Black Sabbath: Épico e Inesquecível.

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Quarta-feira, 09 de outubro de 2013. Uma data que ficará marcada para todo o sempre como "o dia em que o Black Sabbath tocou em Porto Alegre". É bem verdade que a banda, sob esta marca, já se apresentara na capital gaúcha em 1992 na turnê do álbum "Dehumanizer", com o excelente Ronnie James Dio nos vocais. Da mesma forma, também é verdade que Bill Ward, baterista que completaria a formação clássica no álbum "13", lançado este ano, não se faz presente na atual turnê. Porém, sem sombra de dúvida, o que se viu naquela incrível noite de quarta foi, sim, um verdadeiro show do Black Sabbath. Antes da atração principal, dois bons show para esquentar os motores: Hibria, uma das melhores (senão a melhor) banda de Heavy Metal do Brasil, mesclou hits com faixas do novo álbum, "Silent Revenge", enquanto o Megadeth, que dividiu opiniões: enquanto alguns foram à loucura com o repertório só de clássicos como "Hangar 18", "Holy Wars" (que fechou a apresentação em grande estilo) e a soberana "Symphony of Destruction", outros viram no show do quarteto americano nada mais do que uma apresentação morna.

    Exatos 23 minutos antes do previsto (sim, a banda se adiantou), às 21h37, subiram ao palco Terry "Geezer" Butler (baixo), Tony Iommi (guitarras) e Tommy Clufetos (baterista e homem mais sortudo do mundo) para o início de "War Pigs". Desnecessário dizer que levantaram o público desde o primeiro acorde e que foram ainda mais ovacionados com a entrada de Ozzy Osbourne, que completou o line-up munido de energia e carisma para mais do que compensar as eventuais falhas vocais. Na sequencia, "Under The Sun" e "Into the Void" confirmam o bom momento dos quatro senhores, que esbanjam competência na execução perfeita de seus temas densos e pesados. Som e luz chamam a atenção, da mesma forma que o enorme telão de LED ao fundo, completando o espetáculo audiovisual no estacionamento da FIERGS.

    Sem muitas palavras, o Sabbath dá andamento ao setlist sem surpresas: "Snowblind", "Black Sabbath" (na qual Ozzy errou o tempo diversas vezes, causando muita estranheza), "Behind the Walls of Sleep" levaram pessoas de todas as idades às lágrimas, enquanto o material do novo álbum ("Age of Reason" e "End of the Begining") foi igualmente bem recebido pelo público. No entanto, os pontos altos foram os clássicos absolutos "N.I.B", introduzida pelo o emblemático solo de baixo de Geezer Butler e "Iron Man", que destacou ainda mais a competência e o entrosamento da seção rítmica composta por Geezer e Clufetos. Após "Rat Salad", até mesmo o solo de bateria (algo muitas vezes cansativo e inconveniente) agradou e formou perfeita combinação com os efeitos gráficos no telão.

    Ainda parecia o final do começo, mas já era o começo do final quando a banda executou com precisão milimétrica "God is Dead" e "Dirty Women", onde brilhou a estrela de Tony Iommi, esbanjando não apenas técnica, mas o feeling e a pegada que lhe são características.

    "Espero que vocês estejam se divertindo como nós certamente estamos". “Agora vamos tocar uma última música e queremos vê-los mais loucos do que vocês jamais estiveram”, anunciou Ozzy antes de mais um clássico: "Children of the Grave". O estrago já era suficiente, porém o bis foi a cereja do bolo: "Paranoid", introduzida pelo Riff de "Sabbath Bloddy Sabbath". Catarse total e trinta mil almas lavadas após duas horas que ficarão, eternamente, na memória do público presente.

    O que se viu, portanto, foi um dos maiores e melhores shows que já passaram pela capital gaúcha. Não existe contestação quanto a isso. A repercussão (quase?) unanime nas redes sociais endossa esta acusação. Geezer, em plena forma, mostrou-se dono de técnica e bom gosto no mesmíssimo nível que seu companheiro de cordas, Tony Iommi. Este, porém, é ainda mais merecedor deste do fervoroso louvor que lhe é conferido, pois seus riffs, excelentes e aparentemente inesgotáveis, sedimentaram o caminho do Heavy Metal exercendo, no passado, no presente e, certamente, no futuro, ampla influência sobre os fãs e músicos do som pesado. Clufetos, por sua vez, é impecável na bateria, fazendo jus ao privilégio que o destino lhe proporcionou. Ozzy, ainda que debilitado pela idade e pelas consequências dos excessos cometidos ao longo da vida, é perfeito no que faz de melhor: enlouquecer uma plateia sendo Ozzy Osbourne. Geezer, Iommi, Ozzy e o abençoado Clufetos presentearam Porto Alegre com um dos shows mais incríveis, pesados, imponentes, emocionantes e históricos de todos os tempos.

Porém, prezados leitores, todas as palavras aqui escritas, todo o discurso supracitado, todo o esforço de redação imputado nessas linhas é insuficiente. Embora bem intencionados, os que tentam através do texto, reportar o que foi o show do Black Sabbath em Porto Alegre, o que é um show do Black Sabbath e o impacto exercido sobre os que tiveram o privilégio de, talvez pela última vez, ver diante de seus olhos uma das melhores bandas do mundo, é falho e é algo muito próximo do inútil.

Ainda há tempo para fazer um último esforço para vê-los, seja em SP ou no Rio.

Conselho de amigo.

 Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Doni Maciel

   

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