Djavan: brilhantismo e competência.

                Noite de quarta-feira em Porto Alegre e o Araújo Viana recebe um dos maiores nomes da música popular brasileira. Aos 64 anos, o cantor alagoano Djavan, trouxe a Porto Alegre seu novo show, “Rua dos Amores”, encantando as quase quatro mil pessoas que compareceram para prestigiá-lo. Com ingressos esgotados, o que se viu foram duas horas de uma apresentação tecnicamente impecável.

            Quase que pontualmente, a banda sobe ao palco para “Pecado”, do álbum mais recente “Rua dos Amores”. Com um groove impressionante e uma linha de baixo especialíssima, a canção levanta o público desde o início. Vestindo um elegante traje branco, Djavan entra em cena e é ovacionado. Tanto “Pecado” quanto “Acelerou”, que veio em seguida, serviram também para provar que a voz de Djavan continua a mesma (ou ainda melhor). O espetáculo, que conta com som e luz de primeira linha e torna-se ainda mais grandioso por conta da banda excelente que acompanha o cantor, configura um verdadeiro show de brilhantismo e competência.

                No entanto, nem só de quesitos técnicos se faz um bom show: a escolha do repertório pode ser contestada. Durante a hora que se seguiu, o que se pode perceber foi um setlist voltado para os verdadeiros conhecedores do trabalho de Djavan, deixando de fora muitos dos hits que construíram a popularidade de Djavan. Entre as dez canções que se seguiram, apenas “Meu Bem Querer” e a versão intimista de “Oceano” (tendo somente Djavan no palco, munido apenas de seu violão), arrancaram aplausos mais significativos.

                O encerramento, este sim, contou com grandes sucessos e uma participação mais efetiva do público: “Flor de Lis”, “Cigano”, “Samurai” e “Seduzir” levantaram o público literalmente, sendo que este deixara os assentos, tomando a frente do palco do Araújo. Após breve intervalo, ainda houve tempo para o bis com “Nem Um Dia”.

 Foram mais de duas horas de música de primeira qualidade, com nítidos picos de reação do público no início e no fim, permeado por um longo período de contemplação apática. Apesar de irregular, não há como desabonar a qualidade do espetáculo. Djavan ainda justifica seu nome entre os grandes da MPB.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

                

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