de fazer Rock e de se entregar ao público de Porto Alegre. Se apresentações anteriores foram mornas, a deste sábado incendiou Porto Alegre.

                Que venha o próximo!

 

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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