Texas Hippie Coalition: Apresentação matadora para poucas testemunhas.

               

Porto Alegre tem disso. Algumas apresentações acabam se tornando especiais por influência de uma série de fatores, muitas vezes extramusicais. No caso da banda americana Texas Hippie Coalition, vários podem ser listados. Alocados entre deficiência (ou quase inexistência) de divulgação de seu trabalho no Brasil e sua própria forma, honesta e firme, de encarar a música, a banda desceu até a América do Sul para se apresentar em pequenos bares. Em Porto Alegre, isso foi levado ao extremo: com a repentina interdição do Beco apenas dois dias antes, o show foi transferido para o Dohmba, casa onde o ambiente dedicado a shows comporta cerca de 200 pessoas. Mesmo as adversidades, a banda subiu ao palco e deu seu melhor durante 60 minutos que entraram para a história de vida de quem compareceu para prestigiá-los. A abertura ficou a cargo dos gaúchos da Witchcraftt, que cumpriu bem o papel de aquecer os motores para a atração principal.

                Ainda faltavam dez minutos para as 21h quando John Exall (baixo), Cord Pool (guitarra) e Gunnar Molton (bateria) subiram ao palco para a chegada do frontman Big Dad Ritch. De primeira a banda manda “Hands Up”, faixa que abre seu mais recente álbum (o excelente “Peacemaker”, de 2012). Apesar de ser um bar pequeno e de, por isso, ter sua estrutura reduzida, som e luz estavam ótimos. A performance da banda, igualmente, não deixou a desejar com as mudanças de ultima hora. Totalmente entregues à sua música e a seu público, o quarteto botou a casa abaixo desde o início.

                A partir dali o que o público recebeu foram ótimas músicas e grandes declarações de amor. O grandalhão Big Dad Ritch, com sua aparência abrutalhada, abriu o coração por diversas vezes, proporcionando frases memoráveis como “Não sei se a mãe de vocês falou isso, mas eu amo vocês” e “Meu coração pertence ao Brasil”. Com um clima de festa e de grande interação entre a banda e o público que lotava a pequena pista do Dohmba, o que se viu foi um setlist curto, porém bem escolhido, baseado principalmente no novo álbum “Peacemaker”, de onde saíram sete das dez canções do set. Até a canção derradeira, o hit “Pissed Off And Mad About It” (única do excelente álbum “Rollin’”), apenas “Texas Tags” e “Troublesome Times” (do álbum de estreia “Pride of Texas”). Mesmo com tanto material recente em detrimento daquele mais conhecido dos fãs, a intensidade com que foram executadas e a energia contagiante de Big Dad e Exall, bem como dos novatos Poll e Molton, proporcionou um dos melhores shows do ano em Porto Alegre.  Outro aspecto que poderia tornar o show dos caras algo menor, a ausência de uma segunda guitarra, também passou despercebido: Cord Pool foi uma grata surpresa para os fãs, esbanjando técnica, carisma e competência. Da mesma forma, o baterista Gunnar Molton, que visualmente em nada se parece com um integrante do THC, quando toca bateria se mostra perfeitamente integrado à banda texana.

                Antes do encerramento apoteótico com “Pissed Off And Mad About It”, a banda agradeceu a presença de seu público, se disse feliz em estar novamente em turnê pelo Brasil e citou uma pergunta da breve entrevista concedida ao POA Show, minutos antes: “Um cara me perguntou há pouco em uma entrevista, como é fazer este tipo de música nos dias de hoje. Respondi que eu sou um super-herói, nós vamos salvar o Rock and Roll!”.

                Com apenas uma hora de show, a banda se despede. Ficou a inevitável sensação de que o show foi curto, algo que é uma vitória para uma banda que passa pela primeira vez por uma cidade distante. Mesmo com uma equipe reduzida e uma divulgação deficitária no Brasil, o THC enfrentou o monstro e venceu, proporcionando aos fãs uma noite inesquecível do melhor “Red Dirt Metal”.

                Que venha o próximo.

MUDANÇA DE FORMAÇÂO

SETLIST

01 – Hands Up

02 – 8 Seconds

03 – Outlaw

04 – TX Tags

05 – Turn It Up

06 – Troublesome Times

07 – Damn You To Hell

08 – Don't Come Looking

09 – Sex & Drugs & Rock And Roll

10 – Pissed Off And Mad About It

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Aline Jeckow

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