Dead Fish em noite de revolução.


“Hoje é o dia da revolução”.  Foi com essa frase da música “A Urgência”, gritada a plenos pulmões, que começou um dos mais honestos shows de Rock que Porto Alegre viu ou verá em 2014! A frase soava também como uma convocação, prontamente atendida pelos fãs, que mostraram ao longo de todo o show, o quanto sentem falta de momentos como esse, em que o Rock ultrapassa os fones de ouvido e se traduz nas atitudes mais insanas, que talvez apenas as bandas de Punk e Hard Core conseguem trazer a tona. Se você estava lá, há de convir que após o show da Dead Fish, a sensação era de ter sido atropelado por uma locomotiva!
A banda de Hard Core do Espírito Santo estava comemorando os dez anos de lançamento do seu álbum de maior sucesso, Zero e Um, e o tocou na integra. Músicas como “Tão Iguais”, “Zero e Um”, “Queda Livre”, “Bem-vindo ao clube”, a curtíssima e maravilhosa “Senhor, seu troco” e talvez a mais famosa de todas, “Você”. Apesar de que citar uma canção como a mais “famosa”, se tratando da Dead Fish e seus fãs, seria algo praticamente impossível, já que todas são cantadas com a mesma devoção. 
Como não poderia faltar em um show da Dead Fish, rolou o clássico grito “Hey Dead Fish, vai tomar no cú” (O Rodrigo Lima, vocalista da banda, conta como isso começou no DVD de comemoração aos 20 anos da banda) e também o maior número de “mosh pit’s” por minuto da música brasileira! Também rolou um “ole ole ole, Dead Fish, Dead Fish”, que tirou um sorriso do front man e o fez dizer: “quem dera rolasse esse (grito/canto) no Brasil todo”. Outro momento curioso do show foi quando um fã, ao subir no palco, deu um abraço demorado em Rodrigo. Quando eles se soltaram e o rapaz se encaminhava para pular sobre a plateia, Rodrigo o abraçou novamente por mais alguns segundos. Aliás, faço uma ressalva ao bom humor e jogo de cintura da banda para lidar com os fãs, que a todo momento tinham acesso ao palco, e muitas vezes de forma inconveniente. 
Além das músicas do álbum Zero e Um, também foram apresentadas canções como “Autonomia”, “Asfalto”, “Mulheres Negras”, “Paz Verde”, “Sonho Medio” e a ótima “Afasia”. 
O show da Dead Fish foi curto, durou pouco mais de uma hora, mas foi de uma intensidade poucas vezes vista em uma banda com mais de 20 anos de carreira. Os fundadores remanescentes, Rodrigo e Alyand, estavam em casa no palco. Marcos Melloni é um grande baterista e Rick Mastria foi seguro na Guitarra. A Dead Fish, ao vivo, tem a energia de uma banda nova, um público fiel e que se renova a cada ano, nos passando a certeza de que ainda há muita estrada pela frente! Nós, que amamos o Rock, o Punk e o Hard Core, torcemos para que a previsão se confirme, e também para que surjam outras bandas com o mesmo DNA, onde a mensagem e a atitude falem mais alto do que um figurino estilizado e um som adequado para o mercado fonográfico.   

Por: Thiago Floriano Barbosa

Fotos: Doni Maciel

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