Humberto Gessinger: Lançando o álbum “Insular” em Porto Alegre.

 

Todos os artistas têm admiradores, uma base de fãs que justifica sua carreira, financiando-a e servindo de destino para sua música. Porém, poucos artistas conseguem atingir um impressionante grau de idolatria, mobilizando essas pessoas de forma quase messiânica. Entre os que compõem o topo dessa lista está, indubitavelmente, Humberto Gessinger, líder e mentor dos Engenheiros do Hawaii, que lançou em Porto Alegre na última quarta-feira seu primeiro álbum solo, “Insular”. Cerca de dois mil fãs compareceram para prestigiar uma apresentação mais do que especial.

Pouco depois das 21h15 foi anunciado o  início da apresentação. Rafael Bisonho (Bateria), Rodrigo “Esteban” Tavares (Guitarra e Violão) e Humberto Gessinger (Baixo, Guitarra, Teclados e Vocal) abrem os trabalhos com uma trinca respeitável: “Tudo Está Parado”, “Toda Forma de Poder” e “A Montanha”, esta última com fervorosos aplausos ao solo de harmônica de Gessinger. A luz, excelente, e o cenário (que contava com o símbolo do novo álbum em diferentes tamanhos) atribuíam um aspecto grandioso ao show. O som, no entanto, deixava muito a desejar, especialmente quanto à guitarra (absurdamente aguda e estridente) e à voz (por conta da irritante sibilância). 

“Quem me conhece sabe que eu sou muito chegado em música melancólica. Pra mim não existe essa de música feliz a música triste, as duas coisas andam juntas.” – Inicia Humberto, dirigindo-se ao público pela primeira vez – “Vou chamar aqui um cara de quem eu gosto muito: Luiz Carlos Borges”. O conhecido músico gaúcho acompanhou com o acordeom e dividiu os vocais de “Recarga”, primeira canção de “Insular” a figurar no setlist da noite. As participações não pararam por aí: Nico Nicolaievski e Bebeto Alves, dois grandes nomes da música local também participaram em “Segura a Onda, DG” e “A Ponte Para o Dia”, respectivamente. Nico, como lhe é habitual, acompanhou Humberto de posse do acordeom, enquanto Bebeto brindou o público com uma participação intensa em performática, com seu vocal característico somado a uma forte expressão corporal.

As surpresas não pararam por aí: para deleite dos fãs, houve ainda espaço para a execução, na íntegra, de “A Violência Travestida Faz Seu Trottoir”, do clássico álbum “O Papa é Pop”. Canção longa e obscura daquele álbum, “A Violência…” arrancou aplausos intensos dos que foram agradavelmente surpreendidos por sua inserção no setlist. Além dela, “Tchau Radar, A Canção”, contou com os vocais de “Esteban” Tavares.

O repertório, bem escolhido, como não poderia deixar de ser, mesclou canções dos Engenheiros com material do novo álbum de Gessinger. Além das já citadas, o público matou a saudade dos Engenheiros com ótimas execuções de “Surfando Karmas e DNA”, “Somos Quem Podemos Ser”, “Eu Que Não Amo Você” e o encerramento excelente com “Exército de Um Homem Só I e II”.

O show que já tornava justo o valor do ingresso ganhou ainda mais brilho com não um, mas dois bis. No primeiro retorno ao palco, “Dom Quixote” e “Refrão de Bolero” ganharam o coro do público. Após mais um pequeno intervalo, as surpresas: “Parabólica”, “O Sonho É Popular” e “De Fé” antecederam “Ando Só”, que fechou o show de lançamento de “Insular” em Porto Alegre

Após quase duas décadas (salvo ocasiões pontuais) Humberto volta a subir ao palco integrando um power trio. Bisonho e Esteban se mostraram escolhas perfeitas para esta turnê, plenamente competentes, cada um em seu instrumento. O repertório, que contempla várias fases da carreira de Humberto Gessinger, também agrada, mesmo com a inevitável ausência de alguns clássicos. Isso em nada desabona o espetáculo. Para os seguidores dos cânticos Gessingerianos, o que importa é ver seu ídolo de volta aos palcos, de forma totalmente excelente. 

Publicações Relacionadas

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *