Elvis In Concert: noite nostálgica em homenagem ao Rei do Rock.

   

    Noite de quinta-feira em Porto Alegre, 31 de outubro, dia das bruxas e os fãs de Elvis Presley tem destino certo: Araújo Vianna, clássico auditório da capital recebe o show Elvis In Concert, onde a banda que outrora acompanhara o rei em carne e osso agora o faz em vídeo. Sim, em vídeo, já que um gigantesco telão de LED (em meio a outros dois que mostravam os músicos no palco) exibia Elvis nas clássicas performances dos shows “That’s The Way It Is” (de 1970, que retrata os espetáculos de Elvis em Las Vegas naquele ano) e “Aloha From Hawaii” (especial de TV de 1973 que virou álbum e primeiro show transmitido via satélite em toda a história), além do especial de TV da rede NBC em  1968. 

    Uma estrela é sempre uma estrela. Mesmo já tendo partido, Elvis conseguiu se atrasar 25 minutos em Porto Alegre, o que causou certa irritação no público. Porém, um pedido de desculpas da produção, se dispondo a devolver o dinheiro dos ingressos daqueles que, por ventura, se sentiram lesados com as duas trocas de local (do Estádio Zequinha para o Gigantinho e do Gigantinho para o Araújo) e, ainda, prometendo uma música que não estava no repertório, foi uma demonstração de profissionalismo e gentileza. Já eram 21h25 quando, após o tema de “2001, Uma Odisséia no Espaço” a enorme bandeira com a imagem de Elvis Presley caiu, exibindo a banda que por muitos anos acompanhou Elvis no palco. “See See Rider” e “Burning Love” abriram sem empolgar muito, mas ainda assim causando impacto. 
    Tudo incrível: uma banda competentíssima, instrumentistas de primeira que já têm as canções na alma, um trio impecável de senhoras negras com vozes incríveis e o poder daquela que é considerada por muitos a grande voz do Rock and Roll. Até a quarta canção, onde problemas técnicos entraram em cena. Sem as projeções, a banda inicia a canção e nada acontece. Após a pausa, inevitável, a produção anuncia “Elvis foi para o camarim, mas já volta.”. Correria nos bastidores, desespero dos técnicos e, após alguns minutos, segue o baile. 
    A partir dali, o que se viu foi o melhor DVD do mundo. Projeções e voz gravadas, música executada ao vivo. Mesmo registrando aqui todas as honras e louvores aos que ali estavam trabalhando (especialmente o baterista e o baixista, principais responsáveis pela precisão milimétrica necessária para que este espetáculo tenha sentido, já que o beat deve ser exatamente o mesmo das apresentações originais) não é possível deixar de registrar que após algum tempo o show se torna cansativo, para dizer o mínimo. 
    Apenas os grandes hits como “Love Me Tender” ou os momentos mais brilhantes da voz de Elvis, como em “How Great Thou Art” conseguem arrancar aplausos. Quando muitos já bocejavam, um intervalo de quase 30 minutos em meio ao repertório foi o que faltava para esfriar o público ainda mais. No segundo ato, uma repetição do que se vira no primeiro, só que com menos entusiasmo. Desta vez, os pontos altos foram “You’ve Lost That Loving Feeling”, “My Way” e “Can’t Help Falling in Love”. 
    É sabido que nada pode macular a obra de Elvis. Elvis é e será o Rei. E o espetáculo Elvis in Concert é o mais próximo que a imensa maioria do público que ocupou os assentos do Araujo Vianna na última quinta-feira jamais poderá chegar. Deste ponto de vista, o show é interessante e recomendável. No entanto, peca muito pela escolha de repertório, que além de extenso deixa de fora clássicos como Hound Dog (que fazia parte da turnê). E, por fim, lembra aquela música extra, prometida lá no início? Não rolou. Aliás, quatro músicas foram suprimidas do set. 
    Duas trocas de local, baixa procura por ingressos, problemas técnicos, atrasos, setlis menor, público frio… a noite do dia das bruxas fez muito sentido para o show mais “zicado” do ano. 

 

 

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