Entrevista: Max Cavalera

Max Cavalera, frontman do Cavalera Conspiracy e Soulfly, concedeu entrevista exclusiva ao Poa Show na última sexta-feira, dia 1o de agosto. No papo, lembranças do Sepultura, uma análise da cena metal e muitas informações sobre o vindouro álbum do Cavalera Conspiracy, "Pandemonium", com lançamento previsto para o mês de outubro. Confira:

POA Show – O Cavalera Conspiracy se apresentará em Porto Alegre no mês de setembro. Será a primeira vez que os irmãos Cavalera subirão ao palco na capital desde a lendária tour com os Ramones, em 1994. Como foi aquela turnê e quais as lembranças daquele show, especificamente?

Max Cavalera – Não sei quem organizou na época, mas a gente foi convidado para fazer essa turnê, que se chamou “Acid Chaos”, porque os Ramones estavam promovendo o “Acid Eaters” e nós o “Chaos A.D.˜. Achei esse nome animal, aliás. Colocaram também os Raimundos, que estavam começando a fazer sucesso no Brasil. Eram as bandas perfeitas para fazer essa turnê. Fizemos 5 shows no Brasil. Os caras dos Ramones foram super gente boa, não teve nada disso de ˜estrela de Rock˜… O CJ, inclusive, era fãzão de Sepultura… Tirei foto com os Ramones segurando meu filho, Zyon… e uma das memórias mais legais, pra mim, foi durante o show do Sepultura: a gente tava tocando e eu falei pro Iggor: “Dá uma olhada ali do lado” e estavam os quatro Ramones ao lado, no palco, olhando o nosso show. Parecia uma capa de album, ali, ao vivo. Isso foi muito animal. Um momento meio surrealista, não deu pra acreditar.  

POA Show – Como foi formado o Cavalera Conspiracy? Pouco tempo após o Iggor deixar o Sepultura, a banda foi anunciada. Voces ja vinham falando a respeito de um novo projeto?

Max Cavalera – A gente começou a conversar de novo. Fizemos as pazes e eu convidei ele pra vir passar um tempo comigo em Phoenix. Acabou rolando que foi na época em que eu estava fazendo um show em Phoenix e eu convidei ele pra tocar “Roots Bloody Roots” e “Refuse/Resist” comigo, no show do Soulfly. No fim a galera foi ao delirio e no camarim, ainda com a adrenalina alta, eu disse: “Ó, você viu como a galera pirou, a gente tem que continuar tocando junto. Vamos fazer uma banda nova, um nome novo, e vamos fazer direito, fazer pra gente curtir dessa maneira, não pra ser como era”. Na época do Sepultura rolava muito stress, então a gente quis deixar o stress de fora e fazer algo divertido, que a gente gosta. A gente até não faz muito show, o Soulfly faz muito mais que o Cavalera, tá sempre na turnê… O Cavalera é mais especial, não toca o tempo todo, mas quando a gente faz show é sempre algo especial. Tem uma história inteira que a gente começou no Brasil, lá em BH, e que é os irmãos tocando juntos, da maneira como o pessoal quer ver: os irmãos juntos, tocando metal.

POA Show – Hoje você se divide entre o Soulfly e o Cavalera Conspiracy. Existe um projeto mais importante e outro paralelo? Qual o espaço ocupado pelas duas na sua carreira e na sua vida?

Max Cavalera – A gente leva muito na boa o Cavalera. Como eu lhe falei, é diferente o jeito que o Cavalera trabalha. O Cavalera não faz tanto show, não é tão “explorado”, digamos assim, quanto o Soulfly. O Soulfly, quando faz um disco novo, a turnê é um ano inteiro (inclusive estou em turnê agora, estou em Washington, Spokane). O Soulfly não pára, estava na Europa há seis semanas, são turnês gigantescas. Com o Cavalera eu não queria fazer assim porque o Iggor não gosta de ficar muito tempo em turnê e ficar fora de casa por muito tempo, então a gente faz menos turnês e quando faz é especial. Não tira o tanto que a banda é especial, é um projeto muito especial pra mim. Eu adoro tocar com o meu irmão, adoro fazer música com ele, fazer discos com ele e o Pandemonium é, pra mim, o disco favorito. Não vejo a hora de sair.

POA Show – Ambos os albuns, ao mesmo tempo em que soam modernos, remetem a uma sonoridade bem ao gosto dos fãs mais antigos. Como foi a produção destes albuns, especialmente do vindouro ˜Pandemonium?

Max Cavalera – O disco está pronto. Vai sair em outubro. Eu fiz a produção porque eu sabia o que queria fazer com o grupo. O som do Cavalera já está na minha cabeça em termos de direção. Convidei um amigo meu, um grande engenheiro de som, John Gray (que trabalhou comigo no Prophecy e no Dark Ages e trabalhou também com Ministry, um cara fera) e a gente produziu juntos. Foi gravado em Phoenix. O som é no mesmo padrão, mesmo esquema do Inflikted e do Blunt Force Trauma, mas o álbum em si está mais animal, mais feroz. Está mais cru. Com a produção muito boa, mas as músicas estão mais foda. O que eu gosto mais é o terceiro, porque está mais rápido. Me parece que o Iggor está tocando como na época do Arise. A bateria me lembra a época do Arise e do Beneath the Remains, tem músicas que lembram essa era, então o Pandemonium é, também, especial por causa disso. E tem também o lance da capa, que foi feita pelo Stephan Doitschinoff, que é amigo do Iggor. Ele pinta murais, já pintou uma cidade inteira, faz umas coisas bem loucas… umas caveiras, lances religiosos… e pro Pandemonium ele fez um tanque de guerra transformado num crânio. Então é muito legal, o desenho da capa está muito bonito, muito colorido. Acho que a galera vai gostar pra caramba. E também estou feliz que o baixista que fez o disco foi o Nate, do Converge, que é uma das bandas Hardcore que eu mais gosto aqui dos Estados Unidos. E ele botou um baixo fera, bem porrada. O disco todo ficou porradão.

POA Show – Como você enxerga o mercado do Metal nessa década?

Max Cavalera – Tem coisa legal, cara! O legal do Metal hoje em dia é que está vindo de uns lugares diferentes, não está só na Europa e Estados Unidos. Tem banda da Tasmânia, o Sewercide, da Escócia, o Man Must Die, de Israel o Melechesh… está vindo de uns lugares loucos… Indonésia tem bandas boas. Umas coisas meio grindcore, barulhentas mesmo. Eu curto coisa barulhenta: Meio Death Metal, meio Grindcore, barulheira mesmo. Quanto mais eu fico velho, vou ouvindo coisa mais podreira.

POA Show – Aqui em Porto Alegre, a banda se apresentará no Opiniao, onde você se apresentou ano passado com o Soulfly. Quais as expectativas para esse noite e o que os fas podem esperar da banda?

Max Cavalera – Acho que vai ser super legal. A gente vai tocar tudo, material dos dois discos do Cavalera, ˜Inflikted˜, ˜Blunt Force Trauma˜, ˜Gengis Khan˜, ˜Rasputin˜, vamos tocar os clássicos do Sepultura, “Roots”, “Refuse/Resist”, “Inner Self“… Estou vendo com o Iggor pra tocar até “Necromancer”, do primeiro EP, talvez dê pra fazer essa. E também tocar umas músicas novas do “Pandemonium”, que é super legal. Minha música favorita, “Babylonian Pandemonium”, que é a primeira música do disco novo e essa é de detonar! Tem também ˜I, Barbarian”, que eu adoro e é muito porrada… Acho que vai rolar umas três músicas novas. Então vai ser um show do caralho, de detonar mesmo! Talvez role uns covers também, Black Flag, “Six Pack” e o Possessed, “The Exorcist”, talvez toque esses covers. Vai ser um show completão mesmo, pra detonar mesmo, pra quem tiver lá não esquecer. Quero convidar todo mundo pra ir lá, conferir e se divertir muito com a gente!

 

Por: Marcel Bittencourt

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