The Hives: A segunda vez é ainda melhor que a primeira.

Cinco caras formando uma banda de Rock. Duas guitarras, baixo, bateria e um vocalista insano. Poucos acordes e volume alto. A fórmula, apesar do incansável reaproveitamento ao longo da história do Rock, parece não se esgotar. Porém, algumas bandas conseguem, dentro de um padrão tão limitado, se sobressair e proporcionar ao público apresentações incríveis, daquelas que ficam por anos e anos na memória de quem teve o privilégio de presenciar. Na última segunda-feira, dia 01 de abril, Os suecos do The Hives fizeram seu segundo show em Porto Alegre e, conforme palavras do próprio vocalista Pelle Almqvist, provaram que “a segunda vez é sempre melhor que a primeira”.

    O show de abertura foi mais do que especial: The Temper Trap, banda que vem recebendo atenção e rasgados elogios de público e crítica, além de ser definido pelos mais exagerados como “o novo Coldplay”. Pontualmente às 20h, o quinteto subiu ao palco para um show de pouco menos de 60 minutos que, apesar da discrepância em relação à sonoridade da atração principal (a banda apresenta uma sonoridade muito mais melódica), mostrou a que veio brindando os presentes com música de primeira linha. Até quem não era entusiasta do estilo reconheceu o valor dos australianos, que receberam sonoros aplausos ao final de sua apresentação, que fechou com o hit “Sweet Disposition”. Destaque a performance do carismático baixista Jonathon Aherne e para o competentíssimo baterista Toby Dundas.

    Com apenas 15 minutos de atraso, as luzes se apagam para a atração principal: a tenebrosa introdução instrumental serve de cortina para a entrada de Chris Dangerous (bateria), Dr. Matt Destruction (baixo), Nicholaus Arson e Vigilante Carlstroem (guitarras). Espancando a bateria como mandam os conformes do Rock and Roll, Chris dá início a “Come On”, faixa de abertura de Lex Hives, mais recente álbum da banda. Triunfante, Pelle Almqvist (vocal) entra em cena e é ovacionado pelos fãs. Sem tempo para respirar, “Try It Again” mantem o clima catártico na pista do Opinião, com fãs pulando insandecidamente e berrando a letra a plenos pulmões. Cinco minutos e já estava claro: a banda veio para proporcionar um dos melhores shows de 2013 na capital.

    Munidos de um repertório bem escolhido, focado nos hits e abrindo pequenos espaços para as novas canções, os suecos comandaram a quebradeira com “Main Offender”, “Walk Idiot Walk”, “Die, All Right!”, entre outras. Mas foi em “Hate to Say I Told You So”, maior sucesso comercial da banda, responsável por catapultar o quinteto ao sucesso mundial, que o chão tremeu. O refrão retumbou de uma forma que poucas vezes Porto Alegre pode presenciar.

    O grande destaque, porém, é a performance da banda, especialmente do vocalista Pelle Almqvist: além da tradição de dar trabalho aos fotógrafos e roadies (estes, talvez não por coincidência, caracterizados como ninjas), o cantor comandou o público correndo de um lado a outro, subindo na grade, nos retornos e na bateria, girando o microfone e arriscando um português esforçado em se tratando de um sueco. “Esperamos muito tempo por isso”, disse o vocalista, que também arriscou um passe de mágica. “Hoje é segunda. Segunda. Todos concordam que é segunda? Pois bem, acompanhem esta mágica: (aponta para as mangas) Nada aqui, nada aqui, nada na cartola.” Após o gesto típico de um ilusionista, fez-se a mágica: “É SÁBADO!!!”, bradou Pelle, arrancando risos da plateia. O carisma e bom humor do vocalista também chamam a atenção, proporcionando situações inusitadas como a sequencia de respostas do público “Say Yeah! (Yeah) Say No! (No!) Say maybe! (Maybe!)”.

Após “Won't Be Long” e ”Patrolling Days”, a banda deixa o palco com apenas uma hora de show. No entanto, a plateia seguia, apesar de exausta, ávida por mais algumas canções. Poucos minutos se passaram e a banda encerra com uma trinca matadora: “Go Right Ahead”, single do álbum mais recente, “Insane” e “Tick Tick Boom!”, na qual Pelle teria feito toda a plateia agachar-se antes da explosão após o interlúdio, não fosse por uma moça no mezanino que além de recusar-se a entrar no clima, trocou “gestos gentis” com a plateia. Almqvist não se intimidou: “Esqueçam a garota de calça vermelha, foquem aqui! Eu sou a pessoa mais importante deste show!”, encerrou o vocalista com um riso ainda mais engraçado que a frase.

Uma hora e vinte de Rock. Puro, simples, direto. Honesto. Com vontade, com suor, com erros de execução. Uma síntese do que o Rock é e do que deve ser no palco. Uma resenha não é suficiente para retratar, e nem tampouco justa para com a performance do The Hives no palco. O texto não reflete 1% da experiência de ver a banda ao vivo. Cinco caras vieram da Suécia para proporcionar uma noite memorável a seus fãs e cumpriram a tarefa com louvor.

Longa vida ao The Hives.

 

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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