Matanza: muito longe do seu melhor.

   

     Noite de domingo em Porto Alegre e o Opinião abre suas portas para o que já se tornou uma tradição semestral: a banda carioca Matanza vem a Porto Alegre para o delírio de seus fãs, munido da mistura explosiva de country e hardcore. Velhos conhecidos dos gaúchos, que sempre comparecem em peso às suas apresentações, o quarteto fez no último dia 01 de junho uma apresentação irregular, bem abaixo daquilo que costuma entregar a seu público. A abertura ficou a cargo da Peixes Voadores, que cumpriu bem seu papel de esquentar os motores para a atração de fundo apostando em consistentes composições próprias e na segurança de clássicos de Ramones e Black Sabbath, que garantiram a empatia com o público. 

    Pouco depois das 22h sobem ao palco Jonas (bateria), China (baixo) e Maurício (guitarra) para o início dos trabalhos. De cara, dois petardos: a rapida e rasteira "Eu Não Bebo Mais" e a primira surpresa da noite: "Ela Roubou Meu Caminhão", um dos maiores clássicos da carreira da banda, geralmente deixada para o encerramento e muito reivindicada pelo público ao longo das apresentações, foi inserida logo no contexto inicial, o que funcionou muito bem, levantando ainda mais o público predominantemente adolescente que lotava a pista da casa. 
    Seguindo o hábito de não dar tempo para respirar, a banda emenda mais três canções do set: "Conforme Disseram as Vozes", "Rio de Whisky" e "Ela Não Me Perdoou", com direito a uma parada para uma observação do vocalista Jimmy London "Essa devia ter um piano, tipo Elton John". Na primeira pausa, já com mais de quinze minutos de show, Jimmy London agradece a receptividade dos fãs: "Existem lugares que são do caralho. Existem lugares que são muito do caralho. E aí, meu irmão… existe Porto Alegre". 
    A essa altura da apresentação já era possível perceber nitidamente uma série de erros e desencontros da banda no palco, algo que excedeu o que possa ser classificado como normal. Alguns erros de andamento e, especialmente, muitos solos de guitarra executados de maneira pífia tiraram o brilho habitual de um show do Matanza. 
    Como manda o figurino, clássicos foram empilhados sem frescura e sem pausas. "Interceptor V6", "Pé Na Porta, Soco na Cara", "Meio Psicopata", "A Arte do Insulto" e "Eu Não Gosto de Ninguém" foram apenas algumas das músicas que fizeram a alegria dos fãs e alimentaram as rodas na pista da casa. Novamente, a exemplo do que acontecera na última passagem da banda pelo Opinião, não houve espaço para os tradicionais covers de Johnny Cash. Um dos pontos altos da apresentação, como não poderia deixar de ser, foi anunciado de maneira bem humorada pelo vocalista Jimmy London: "Está frio lá fora. Todo mundo sabe que está frio pra caralho lá fora. Então eu quero saber… vocês trouxeram um casaquinho???? Casaquinho é o caralho, vai tomar no cu, porque Bom é Quando Faz Mal!!!!". Cantada a plenos pulmões pelo público presente, o clássico do álbum "Música para Beber e Brigar" fez a pista explodir antes de "Estamos Todos Bêbados", que encerrou a apresentação. 
    Mesmo salvaguardados por um histórico de bons shows na cidade, o Matanza deixou a desejar na última apresentação em terras gaúchas. O que se viu no palco foi algo muito longe de seu melhor. Aquela banda forte e bem ensaiada deixou saudades naqueles que tem o hábito de marcar presença em seus shows. No entanto, para o público mais jovem isso pareceu não importar tanto assim. 

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