Ratos de Porão: Cada dia mais sujo e agressivo.

Poucas bandas conseguem construir uma carreira sólida, com uma base de fãs fiéis ao longo de três décadas. Mais difícil que isso é passar dos trinta anos sem se render a modismos ou fazer concessões. Entre os que gloriosamente se enquadram nestes critérios, encontra-se merecida e honrosamente alocado o Ratos de Porão, banda que já rodou o Brasil e o mundo com seu som pesado, agressivo e de precisão milimétrica. Uma das maiores e melhores bandas da história da música brasileira se apresentou novamente em Porto Alegre na última segunda-feira, dia 11 de Outubro, no Opinião. 
    Seguindo pontualmente o cronograma da noite, às 22h30 sobe ao palco a TSF, Tijolo Seis Furos, fazendo jus ao nome: a tijolada do quinteto de Santa Maria, que durou menos de meia hora, mostrou uma banda forte, concisa e sem frescura. Com uma porrada atrás da outra, a banda ganhou o público já na primeira canção do set. A partir dali, a receptividade só aumentou. Terminado o show, o respeito e a admiração pela banda capitaneada pelo insano vocalista Homero Pivotto Jr. eram nítidos. Destaque para as excelentes “Tell Me What’s Your Problem” e “Eu Não Sou Músico”. Para os fãs do estilo, TSF é banda obrigatória. 
    Após breve intervalo para troca de todo o backline, às 23h38 ergueu-se o telão do Opinião para a atração de fundo: Ratos de Porão. Sem muita conversa, apenas com um berro “Porto Alegreeeeeeeeeeee” a banda inicia a carniceira com duas porradas violentas: “Igreja Universal” e “Herança” promovem a catarse na pista e demonstram o excelente momento da banda, afinada e consistente no palco. A terceira canção do set levantou ainda mais o público: o hit “Beber Até Morrer” foi cantado a plenos pulmões pela imensa roda punk em frente ao palco. 
    Violento e preciso, o Ratos de Porão continua seu excelente show com clássicos do Punk nacional como “Sofrer”, “Morrer”, “Morte ao Rei”, “Crucificados Pelo Sistema”, “Agressão/Repressão”, “Aids, Pop, Repressão” e tantas outras que foram, cada uma a seu tempo, responsáveis por escrever o nome da banda na história da música brasileira. O encerramento apoteótico, aos 55 minutos de show, ficou por conta de “FMI”, canção do álbum “Crucificados Pelo Sistema”, que ainda faz sentido nos dias atuais. 
    Um show do Ratos de Porão, via de regra, tem duração aproximada de uma hora. Isso, por definição, seria motivo de sobra para deixar os fãs indignados. No entanto, o que o Ratos apresenta no palco é tão forte, intenso e competente que estes 60 minutos valem cada centavo do ingresso. Não faltam clássicos. Nem dedicação. A banda parece crescer a cada nova apresentação em terras gaúchas. O Ratos de Porão, além de cada dia mais sujo e agressivo, está também mais competente e merecedor do que conquistou ao longo de sua história. 
    Que venha o próximo.

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