CJ Ramone: material solo e clássicos ramonianos no palco do Opinião

    Noite de domingo em Porto Alegre e a cidade se prepara para, mais uma vez, receber CJ Ramone, responsável pelas quatro cordas na maior banda Punk de todos os tempos no período de 1989 a 1996, em substituição a Dee Dee Ramone. Em Porto Alegre pela primeira vez em carreira solo, CJ fez um show regular, baseado em material próprio e clássicos da banda que o fez famoso em todo o mundo.
A abertura ficou a cargo das bandas Lugh, de Santa Maria, e Malévola, de Porto Alegre. Os santamarienses, que fazem um som bastante influenciado pelo Celtic Punk de bandas com o Floggin Molly e Dropkick Murphys, deram o pontapé inicial pontualmente às 20h, com um trecho de ?”I’?m Shipping Up to Boston”, do próprio Dropkick. Em seguida, foram várias excelentes composições próprias que empolgaram muito mais que o próprio cover de abertura. As canções da Lugh, oriundas do ótimo álbum “Quando os Canecos Batem”, levantaram o público e a performance da banda, honesta, consistente e bem ensaiada, tornou aquela não apenas a melhor apresentação da noite, mas um dos melhores shows de abertura que este site pode retratar.
Logo após, por volta das 20h45, a banda Malévola, ressussitada especialmente para este evento onde prestou um tributo aos Ramones. Apesar de alguns desencontros (a banda cometeu erros, alguns deles bastante perceptíveis), a força do repertório escolhido agradou o público e a devoção à banda homenageada fez com que o público recebesse a Malévola de braços abertos. No entanto, com menos de 20 minutos de apresentação, um incidente marcou negativamente a noite: de forma desrespeitosa (para não dizer absurda), o telão do Opinião desceu com o show ainda em andamento, o que gerou confusão e desentendimento entre as produções local e nacional.
Pouco antes das 22h, CJ Ramone e sua banda subiram ao palco do Opinião já com um clássico: “Judy is a Punk”. Com um baixo bastante peculiar em punho (um Mosrite Silver Bass), a banda toca sem muito empenho. Na sequencia, “Understand Me” e “What We Gonna Do Now?” não empolgaram. A partir dali, o que se viu foi um show mediano, morno, sem brilhantismo. Quatro caras tocando Punk Rock e arrancando aplausos baseados apenas no sucesso pregresso de algumas das mais importantes canções da história do Punk Rock, como “Commando”, “Blitzkrieg Bop”, “Cretin Hop” e “I Wanna be Sedated”, entre outras. Se alguma coisa serviu para tornar o show minimamente interessante, foi por conta de Strenght to Endure, talvez a mais emblemática canção cantada por CJ em sua passagem pelos Ramones e pela homenagem a Joey, Johnny e Dee Dee com “Three Angels”. Sem muito brilhantismo, a apresentação foi marcada muito mais pela memória afetiva dos fãs do que por qualquer outra coisa.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Doni Maciel

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