Gogol Bordello: miscigenação e arte no palco do Opinião.

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Algumas bandas conseguem atingir um status singular. Com particularidades muito fortes, são poucos os que podem ser identificados logo no primeiro acorde, logo que batemos o olho ou pelos pormenores de sua história. Um destes raros casos aterrissou em Porto Alegre na última segunda-feira, dia 23 de Setembro, para apresentação no Opinião: Pouco mais de um ano e meio após as frustradas expectativas de uma apresentação na capital (prematuramente alardeada na internet como atração do Forum Social Temático 2012), o Gogol Bordello fez apresentação memorável no palco do Opinião.

Pouco depois das 21h40 as luzes se apagaram para a introdução instrumental. Um a um, o Gogol Bordello adentra o palco para o início de “Ultimate” e a chegada triunfal do vocalista e violonista Eugene Hütz, fortemente ovacionado pelo público na pista e nos mezaninos.

Na sequência, “Sally” e o hit “Wonderlust King” levantam ainda mais o público enlouquecido na pista do Opinião. Gritos, pulos, rodas de pogo (sim, exato) e letras cantadas a plenos pulmões foram a tônica do comportamento da plateia, espalhando um clima de festa que alguns poderiam considerar exagerado (caso não estivessem frente a frente com uma banda de energia muito acima do comum).  Sem muita conversa, o que se viu por todo o show foi um hit atrás do outro. Mesmo não sendo um grande sucesso comercial, para os fãs do Gogol Bordello absolutamente todas as canções são hits. Seu público, conhecedor profundo do trabalho dos caras, canta e dança com a banda até as faixas menos conhecidas. Não há como não se impressionar.

A banda, multiétnica por assim dizer, conta com integrantes de nada menos que sete países diferentes. Apenas violinista Sergey Ryabtsev e o acordeonista Yuri Lemeshev, russos, são compatriotas, enquanto os demais vem de diferentes pontos do mapa: além do líder Eugene Hütz (voz e violão), da Ucrânia, completam o time a chinesa Elizabeth Sun (voz e percussão), o carismático equatoriano Pedro Erazo (voz), o israelense Oren Kaplan (guitarra) , o etíope Thomas Gobena (baixo) e o excelente baterista Oliver Charles, de Trinidad. O resultado não poderia ser outro, uma insana mistura sem precedentes no meio musical.

Mas a loucura não para por aí: em cada faixa novos elementos surgem e um pouco mais de energia parece brotar de cada integrante. “My Companera”, “Immigraniada” e “Start Wearing Purple” promoveram sorridentes catarses na pista do Opinião. Todos pareciam contagiados pela festa proporcionada por aqueles oito artistas em solo gaúcho.

Após “Sacred Darling” a banda deixa o palco para o tradicional intervalo. O retorno não foi surpresa para ninguém, visto que ninguém fez menção de deixar às dependências do Opinião. O que foi, mais uma vez, surpreendente, foi a sequencia escolhida: “Lost Innocent World”, “Think Locally, Fuck Globally”, “Alcohol”, “Jealous Sister” e “Baro Foro”, sem espaço para respirar, encerraram a noite no melhor estilo “Gipsy Punk” (seja lá o que esse rótulo tão bizarro quanto a banda possa significar).  

Competente, divertido, inteligente, surpreendente e épico: o Gogol Bordello consegue ser, no palco, tudo isso e muito mais. A interação com o público, a energia da banda e a singularidade se sua sonoridade tornam um show dos caras algo obrigatório para qualquer fã de música. No palco do Opinião, o que se viu em 23 de setembro foi, sem sombra de dúvida, um dos melhores shows de 2013.

Senão o melhor.

Intro

Ultimate

Sally

Not a Crime

Wonderlust King

The Other Side of Rainbow

My Companjera

Dig Deep Enough

Immigraniada (We Comin' Rougher)

Break the Spell

Sun Is on My Side

Pala Tute

Malandrino

Start Wearing Purple

Sacred Darling

 

Bis:

Lost Innocent World

Think Locally, Fuck Globally

Alcohol

Jealous Sister

              Baro Foro / Undestructable

 

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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