Matanza: e B-Negão: Botando a casa abaixo.

 

    Quem teve a oportunidade de ver, ao vivo ou pela televisão, o show dos cariocas do Matanza no Rock in Rio, certamente ficou impressionado com a performance da banda em um evento daquele porte. De acordo com a proposta do Palco Sunset (de que o artista principal contaria com a participação de alguns convidados), o Matanza foi enfático na escolha: B-Negão, conhecido por seu trabalho com o Planet Hemp (em menor escala, com os Funk Fuckers) e que hoje viaja o Brasil com sua banda, os Seletores de Frequência, alguém por quem os caras já haviam, anteriormente, declarado respeito e admiração. O excelente resultado, muitos disseram, não poderia ter sido melhor. No entanto, poderia. No último domingo, dia 09 de Junho, Porto Alegre pode apreciar um encontro muito melhor do que aquele no festival carioca, entre Matanza e B-Negão.

    O Matanza subiu ao palco pontualmente. Como é de praxe, sem conversa, sem frescura, uma porrada atrás da outra. A surpresa foi a evolução da banda no palco. Mesmo com a intensa sequencia de shows, o Matanza conseguiu brindar seu público com a melhor performance da banda em muitos anos no Opinião. Com um som ainda mais coeso e preciso que o que lhe é habitual, abriram com a sequencia matadora: “Rio de Whisky”, que promoveu o início da catarse na pista, seguida de “Bom é Quando Faz Mal”, cantada em uníssono do início ao fim, e “Quando Bebe Desse Jeito”, “Meio Psicopata” e “A Arte do Insulto”.

    “Só existe uma coisa a dizer. Só existe uma coisa honesta e pertinente a se dizer, num momento como esse. PUTAQUEPARIU, PORTO ALEGREEEEEEEEEEE!!!!”, bradou o gigante Jimmy London, fazendo jus a mais uma tradição do Matanza na capital. A partir dali, clássicos dos quatro primeiros álbuns autorais formaram a maior fatia do repertório (foram apenas duas canções do recente “The Thunder Dope” e, pela primeira vez em Porto Alegre, nenhuma versão de Johnny Cash). As maiores reações do público vieram nos hits “Pé Na Porta, Soco Na Cara” e      “Eu Não Gosto de Ninguém”.

    Mas o grande destaque da apresentação ainda estava por vir: com pouco mais de uma hora o Matanza chama ao palco B-Negão, segundo Jimmy “um cara que nunca deixou nenhum filha da puta mandar nele”. Sob fortes aplausos, mandam “Letter to the Censors”, do Mano Negra e botam a casa abaixo. A partir dali, interessantes versões para     “Dança do Patinho”, hit dos Seletores de Frequência e vários petardos do Matanza, com destaque para “O Chamado do Bar”, “Clube dos Canalhas” e a dobradinha “Ela Roubou Meu Caminhão” e “Eu Não Bebo Mais”, que fechou a apresentação. Outra grata surpresa foram os covers de “O Dotadão Deve Morrer”, dos Cascavelettes e “Jailbreak”, do AC/DC, anunciada por Jimmy de forma irônica como “uma música que eu tenho certeza que ninguém aqui gosta e que ninguém aqui conhece”.

    Passadas quase duas horas de show, o Matanza deixou o palco em definitivo. Desta vez, o tradicional bis que, segundo a banda, só acontece em Porto Alegre, não veio. Porém, isso em nada desabonou o excelente show de Rock que Matanza e B-Negão proporcionaram ao público da capital gaúcha.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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