Raimundos e Dead Fish: Encontro histórico no palco do Opinião.

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Noite de quinta-feira em Porto Alegre e os fãs do Punk e do Hardcore recebem um presente inesquecível: o encontro de Dead Fish, uma das maiores bandas de hardcore do país, com os Raimundos, que fizeram e continuam fazendo história no Rock nacional em uma noitada de quase cinquenta canções no palco do Opinião. A grandiosidade do encontro não poderia ter outro resultado: ingressos esgotados para um dos mais importantes shows do ano.

Poucos minutos depois do horário marcado, às 23h05, o Dead Fish sobe ao palco apresentando seu mais novo “bandeirão”: uma folha A4 com o nome da banda escrito em pincel atômico (conquistando o título de mais barato material de divulgação da história do Rock) e botando pra quebrar com uma sequência matadora: sem parar para respirar, emendam “Rei de Açúcar” (que de cara abriu rodas de pogo na pista), “Venceremos”, “Zero e Um”, “Paz Verde” e “Iceberg”. Os dez primeiros minutos deixam claro que a banda vive um de seus melhores momentos no palco. “Eu não entendo como essa banda tem 22 anos e eu ainda tenho vinte!”, brinca o vocalista Rodrigo, fazendo referência à própria energia e vontade de fazer hardcore.

O clássico “Asfalto” responde por um dos pontos altos da noite, com enorme receptividade do público. Além da energia e competência que lhes são habituais, o Dead Fish ainda mostrou presença de espírito diante do coro “Ei, Dead Fish, vai tomar no cu”: “A gente já deixou esse hábito. não fazemos mais isso… mas se vocês insistem, pode enfileirar”, devolveu Rodrigo, arrancando risos e alguns gestos obscenos da plateia. Também houve espaço para agradecer ao público gaúcho, que, segundo o vocalista, sempre apoiou a banda ao longo destes 22 anos. Desnecessário dizer que foi fortemente aplaudido.

A partir dali, sem muita conversa, a banda seguiu empilhando clássicos. Destaque para “Queda Livre” e a dobradinha “Autonomia” e “A Urgência”, que fecharam a barulhenta apresentação dos capixabas.

Após anunciar a atração de fundo, Rodrigo chama a saideira, “A Urgência”, que encerra os trabalhos com a competência habitual. Mesmo enfrentando problemas técnicos (como quedas nos pedestais da bateria e a ausência do baixo na primeira metade de “Asfalto”) o Dead Fish tirou de letra as adversidades, deixando seus fãs de alma lavada ao final de pouco mais de 80 minutos de show.

Após meia hora para troca de palco, os Raimundos sobem ao palco do Opinião. De cara, mandam a pedrada “Herbocinética”, que fecha o clássico álbum “Lavô Tá Novo”. Na sequencia, “Mato Véio” deu o tom da noite: uma quebradeira pra fã nenhum botar defeito.

Houve espaço para muita interação com o público, e não estamos falando do puro e simples “vocês são foda” (que também esteve presente), mas para referência a morte de Champignon e ao estado de saúde do guitarrista Marquim. Sobre o amigo de longa data, Digão desabafou: “Eu estou chocado, véio… eu estou em estado de choque. Primeiro o Chorão, depois o Pêu, agora o Champignon… Vamos celebrar a vida, véio… Vamos celebrar que a gente tá vivo. A gente quer fazer uma homenagem aqui…”, anunciou Digão antes de “Zóio d’Lula”, do Charlie Brown Jr., lembrando a trágica morte do baixista da banda, ocorrida três dias antes. Quanto ao companheiro de banda (que precisou, inclusive, se ausentar durante uma canção, sendo substituído pelo Roadie), Digão reverenciou o amigo por estar “queimando em febre”, mas, ainda assim, quebrando tudo no palco do Opinião.

Após uma hora e meia de show e um caminhão de hits (“Palhas do Coqueiro”, “O Pão da Minha Prima”, “Nêga Jurema”, “Andar na Pedra”, “Me Lambe”, “A Mais Pedida”, “Reggae do Maneiro” e “Tora Tora”, entre outras) antecedeu mais um ponto alto: “Eu Quero Ver o Oco”, cantada em uníssono pelo público presente.

Para o bis, a banda retorna com “Deixa Eu Falar” e o clássico soberano “Puteiro em João Pessoa”, que encerrou o set de pouco menos  de uma hora e meia. Justificando sua permanência na estrada, os Raimundos provam e comprovam sua personalidade e sua força, contrariando seus detratores. Quem acha que a banda acabou com a saída de Rodolfo, em 2001, comete um grave equívoco. Os remanescentes Canisso, dono de um bom gosto exemplar na hora de compor suas linhas simples e marcantes, e o agora frontman Digão, ao lado de Caio Cunha e Marquim, deixam claro que a banda ainda tem muita coisa para queimar.

Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

 

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