Eric Martin e Jeff Scott Soto’s Queen Tribute: Encontro de gigantes no Opinião.

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Noite de domingo e antes mesmo da reabertura oficial (que acontece na quinta-feira, dia 13), o Opinião abriu as portas para receber dois grandes shows: Eric Martin, vocalista do Mr. Big, e Jeff Scott Soto, famoso por seu trabalho ao lado de Yingwe Malmsteen e à frente do Talisman, além de se responsável por parte dos vocais da banda fictícia Steel Dragon (do filme Rockstar), mostraram, em pouco mais de duas horas e meia, por que ocupam lugares de destaque no rol de grandes vozes do Hard Rock mundial.

Como é de praxe nos eventos da Abstratti, o início dos trabalhos foi pontual: às 19h Eric Martin e sua banda de apoio formada exclusivamente por brasileiros subiram ao palco apostando em um hit: “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”, apenas a primeira das muitas canções do Mr. Big figurando no setlist da noite. Na sequencia, “Wonderland”, única canção do set não oriunda do repertório do Mr. Big, manteve o pique antes dos muitos clássicos da banda americana. Apesar do repertório forte, a apresentação de Eric Martin foi bastante inconstante. Além dos altos e baixos na reação do público, houve erros que comprometeram, gerando olhares desconfiados do vocalista. Além disso, a natural comparação com o Mr. Big é uma crueldade não com os que ali estavam, mas com qualquer músico que venha a acompanhar Eric em sua carreira solo.

Os pontos altos, como não poderiam deixar de ser, foram os grandes hits do Mr. Big, especialmente os de maior sucesso comercial “Shine” e “To Be With You”, que fizeram a alegria do público, além do encerramento com a dobradinha "Addicted to that Rush" e "Dancing With My Devils". No final, mesmo com percalços, Eric Martin sai de cena com crédito na casa, deixando para a posteridade lembranças de uma boa apresentação.

Após uma rápida troca de palco (foram menos de 30 minutos), Jeff Scott Soto e seu tributo ao Queen entram em cena: acompanhado de Edu Cominato (bateria) e Henrique Baboom (baixo), BJ (guitarra e teclados) e Marcio Sanches (guitarra), Soto chega quebrando tudo com uma poderosa trinca: “Let Me Enterntain You”, “Tie Your Mother Down” e “Another One Bites the Dust” ganham o público logo de cara. Desnecessário dizer que a performance vocal de Jeff não pode ser classificada como nada menos do que excelente. Se alguém tinha alguma dúvida a respeito de sua competência interpretar as canções outrora interpretadas por Freddie Mercury, essa dúvida se dissipou logo nos primeiros minutos de show.

A partir dali, o que se viu foi um desfile de clássicos do Queen sob uma nova roupagem, com mais peso e energia. Mesmo canções mais calmas como “Crazy Little Thing Called Love” e a balada “Love of My Life” ganharam densidade devido à coesão da banda e ao entrosamento da seção rítmica formada por Henrique e Edu. Porém, nem só de boa música se fez o show tributo ao Queen: além da excelência técnica, o carisma de Jeff Scott Soto serviu para abrilhantar a noite. Sorridente e visivelmente satisfeito, o vocalista interagiu com o público e “virou” várias caipiroskas, ali mesmo, em cima do palco, por vezes acompanhado pela banda.

No entanto, o melhor ficou para o final: os maiores clássicos do Queen chegaram apenas aos 45 do segundo tempo, com uma versão totalmente diferente da original para “We Will Rock You”, a belíssima “We Are the Champions” (que naquele contexto não teve nada de clichê e, sim, emocionou o público) e “Bohemian Rhapsody”, com a ótima participação de Victor Wichmann, que não se intimidou e fez bonito ao lado de Soto, uma de suas maiores influências. Ainda houve tempo para “The Show Must Go On”, que encerrou com chave de ouro a passagem de Jeff Scott Soto pela capital gaúcha.

A noite de domingo no Opinião não contou com um grande público, mas isso em nada desabona o que se apresentou no palco. As canções emblemáticas ali executadas, sejam elas do Mr. Big ou do Queen, garantem por si só a grandeza dos shows. Se acrescentarmos aí dois vocalistas competentes e carismáticos, temos a garantia de uma noite que vai ficar para sempre na memória dos hard-rockers gaúchos.

Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Marcelo Schmidt

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