O Terno: de fato, melhor do que parece

Noite de quinta-feira, temperatura amena e o palco do Opinião recebe, pela terceira vez, a banda paulistana O Terno, uma das mais criativas bandas independentes do Brasil. Dando uma cara moderna a elementos vintage, o trio formado por Tim Bernardes (vocal, guitarra e teclados), Guilherme D’Almeida (baixo) e Gabriel Basile (bateria), fez um show que encantou o público de pouco mais de 300 pessoas que compareceu para conferir ao vivo o novo show da banda.

Pouco depois das 22h15 a banda, uniformizada com macacões cor-de-laranja, sobe ao palco para detectar que não havia retorno. Sem perder a linha, Tim brinca com o público: “Aí galera, tudo bem? A gente vai esperar o retorno funcionar aí… vocês tem tempo?”, falou, arrancando risos, e sendo prontamente atendido com o pleno funcionamento do equipamento. Sem muita conversa, a banda emenda seis canções do novo álbum. “Não Espero Mais”, “Nó”, o single “Culpa”, além de “Depois que a Dor Passar”, “Deixa Fugir” e “Lua Cheia” provaram que a banda está afiadíssima, entrosada e bem ensaiada. Mais que isso, em plena integração com seu público, que tinha as letras na ponta da língua e fazia coro a Tim nos vocais.
Se nas canções novas a banda manteve uma certa fidelidade ao registro fonográfico, nas dos trabalhos anteriores se permitiu ousar um pouco mais. A impressão deixada pelo trio era de que não se tratava de uma banda executando suas canções mais antigas, mas de um grupo de artistas se expresando hoje através de canções registradas em outro momento, mas que continuaram a evoluir. Foi assim com “Ai, Ai, Como eu me Iludo”, “Eu Confesso” e “Cinza”, trinca oriunda do álbum “O Terno”, de 2014, que funcionou muito bem ao vivo.

A densidade das canções executadas pelos três, somada às mudanças de arranjo e aos trechos extendidos faziam com que o show mergulhasse em um clima de psicodelia. Já com mais de uma hora de apresentação, o setlist encaminha-se para o final com as duas canções que encerram o trabalho mais recente da banda: “A História Mais Velha do Mundo” e a faixa-título “Melhor do Que Parece”.

Porém, não havia como ser diferente: o público, fiel e ávido por um pouco mais daquela apresentação impecável entoou o cântico de “mais um” até que Tim, Guilherme e Gabriel voltassem ao palco para duas canções do álbum de estreia, “66”, de 2012. “Zé, Assassino Compulsivo”e a própria “66” (que contou com um final especial, com Tim cantando “2016” ao invés de “66” e emendando “Culpa”, naquilo que pode ter sido uma referência à constante evolução da banda. Quem vai saber?

Houve ainda tempo para um segundo bis, com “Eu não Preciso de Ninguém”, também do álbum “66”. Após quase 1h30 de apresentação, os fãs ainda puderam pegar autógrafos, apertar mãos e trocar algumas palavras com os artistas talentosos e atenciosos que formam O Terno, três caras que levam ao público um dos melhores shows da cena independente brasileira em 2016.

Que venha o próximo!

Por: Marcel Bittencourt

Foto: Paulo Finatto Jr.

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