Ian Anderson: casa cheia para um show incrível.

Quinta-feira, 12 de Março. Um dia histórico para os fãs do Rock Progressivo em Porto Alegre. Ian Anderson, líder, vocalista e flautista do Jethro Tull, retorna a Porto Alegre com a turnê que comemora seus 42 anos de carreira e apresentou os dois álbuns “Thick as a Brick” I e II. O primeiro, clássico da banda que o projetou a sucesso mundial, é baseado em um poema de um garoto genial. É, até hoje, uma referência incontestável do Rock Progressivo. Já o segundo, lançado em 2012, explora o que teria acontecido a Gerald Bostock, quarenta anos depois. Apenas por seu conceito, o show já prometia, porém, somando isso à qualidade e genialidade do trabalho de Anderson ao longo de mais de quatro décadas, a expectativa não poderia ser maior. O público de Porto Alegre sabia disso e fez sua parte, lotando o Araújo Viana a ponto de levar a produção a proporcionar assentos extras.

                Próximo ao horário previsto, a equipe de Anderson, uniformizada com longos casacos e boinas, concluía a limpeza do palco com vassouras e escovões, além de limpar os instrumentos com flanelas, deixando tudo impecável para o espetáculo que estava por vir. Em seguida, as luzes se apagam e vem a surpresa: Os faxineiros eram ninguém menos que Florian Opahle (guitarra), Scott Hammond (bateria), David Goodier (baixo), John O'Hara (teclados), Ryan O'Donnell (vocal), a banda de Ian Anderson, que entrou em cena pela direita do palco, arrancando aplausos do público porto-alegrense.

                Como não poderia deixar de ser, a primeira hora contou “apenas” com a execução integral e perfeita de “Thick as a Brick”. O álbum de faixa única emocionou os fãs que acompanhavam, incrédulos, como uma banda pode reproduzir de forma impecável uma obra tão complexa. Ao final, estrondosos aplausos de um público de alma lavada.

                Sorridente e carismático, Ian Anderson anunciou que voltariam em 15 minutos, para Thick as a Brick II, e assim foi feito. O mais recente álbum solo de Ian Anderson, embora bem menos conhecido do público, também agradou e impressionou pela qualidade dos arranjos e dos músicos que acompanham Ian, especialmente o performático vocalista Ryan O'Donnell, que canta, dança e interpreta de forma teatral os trechos que lhe cabem. Após duas horas, a banda deixa o palco, atraindo o público que até ali estivera sentado para a beira do palco, a espera do bis.

                E ele veio. Embora a internet já denunciasse que não haveria “Aqualung”, não faltaram pedidos. Porém, Ian Anderson e sua trupe seguiram o protocolo e fecharam com “Locomotive Breath”, do próprio “Aqualung”.

                Transcrever um show de Ian em palavras é uma tarefa espinhosa para qualquer um que se propõe a fazê-lo, por conta da riqueza da apresentação, que é musical, é visual, é teatral e é transcendental por conta da infinidade de climas e emoções sobrepostas ao longo do espetáculo. Certamente os gaúchos que esgotaram os ingressos da apresentação de Ian Anderson retornaram a seus lares satisfeitos e já saudosos, desejando, para o mais breve possível, um retorno deste gênio do Rock Progressivo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Doni Maciel

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1 comentário

  1. Marcelo Araujo

    eu vi esse show aqui em bh e foi bom demais!! nota 1000! a moçada mandou muito bem. o ian anderson em plena forma, o Ryan O’Donnell parecendo filho dele, e a banda mandando bala. showzaço!

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