Defalla: Três décadas de história no palco do Opinião

              Um clássico da cena underground porto alegrense está de aniversário: o projeto Segunda Maluca, da produtora Rei Magro, há exatos 14 anos abre espaço para o que há de interessante na música não apenas do Rio Grande do Sul, mas do Brasil e do mundo. Nas comemorações de aniversário, quatro excelentes shows farão as honras da casa: Além dos vindouros shows de Mundo Livre S/A (21/10), Ratos de Porão (11/11) e Replicantes (30/11), o DeFalla subiu ao palco do Opinião para o pontapé inicial, na última segunda-feira, 07 de Outubro. Antes do show, um bônus deveras agradável (parafraseando o DJ Jamaica, figura emblemática do projeto): o documentário "Sobre Amanhã", que conta a história da banda, foi exibido nos telões para um público ainda pequeno que chegou cedo para aproveitar a tradicional dose dupla.

                Pouco depois das 23h, o carismático Jamaica anuncia as estrelas da noite: Biba Meira (bateria), Castor Daudt (Guitarra) e Flavio Castro, o Flu, (baixo), sobem ao palco acompanhados de 4Nazzo, (guitarra) e Vicente Rubino (teclados). Por fim, vestindo um elegante paletó rosa e uma estravagante calça de zebrinha, Edu K, líder e mentor da banda mais louca da cidade, entra em cena para "Sodomia". – "Essa é pra galera que gosta de dar o rabo!", anuncia o cantor. Em seguida, Apesar de reduzido, o público demonstrou conhecer muito bem o trabalho do Defalla, enquanto o elétrico Edu K demonstrava sua energia característica na performance que lhe é habitual. Além disso, não deixa, sequer uma vez, de fazer referência a, digamos, "principais orgãos do aparelho excretor" de seu público. Sobrou até para Fredi Endres, guitarrista da Comunidade Nin-Jitsu. "Quem é que vai dar o cu aqui hoje? Tu vai dar o cu? Tu? Nem tu? E o Fredi? O Fredi vai dar o cu, certo.".

                Da primeira a última canção do set houve espaço para tudo: clássicos em português, cantados em coro, músicas emblemáticas em inglês, ao som das quais o público dançou enlouquecido, e covers interessantes. Ou, melhor dizendo, versões do DeFalla: Help, Satisfaction e Sossego foram totalmente incorporadas ao estilo da banda, tornando o show dos caras ainda mais interessantes.               

                Ligado em 330 voltz, Edu K não consegue (e nem quer) parar. Toma todos os espaços do palco (incluindo o retorno posicionado às costas da baterista Biba Meira) e do bar (caminhando por entre a platéia durante a versão de "Five to One", dos Doors. A pegada do chamado "Funk Metal" (rótulo infeliz atribuído a Red Hot Chili Peppers e Faith No More no final dos anos 80) também esteve presente com “My Five Years Old” e “Rusty James”, entre outras. Após “It’s Fuckin’ Boring to Death”, já com quase 90 minutos de uma apresentação alucinante recheada de referências a pênis pequenos e anus violados, a noite se encerra com e o bís, já a esta altura previsível: “Não Me Mande Flores".

                Apesar do público bastante reduzido, o DeFalla proporcionou a seus fãs uma noite divertida, nostálgica e, nas palavras do grande Jamaica, "extremamente agradáááááááááááável". A banda mais bizarra e de mais forte personalidade no chamado "Rock Gaúcho" está aí: firme, forte e sem o mínimo de pudor. Como o DeFalla deve ser.

                Que venha o próximo.

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