Entrevista: Tarsila

A Tarsila lança no próximo sábado, dia 09 de abril, o álbum “Considerações Sobre o Estrago”. Na tarde desta quinta-feira, o guitarrista Marcelo Reichelt conversou com o POA Show sobre a atual fase da banda:

POA Show – A Tarsila é uma banda que é dona de um estilo muito proprio e, por isso, vem chamando a atenção em Porto Alegre. De onde veio a Tarsila, do ponto de vista musical e artístico?

Marcelo Reichelt – A Tarsila resultou do amadurecimento de um processo de composição que remonta ao final dos anos 90, e que passou por diversos outros projetos. Digo amadurecimento porque aprendemos a manter uma boa distância das nossas muitas e variadas influências, e isso vem da prática. Um belo dia você se vê compondo sem nenhuma pressão e se depara com seu estilo próprio. Acho que esse é o objetivo de todo o artista. Transitamos pelo rock e pelo pop sem pedir “pouso” em nenhum dos dois. Nossas músicas são curtas, diretas, e falam do que a gente vive, do que a gente pensa, nada mais.

POA Show – O que “Considerações sobre o estrago” representa na história da banda?

Marcelo Reichelt – Representa a nossa consolidação como banda, de tudo que concebemos, meio que sem querer, lá no final de 2010. É a confirmação do caminho que escolhemos.

POA Show – Conte-nos um pouco sobre o processo de concepção, composição e produção de CSOE.

Marcelo Reichelt – Diferentemente do primeiro disco, “Está Sobrando Espaço”, que foi composto quase todo em casa, no violão, esse novo álbum foi criado nas sessões de ensaio, com muita participação de todos. O processo ficou mais rico, vários sons surgiram dos arranjos de bateria e baixo. “Espelho Meu”, música de trabalho do “Considerações Sobre o Estrago”, é o maior exemplo disso. Crescemos muito como músicos, a sintonia aumentou.

POA Show – Como a banda enxerga o cenário independente hoje, no Brasil?

Marcelo Reichelt – O cenário está bastante renovado em relação à década passada. Dezenas de bandas e artistas solo de qualidade inquestionável, de todas as vertentes possíveis.  Lítera, Pedro Veríssimo, Frida, Cattarse, Isidoro Pilsen, Tape Disaster, Carmen Corrêa, Mindgarden, Space Guerrilla… Isso só pra citar alguns aqui do Rio Grande do Sul. Dá uma alegria imensa estar inserido nesse meio, nesse momento. A internet fez a música independente crescer, é um movimento sem volta. E a qualidade das gravações e produções também deu um salto. Hoje o artista independente tem condições de fazer uma ótima gravação e de distribuir sua música em todo o mundo através dos serviços de streaming. O talento e a dedicação ganharam relevância em detrimento da grana.

POA Show – No período de pré-lançamento, houve uma forte campanha com avatares temáticos e hoje CSOE pode ser encontrado nas principais plataformas na internet. Isso demonstra uma presença, ainda que fundamental, bastante dedicada. Ao mesmo tempo, uma banda conquista público fora do domínio digital. Quais os planos da banda para conquistas on-line e off-line?

Marcelo Reichelt – A ideia é mostrar nossas melodias e nossas letras em todas as oportunidades que tivermos. É o que temos para oferecer, e nos últimos tempos aprendemos que o contato com o público vai muito além dos shows. Uma banda tem que aprender a aproveitar as novas mídias que estão à disposição. Você pode conquistar um fã compartilhando um pedaço de uma letra numa postagem no Instagram ou no Twitter, por exemplo. Outra coisa importante é trocar experiências com artistas afins, com os quais haja uma identificação mútua, e saber aproveitar os espaços. Parques, serenatas, saraus, mesas de bar. Tá tudo à disposição!

POA Show – Por que o nome “Considerações Sobre O Estrago”?

Marcelo Reichelt – No final do processo de gravação do álbum, percebemos uma diferença essencial em relação ao primeiro disco: enquanto naquele falamos muito de fatos, de momentos, o “Considerações Sobre o Estrago” está mais focado em ideias, devaneios, sentimentos. Daí surgiu a concepção disco. São considerações sobre o estrago que fizemos no espaço que aprendemos a ocupar. Um estrago que nem sempre é negativo. É quase um clichê dizer isso, mas é do estrago que vem a renovação.

POA Show – E agora? Pra onde vai a Tarsila?

Marcelo Reichelt – O foco agora é divulgar o disco e aproveitar a nossa entrada no streaming pra divulgar também os trabalhos anteriores. Estamos preparando um clipe, agendando shows e outros compromissos em rádio, TV, etc. Vamos até participar de um Sarau, ainda em abril, o que vai ser muito bacana e diferente pra gente. Pra onde isso tudo vai nos levar ainda não sabemos, mas queremos estar lá de qualquer jeito.

POA Show – Deixe um recado para os fãs, convidando para o show.

Marcelo Reichelt – Gente, estamos preparando com muita dedicação um show diferente de tudo que já fizemos. Muitas surpresas pra quem estiver no Teatro de Arena com a gente nesse dia 09. Todo mundo lá então!!!!

Por: Marcel Bittencourt
Foto: Masiero Santos

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