Entrevista: Crucified Barbara

Na semana passada tivemos a oportunidade de entrevistar o Crucified Barbara, banda sueca que se apresenta pela segunda vez em Porto Alegre no próximo dia 17 de abril, no Teatro CIEE. Confira as respostas da vocalista e guitarrista Mia Coldheart aos leitores do Poa Show:

Poa Show – Em 2012 vocês estiveram em Porto Alegre e fizeram um show bastante comentado, pouco depois do lançamento de "The Midnight Chase". Como vocês percebem a importância daquela primeira turnê no Brasil e o que é diferente agora?

Mia Coldheart – Nossa primeira turnê brasileira foi incrível! Nós ouvimos falar muito a respeito através de outras bandas suecas quando estas voltavam pra casa. Sempre falavam que era incrível, que o apoio do público era enorme e nós só podíamos sonhar em receber o mesmo. Então o sonho se realizou! Nós tivemos ótimos shows, chegando ao ponto de em um deles eu não conseguir ouvir minha voz porque a platéia cantava nossas músicas tão auto que se sobrepunha. Lembro que tínhamos uma boa base de fãs desde o lançamento de nosso primeiro álbum em 2005, então foi muito legal, finalmente, vir para o Brasil e tocar. Acredito que temos alguns dos fãs mais dedicados no Brasil. Dessa vez estamos ainda mais animadas porque essa vai ser alguns dos nossos primeiros shows esse ano, depois de um longo período no estúdio, então é demais sair pra tocar e, ao mesmo tempo, visitar o lindo país de vocês. 
 

Poa Show – The Midnight Chase foi produzido por Chips Kiesby. Como foi trabalhar com ele e qual a importância dele no som deste álbum?

Mia Coldheart – Escolhemos trabalhar com Chips Kiesbye por muitas razões. A principal delas foi que ele é um grande produtor de Rock and Roll e trabalha com o som de verdade, com o sentimento de verdade, com instrumentos de verdade, sem muita coisa digital. Nossa música tem muita influência de Metal, mas nós não queremos um som de metal moderno e sim o nosso álbum soando próximo do nosso som ao vivo: sujo, vivo e honesto, sem samples ou triggers… e Chips é realmente o cara certo para o trabalho de trazer à tona o melhor do Crucified Barbara. Outra razão é que ele é uma excelente pessoa para se trabalhar. Um cara profissional e que trabalha duro e que não força suas idéias sobre a banda. Nós temos uma ótima cooperação. E ele é realmente uma pessoa boa e gentil, não demonstra stress, ele realmente tira o melhor de nós. E não esqueçamos nosso grande engenheiro de audio Kenryk Lipp, que é a mente mestra por trás do som da gravação e da mixagem. Nós realmente achamos nosso time dos sonhos. Chips e Henryk também estão gravando nosso novo álbum, que será lançado em outono de 2014 (N. do E.: primavera brasileira), e estamos convencidas que será nosso melhor álbum até agora, então esperamos que vocês gostem também. 
 

Poa Show – The Midnight Chase nos deu o excelente vídeo de "Rock Me Like the Devil". Como se deu o desenvolvimento do conceito e da produção do video?

Mia Coldheart – Fizemos muitos vídeos ao longo dos anos, mas acredito que este é, de longe, o melhor. Foi produzido pela grande produtora de vídeos 11frames e nós gravamos em um celeiro no interior de Gotenburgo. Foi uma experiência muito boa não apenas por conta da produção profissional, mas também porque estávamos na zona rural, então pude sair e dar oi para os cavalos nos intervalos. Queríamos um vídeo que fosse visualmente muito bom e que transmitisse, ao mesmo tempo, o calor da letra e também a força e a energia que temos ao vivo, então acho que todos nós fizemos um ótimo trabalho. Definitivamente, faremos outras produções com a 11frames. 
 

Poa Show – A banda é conhecida por ser uma banda muito forte no palco. Como você percebe essa relação entre o Crucified Barbara do palco e do estúdio?

Mia Coldheart – Nós sempre trabalhamos duro, não importa o que façamos. Nós damos 100% e não vemos diferença entre a banda no palco e no estúdio. São apenas dois estados de espírito diferentes. Durante todos estes anos estivemos juntas e desenvolvemos nossa maneira de trabalhad e tocar juntas e, ainda, durante longos periodos viver juntas. Para este álbum nós dedicamos basicamente cada dia da semana por seis meses numa sala de ensaio, escrevendo e arranjando músicas, nós quatro. Isso exige muito. Você tem que sacrificar uma vida "normal", família, amigos, dinheiro, tudo para seguir o sonho de fazer algo juntas e algo em que todas nós acreditamos. As vezes é dificil estar ao mesmo tempo em turnê e no estúdio, mas essa é a vida que escolhemos e que amamos – e que não podemos viver sem! Acho que isso faz o nosso próximo álbum tão raro hoje em dia. Acho que é difícil, hoje em dia, encontrar bandas que trabalham de maneira tão próxima e tão dedicada por um tempo tão longo e quando ouço nosso próximo álbum eu sinto que isso realmente tem dado o resultado que esperávamos. Fizemos nosso melhor álbum entre todos. A performance no palco é apenas o passo seguinte à produção do álbum, e o passo que estamos sempre desejando e que nos mantêm indo pro estúdio. Os shows são a recompensa após o trabalho duro, que dá vida a nossas músicas, ali, ao vivo com o público. 

Poa Show – Proporcionalmente, não há muitas mulheres tocando música pesada. Por outro lado, boas bandas formadas por mulheres tem surgido. Como você observa esse fenômeno?

Mia Coldheart – Quando comecei a tocar, lá por 1993, não havia muitas garotas da minha idade tocando, mas hoje em dia tem muitas garotas e mulheres escolhendo tocar instrumentos e formar bandas, o que é ótimo. Eu quero que todo mundo que quer começar a tocar um instrumento e formar uma banda esteja apto a isso, seja garoto ou garota. Não há diferença. Eu tenho tocado com ambos, homens e mulheres, durante toda minha carreira e não há diferença entre os gêneros. É tudo sobre personalidades. Fiquei positivamente surpresa com a procentagem de mulheres no público, me fez sentir quase como se cada garota que nos ouvia fosse uma musicista de certa maneira ou ao menos quisesse começar a tocar. Pelo que vi da última vez, o Brasil está bem adiantado quanto a isso, mais do que qualquer país que eu tenha visitado, incluindo a Suécia. Talvez eu esteja errada, mas tenho uma intuição quanto a isso,  que vocês não dão muita importância para isso. Espero estar certa. A paixão pela música não diferencia se é homem ou mulher, é apenas a paixão pela música. Ou… vejo outra grande diferença: muitos homens dizem que começaram a tocar para ganhar mulheres, enquanto mulheres dizem que começaram a tocar porque elas amam um instrumento ou querem estar em uma banda. Eu prefiro a segunda razão! (risos) 

Poa Show – Você ouve com frequencia alguma banda brasileira? O que você conhece da nossa cena?

Mia Coldheart – Temos tocado com algumas grandes bandas e sei que vocês tem uma cena excelente. Não sou boa com nomes, mas tocaremos nessa tour com Kiara Rocks e Hibria, que são grandes bandas. Na última turnê recebi um CD da Vocifera, Death/Thrash Metal, eles são foda! Seria legal dividir o palco com eles, um dia. Um dia quero ter uma banda de Death Metal! (risos) Fizemos também grandes shows com o Sepultura, foi uma honra e eles são ótimas pessoas também.  


Poa Show – Como é a relação da banda com a internet para promoção e como ferramenta para levar o som do Crucified Barbara a outros países?

Mia Coldheart – É realmente muito útil e uma ótima forma de nos conectarmos com nossos fãs e de espalhar nossa música. O lado ruim é que a internet tornou muito fácil fazer downloads de graça, enquanto ainda gastamos com as gravações e lançando os álbuns. Então isso deixa um buraco enorme que acaba tendo que ser preenchido com boas idéias de como manter o navio flutuando. As vezes passo mais tempo nas redes sociais do que tocando guitarra, então sumo por uns dias. Mas, de forma geral, acredito que a internet é ótima para manter contato com fãs de todo o mundo e é incrível ver como eles mantêm contato tão bem através da internet. É demais!


Poa Show – A Suécia tem uma cena muito forte, especialmente em matéria de Rock. Quem faz sucesso hoje e que bandas você recomenda?

Mia Coldheart – É difícil, para mim, responder essa pergunta porque eu não tenho uma boa visão da cena hoje. Muitas das bandas que surgem e se tornam grandes na Suécia não são do meu gosto, são muito comerciais e modernas. Mas algumas bandas que merecem uma olhada são Browsing Collection, Dead Lord, Black Trip, Beast, Junkstars, Besserbitch, Frantic Amber e Supercharger (estes, da Dinamarca, nossos vizinhos). 

Poa Show – Deixe uma mensagem para os fãs gaúchos:

Mia Coldheart – Obrigado por terem sido tão incríveis da última vez, espero vê-los no show e obrigado por apoio! Vocês tem uma incrivelmente bela cidade, que eu espero que nós consigamos ver muito mais dela! Melhor comida vegetariana, e as pessoas tão agradáveis ??em todos os lugares, vocês arrebentam! Vamos dar tudo para vocês no palco! Cheers!!!

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