Crucified Barbara: Apresentação sucinta e competente no Teatro CIEE.

Passados dois anos desde sua primeira visita, Porto Alegre voltou a receber, no último dia 17 de abril, as suecas do Crucified Barbara. A banda, que fez uma apresentação bastante comendada em 2012, desta vez foi mais sucinta em seu show: as pouco mais de 150 pessoas que compareceram ao Teatro CIEE puderam prestigiar um bom show, porém com apenas 1h20 de duração.

A abertura dos trabalhos ficou por conta das bandas Galgos (RS) e Kiara Rocks (SP). Os gaúchos fizeram um show também curto, com 25 minutos excelentemente utilizados: sem firulas, sem frescuras, pau na máquina. O Rock and Roll cru e flamejante dos Galgos agradou o pouco público que ainda chegava ao CIEE. Com composições interessantes e convincentes, o power trio arrebentou dentro do espaço que lhe fora disponibilizado. Mais uma boa banda local que merece atenção. Na sequencia, o Kiara Rocks, banda sem estilo definido que ganhou exposição depois de participações em um programa de talentos e, posteriormente, por sua participação controversa no Palco Mundo do Rock in Rio, em 2013. Sempre dividindo opiniões, o Kiara Rocks causou no show de Porto Alegre a mesma estranheza do show do Rock in Rio: uma ótima banda tocando composições de estilos dispersos submersas em um repertório cover igualmente disperso. Considerando trechos e versões, a banda se valeu de SEIS composições consagradas dos seguintes artistas: System of a Down, Steel Dragon, Rolling Stones, Guns n' Roses, Duran Duran e Motorhead. Formada por instrumentistas competentes e um vocalista acima da média, a proposta do Kiara Rocks não se mostra clara, nem tampouco definida. Resultado: parte do público adorou e outra se sentiu bastante incomodada com o que viu e ouviu. 

Pontualmente às 22h, respeitando o cronograma da noite, Mia Coldheart (vocal e guitarra), lara Force (guitarra), Ida Evileye (baixo) e Nicki Wicked (bateria), sobem ao palco para "The Crucifier", faixa que abre o mais recente álbum da banda ("The Midnight Chase", de 2012). Logo na primeira música do set, pode-se perceber que não se trata de uma banda que se vale do rótulo de "banda feminina", e sim quatro musicistas competentes que funcionam muito bem juntas. Na sequencia, "Play Me Hard" e "Shut Your Mouth" mantiveram o pique e a alta energia da apresentação, que em nada parecia acontecer para um público que não foi suficiente para ocupar metade dos assentos do Teatro CIEE. 

Com um repertório predominantemente oriundo de "The Midnight Chase", O show foi conciso e regular, não deixando espaço para que o público esfriasse (Nem mesmo a belíssima balada "Jeniffer" conseguiu baixar o rítmo). Houve, ainda, espaço para surpresas: "To Kill a Man" e "Sell My Kids for Rock and Roll", que farão parte do vindouro álbum "In The Red", com lançamento previsto para o mês de agosto.

Mesmo com o pouco público, as suecas se mostratam muito felizes em estar novamente na estrada após um longo período no estúdio. Sorridentes e simpáticas, não deixaram de rasgar elogios ao público e à cidade de Porto Alegre. O clima foi de uma mistura de ensaio aberto (pelo número reduzido de pessoas que compareceram, somado à simplicidade da estrutura) com o show de suas vidas, por conta da energia e seriedade com que encararam a missão de satisfazer seus fãs. Missão cumprida com louvor, é importante salientar. 

Apesar de ter sido um excelente show de Rock, não há como não traçar um paralelo entre a segunda passagem do Crucified Barbara pela capital gaúcha com a de outra banda feminina de renome: The Donnas. As americanas tocaram pela primeira vez no Opinião, em 2007, para um público razoâvel. No ano seguinte retornaram para um apresentação no Manara, esta com bem menos audiência. E nunca mais voltaram. Já a banda de Mia Coldheart também tocou para um público razoável e dois anos depois retornou para encontrar uma platéia muito menor. Resta torcer não apenas para que a banda se proponha a voltar, mas que esse retorno seja viável a ponto de justificar a produção de uma nova apresentação na cidade. 

Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt
Fotos: Barbara Sudbrack

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