Entrevista: Capadocia

A banda paulista Capadocia está escalada como atração de abertura da turnê brasileira do Cavalera Conspiracy. Na ultima semana, o vocalista e guitarrista Baffo Neto concedeu entrevista exclusiva ao Poa Show, que vocë confere abaixo:

POA Show – O Capadocia vem desenvolvendo um trabalho excelente, chamando a atenção da mídia especializada. Conte um pouco da história do Capadocia para os nossos leitores.

Baffo Neto – Olá. Muito prazer e muito obrigado por este espaço, pelo interesse, pela atenção e pelo seu precioso tempo que está nos sendo concedido. Nossa história se confunde com a história de outra banda chamada Retturn, banda que eu montei com o Palmer (baterista do capadócia) alguns anos atrás. Com esta outra banda tocamos muito no Brasil, depois nos mudamos para a Europa, Ainda na Europa houve a saída do Palmer, mas continuamos e tocamos por alguns anos, conseguimos uma gravadora legal e tudo mais, mas esbarramos em problemas burocráticos, problemas com o Mercado também porque naquela época estava havendo a transição do CD para o MP3. O Capadocia é uma banda que vem tocando desde 2011 e estabilizou seu line up com o passar dos anos. Hoje a banda conta comigo, Baffo Neto na guitarra e vocal, Marcio Garcia (guitarra), Palmer de Maria (bateria) e Gustavo Tognetti (baixo), todos do ABC Paulista.

POA Show – A banda fará uma longa turnê com o Cavalera Conspiracy. Como surgiu essa turnê conjunta e quais as expectativas para esses shows?

Baffo Neto – Sim, esta será uma excelente oportunidade de mostrar nossa banda para a galera em várias cidades diferentes pelo Brasil. Foi meio que assim: Ainda no ano passado a Gloria Cavalera tinha manifestado ao nosso agente Alex Palaia da GW entertainment, que é representante do Soulfly e do Cavalera Conspiracy na America Latina, o interesse em trazer o Cavalera de volta ao Brasil e América do Sul em Setembro deste ano em uma turnê que fosse relativamente extensa. Como na América do Sul é um pouco complicado de realizar esta operação devido ao alto custo de logística, nosso agente recorreu a nossa manager Damaris Hoffman para examinar algumas opções e me chamaram para a conversa também. Eu notei que eu poderia ajudar a conseguir shows para a banda e que eu gostaria muito de tocar com eles em alguns dos shows caso isto fosse possível. Depois de muita conversa conseguimos colocar em pé uma das mais extensas Turnês de uma banda de Heavy Metal pela América latina já realizada até hoje, e aqui estamos nós, tocando em vários destes shows.

POA Show – Será a primeira vez da banda em Porto Alegre? 

Baffo Neto – Positivo. Será o primeiro de muitos outros shows nesta linda cidade onde eu tenho tantos bons amigos. Eu já participei de muitas produções em porto alegre como tourmanager e coisas do tipo e sempre tive u prazer muito grande ver shows no bar opinião por causa da historia que o local carrega.  Aqui em São Paulo temos uma visão muito distante do que acontece no Sul, mas eu tive a oportunidade de ver, participar e sentir o que acontece por aí e por isto para mim especificamente é tão importante. O Max também está bastante ansioso por este show porque ele não toca em POA desde a turnê do Sepultura com o Ramones e já fazem 20 anos !!!

POA Show – O primeiro álbum da banda sairá ainda esse ano. Como foi a produção deste trabalho? Quem produziu, onde foi gravado?

Baffo Neto – Eu mesmo gravei, produzi, mixei tudo. A master foi feita pelo Heros Trench, que manja muito do riscado.  Gravei tudo no meu próprio estúdio em Santo André, no ABC Paulista. Foram feitas muitas gravações e muitas mixagens até se chegar neste resultado que temos no disco.  Eu particularmente fiquei muito feliz com o resultado final.  Espero que mais pessoas gostem tanto quanto eu.

POA Show – Como vocês enxergam o mercado no qual o Capadocia esta inserido hoje? 

Baffo Neto – Esta é uma conversa complicada, pelo menos para se ter comigo. O mercado para bandas como a nossa praticamente não existe.  O que se tem é uma meia estrutura montada, vítima da uma realidade que muda mais rápido do que se consegue acompanhar e que se esforça muito para seguir ativa, e que por não ser nada frutífera, mesmo sem ser 100% culpada por isto, falha sistematicamente em propagar suas mensagens, seus produtos de forma eficiente e sustentável. O que temos de mercado válido praticamente falando está voltado para o Mainstream e uma banda como o Capadocia não participa do maisntream a não ser que exista uma demanda compatível com os números a serem computados corriqueiramente neste mercado, mas ao mesmo tempo, este mesmo mercado sofre com a falta de artistas com destaque e potencial para serem trabalhados, então da maneira que eu vejo, sem querer o artista é o bem mais precioso de um mercado que espera que um fenômeno independente irá resolver um problema corporativo. O mercado musical de um modo geral é viciado, anacrônico, incompetente, ineficiente e tem um alto custo-benefíco, exatamente igual ao nosso governo, exatamente igual ao Brasil e sto agravado pela falta de artistas contemporâneos compatíveis com a realidade de hoje não temos um numero considerável de novos artistas representando o Brasil no resto do mundo de maneira relevante como já tivemos no passado. Na real, um artista independente funcional hoje faz se dá muito melhor trabalhando de forma independete do que faria se fizesse parte da indústria corporativa. Traduzindo tudo isto …. por enquanto ta foda !!!

POA Show – Quais as expectativas para o show de Porto Alegre e o que o público pode esperar do Capadocia?

Baffo Neto – A expectativa é de casa cheia, muito suor na parede, muitos head bangers de varias gerações diferentes comparecendo no evento, um show foda, o coro comendo e o sorriso monstro na cara de todo mundo. É isso. Porto Alegre é uma cidade maravilhosa, um lugar que eu gosto mito e onde tenho muitos amigos.  O Capadocia se sente honrado com esta oportunidade de poder tocar em Porto alegre numa situação privilegiada e histórica como esta.  Agradeço ao Ricardinho da Abstratti Produtora pela oportunidade e a vocês do POA Show pelo espaço, apoio e interesse no Capadocia.  Sabemos que esta oportunidade está nos proporcionando um espaço que normalmente não teríamos como obter em situações corriqueiras.  Muito Obrigado a todos vocês.  Obrigado ao publico rock de Porto Alegre. Valeu!

 

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