Entrevista Bruce Kulick

Na ultima semana o guitarrista norte-americano Bruce Kulick (Grand Funk Railroad, ex-Kiss) conversou com o POA Show. Atencioso e solícito, Bruce falou sobre a expectativa para o show em Porto Alegre, além de relembrar alguns pontos altos de sua carreira. Confira a entrevista:

POA Show – Você vem a Porto Alegre no mês que vem. A primeira coisa que queremos saber é que se trata de um novo formato, um novo projeto, onde você vem sem uma banda de apoio. Fale-nos um pouco sobre isso.

Bruce Kulick – Interessante pergunta. É interessante porque eu sou um guitarrista em tempo integral com o Grand Funk Railroad e quase todos os finais de semana eu tenho trabalho com eles. Não tenho uma banda de apoio porque não posso me comprometer além do meu trabalho com o Grand Funk, que é uma banda incrível e tocar na América do Norte nos ocupa bastante, obviamente. Então quando tive essa rara oportunidade de algumas semanas sem show e alguém me convidou a fazer esses shows eu tentei levar essa oportunidade bastante a sério para relembrar meus anos no Kiss através da oportunidade de tocar com ótimas bandas tributo ao redor do mundo. De certa forma um sonho para eles e para mim e eu estou bastante grato por essa paixão pela banda. Ouvi boas coisas sobre a Parasite, que será minha banda de apoio no Brasil na parte inicial de quatro shows dessa tour e será muito divertido juntar-me a eles no palco. Obviamente espero tocar alguns sons que são mais da minha era, o que torna desafiador, afinal, toquei tantas músicas naquele período, e faz com que tenham que aprender algumas faixas que são muito divertidas pra mim de se tocar ao vivo, mas estamos trabalhando por e-mail com a Parasite para mim tocar ao vivo em cidades que nunca estive antes com ou sem o Kiss

POA Show – É o tipo de coisa que você faz mais por diversão, então?

Bruce Kulick –Não sei se eu diria por diversão, porque o fato de tocar guitarra e me apresentar para as pessoas muito a sério. Eu amo o que eu faço e eu amo a música, é divertido tocar com bandas mais jovens, eu adoro isso, mesmo! No ano passado fui para a Australia não tive como ter uma banda. Tive um guitarrista que mora na Australia e com quem trabalhei muitas vezes, mas o resto da banda era muito jovem, tinha entre 16 e 20 anos. E eu preciso dizer: eles trabalharam tão duro pra me fazer feliz e foi tão incrível vê-los agarrar essa oportunidade de tocar comigo e seguir as minhas orientações… Eu não tenho informações sobre a idade dos integrantes da Parasite, por exemplo, mas da mesma forma eu adoro compartilhar. Eu tenho uma ótima abordagem educacional com relação à música, mas sinto que não precisarei falar sobre como tocar as músicas corretamente ou fazer os vocais junto com as guitarras ou as levadas de bateria… Isso deve ser uma exceção. Vamos para os ensaios do dia que eu chegar até a noite seguinte no show trabalhar em cima do meu set à minha maneira. Será incrível, uma grande oportunidade de me juntar a alguns caras, compartilhando a música e fazendo as coisas acontecerem.

POA Show – Sobre o repertório: ouviremos especificamente canções do Kiss na noite do dia 03?

Bruce Kulick – Estou pensando em algo em torno de 1h30 de show. E também não sei o quão bem a Parasite, particularmente aqui, estaria pronta para aprender algo dos meus álbuns solo. Isso seria muito arriscado para mim. Sei que alguns gostariam de ouvir material dos meus três álbuns solo, mas não todos. Então já fico feliz em executar alguns hits pelos quais eu sou conhecido, como , “Crazy Nights”, “Hide Your Heart”, “Tears Are Falling”, algo que é bem mais a minha era. Isso sim eu acho que é bem especial e único.
POA Show – Desde que você deixou aquela clássica formação do Kiss (clássica, afinal, parte dos fãs considera aquela a melhor formação da banda e você o melhor guitarrista que esteve lá) você se juntou ao Grand Funk Railroad. Conte-nos um pouco sobre o período de transição entre o Kiss e o Grand Funk.

Bruce Kulick – Houve outras coisas importantes nesse meio tempo: toquei com John Corabi no Union, foi meu primeiro trabalho pós-Kiss. Chegamos a tocar na Argentina e em outros países da America do Sul. Tenho muito orgulho daquele trabalho,, que teve dois albuns e um DVD ao vivo, mas John acabou ficando muito ocupado trabalhando com Nick Mars e chegamos em um ponto em que não podiamos mais nos dedicar como gostaríamos. Foi quando eu recebi uma ligação de Don Brewer (baterista do Grand Funk) dizendo que estavam procurando, depois que Mark Farner saiu em carreira solo, por um guitarrista forte, já que haviam conseguido um excelente vocalista. E eu fiquei feliz por figurar em uma curta lista de guitarristas. Voei para Michigan e ensaiamos. Foi no final de 99, há 16 anos, esse será meu 17o ano ao lado do Grand Funk. Então tenho que dizer que sou muito abençoado por ter essa oportunidade porque depois da reunião Ace teve seus problemas e Thommy precisou estar sempre pronto para usar a fantasia e a maquiagem e ser o Ace. Ser o Space Man. Essa foi a unica razão pela qual eu não estou lá. Fez muito sentido para eles ficarem com o cara para ser o Space Man. Seria muito estranho pra mim… negar o que fiz por 12 anos e encarnar o Space Man. Thommy fez um grande trabalho desde então e eu estou muito satisfeito pela oportunidade com o Grand Funk Railroad.

POA Show – Eu nunca falaria com você sobre isso por pensar que poderia ser indelicado. Mas isso é uma informação nova para mim. Você foi convidado para reintegrar o Kiss depois da turnê de reunião?

Bruce Kulick – Não, não quero deixar essa impressão. Eu não fui convidado. Eu sei que eles estavam pensando no que fazer mas eu não queria sair por aí como um impostor. O que aconteceu foi que usaram Thommy em alguns eventos fechados e em um comercial para um programa de TV e talvez em algum outro show. E Thommy fez um trabalho excelente. Thommy tinha uma banda tributo de Kiss chamada Cold Gin e também trabalhou com a banda. Foi muito natural para ele. Não que Bruce não pudesse fazer, mas mas Thommy o fez facilmente. Mas não, eu nunca fui convidado. Não sei se você entendeu o cenário da coisa, mesmo que eu estivesse no Kiss, não me culparia por declinar isso. Seria uma decisão dificil pra mim, eu não estou dizendo que eu não consideraria isso, é claro que eu consideraria, mas eu gosto do fato de a era em que eu estive no Kiss seja definida pelo que foi feito por mim, Eric Carr e Gene e Paul, além de, é claro, Eric Singer.

POA Show – Há alguns meses houve uma pública troca de declarações entre Gene Simmons, do Kiss, e Dee Snider, do Twisted Sister, falando sobre o mercado de música. De um lado, Gene defende que o Rock está morto por conta de a indústria estar morta. Do outro, Snider defende que não, que o Rock está mais vivo do que nunca exatamente porque somente o que restou foi o amor por esse estilo. Qual a sua opinião sobre o mercado de música hoje e, mais especificamente, sobre o mercado do Rock hoje?

Bruce Kulick – Eu realmente concordo muito com os dois, por minhas próprias razões. Gene fez um apontamento realmente válido: Não é apenas o Rock, a indústria da música está terrivelmente quebrada. Principalmente se comparada com anos atrás. Não quero dizer que era certo o que acontecia anos atrás, mas a maneira como era apoiada e como eram feitos os negócios e como era encarada era muito diferente. Infelizmente, por conta da tecnologia (CDs, Internet, Smartphones, Streaming) os artistas não estão fazendo o dinheiro que deveriam. Na segunda passada aconteceu o Grammy e houve uma parte muito séria onde se falou disso. Nós todos apoiamos a música em streaming, mas, infelizmente, as empresas não pagam os artistas de maneira apropriada. Ninguém está fazendo dinheiro. Como você pode ser criativo, como pode ter uma casa, comprar equipamendo, gravar, se você não faz dinheiro para isso e as pessoas estão aí, habeis a ouvi-la? Muitos jovens acham que a música é de graça. Esse é o ponto negativo. O positivo é que as pessoas amam Rock and Roll. As pessoas amam guitarra. Eles amam Classic Rock. Eles amam guitarra elétrica e a música da minha época. Mas, infelizmente, a indústria está muito, muito quebrada.

 

POA Show – Se o mercado está morto, a música não está. Que novos nomes da guitarra você tem ouvido e enxerga estarem fazendo um bom trabalho para o instrumento?

Bruce Kulick – Parte desse “quebrado” que falo refere-se ao fato de as pessoas nao serem expostas a novas bandas como deveriam. É muito dificil para os novos artistas conseguirem exposição. De minha parte, eu nomearia dois artistas muito diferentes mas que eu acho supertalentosos: eu adoro o Muse. O guitarrista é maravilhoso e ele ainda é vocalista e compositor. Nada mal, não? Então o Muse é uma banda incrível. Eles são o que as pessoas chamam de moderno ou novo. Eu adoro. Outro é o guitarrista de blues Gary Clark Jr. Grande guitarrista, grande cantor, bom compositor. Não sei se o chamaria de Rock, mas Blues é de onde o Rock veio. Ele teve uma grande performance no Grammy. Ë dificil achar novas bandas que realmente me levantem, mas ao mesmo tempo é difícil concorrer com Led Zeppelin, Beatles e The Who. Nunca me canso deles. Eu ainda ouço Hendrix todo dia, Beatles todo dia, Cream todo dia, se quero algo mais pesdo ainda ouço muita coisa do Ozzy… Van Halen… é difícil para as bandas atravessar isso.

POA Show – Deixe um recado para os fãs gaúchos a respeito do show do dia 03.
Bruce Kulick – Fico feliz que tenha mencionado que isso é algo fora da minha rotina. Jornadas como essa são muito duras exatamente por serem algo fora da minha rotina, que é estar em turnê pela America com o Grand Funk Railroad. É longa jornada de Los Angeles para o Brasil. Honestamente, é excitante encontrar com meus fãs incríveis. Não tenho como expressar o que fazem por mim. As bandas que encontro, o entusiarmo, tudo justifica uma viagem tão longa e eu agradeço a eles pelo apoio e por manter contato e por estarem lá por mim. É um sentimento incrível.

Por: Marcel Bittencourt

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