Graforréia Xilarmônica: Sempre clássico, sempre divertido.

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 O projeto Segunda Maluca, que há mais de 15 anos produz shows legais nas noites do dia mais odiado da semana, fez sua estreia no ano de 2014 com uma atração muito bem quista pelo público do que chamamos Rock Gaúcho, a Graforréia Xilarmônica. Mais uma vez, Frank Jorge, Carlo Pianta e os irmãos Marcelo e Alexandre Birck brindaram seu público uma noite crocante e divertida no palco do Opinião.  A abertura ficou a cargo da Nunca Mais, Brigitte, que fez um show curto e eficiente, baseado em composições próprias que agradaram o público que ainda chegava para conferir a atração principal. 

    Pouco depois das 23h a banda sobe ao palco. Sem delongas, aparatos ou cerimônia, já surpreendem com a escolha de “Minha Picardia” para o pontapé inicial. O público, insuficiente para lotar a pista da casa, porém ávido por mais uma apresentação do quarteto, entrou no clima, seja cantando a plenos pulmões ou dançando com a sonoridade peculiar que só a Graforréia pode oferecer. Em seguida, mais clássicos mantiveram o pique da apresentação: “Literatura Brasileira” e “Bagaceiro Chinelão”, dobradinha que abre o álbum “Coisa de Louco II”, deixaram claro o entrosamento dos quatro senhores, da mesma forma que “Nunca Diga” e “Patê”. 
    Visivelmente felizes, a Graforréia, já com bem mais do que 40 anos na cara, consegue no palco demonstrar um fervor juvenil ao executar canções com mais de 20 anos de existência e, ainda assim, se reinventar: “Amigo Punk” ganhou a voz de Marcelo Birck, enquanto “Fúlvio Silas” a de Carlo Pianta (que já assumia os vocais em “Colégio Interno”). Além disso, a banda distribuiu brindes no palco: CDs e Vinis clássicos e obscuros, além de velhas revistas viraram lembranças daquela noite com a Graforréia. 
    A avalanche de hits não cessou: “Grito de Tarzan”, “Colégio Interno”, “Benga Minueto”, “Empregada” e “Rancho”, entre outros, fecharam a noite de alegrias e crocâncias múltiplas em companhia de Frank Jorge e seus comparsas. No bis, ainda houve tempo para “A Técnica do Baixo Elétrico”, que não aparece em nenhum álbum oficial da banda, mas já é bastante conhecida entre os fãs. 
    Sem se valer de elementos que compõem um grande show ou mesmo sem a preocupação com a excelência técnica, a Graforréia sobe ao palco já com o jogo ganho, visto que o carinho com que suas canções são recebidas pelo público antes mesmo da execução conseguem transcender a expectativa. A alegria de ver a Graforréia ao vivo configura, por si só, o verdadeiro show. O repertório consegue o antagonismo de ser, ao mesmo tempo, surpreendente e previsível, pois os clássicos estarão lá, mas alguns não darão o ar da graça em detrimento de alguma canção menos conhecida, que o público talvez já nem lembrasse. O show da Graforreia mexe com a emoção e consegue arrancar o sorriso sincero mesmo na mais cinzenta das segundas-feiras. 
Vida longa à Graforréia Xilarmônica.
Que venha, sempre, o próximo. 

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Doni Maciel

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