Aerosmith: um show épico no Anfiteatro Beira-Rio

Com 15 álbuns lançados, em mais de 45 anos de carreira, por vezes definida como “a maior banda de Rock and Roll das américas”, os veteranos do Aerosmith vieram a Porto Alegre pela segunda vez na última terça-feira para se apresentar no Anfiteatro Beira-Rio.
A estrutura, ainda novidade para muitos, se constitui em um espaço reduzido do estádio, optando-se pela montagem do palco mais ao centro do campo – ou em qualquer outro ponto, dependendo da quantidade estimada de público.
O trânsito na cidade e pelos arredores da Avenida Padre Cacique corria tranquilamente, sem congestionamentos e o acesso ao local do espetáculo não aparentava qualquer tipo de comprometimento.
Ao acessar o estádio, o que se via na pista e no palco era uma espécie de “rave rock”, conduzida pela DJ Karine Larré, que ficou responsável pelo show de abertura. Com versões eletrônicas para clássicos do rock, esse aquecimento nada conservador surpreendeu pelo quanto funcionou: um público ansioso e animado dançava, cantava e interagia.
Nas redes sociais e no local do show, não se falava em outra coisa: Steven Tyler e Joe Perry, separados, saíram para jantar em Porto Alegre e o vocalista, sempre solícito, atendeu a uma série de fãs.
Às 22h a banda iniciava o show com “Back in the Saddle”, tornando ainda melhor aquela agradável noite de terça. Em segundos, o palco estava dominado por um Steven Tyler incansável, enérgico e carismático. Já na segunda música (“Love in an Elevator”), o frontman se atira no chão, canta deitado e deixa claro que pelas próximas duas horas, todo mundo ali vai se divertir.
O clima no palco era bem diferente daquele que vimos em 2010 (primeira passagem do Aerosmith pela cidade). À época, Tyler ameaçava deixar o grupo e os frequentes desentendimentos com o guitarrista Joe Perry transpareciam no palco. Parece que os anos colocaram no lugar algumas desavenças, ainda que Perry siga com cara de poucos amigos.
O setlist não trouxe muitas surpresas, apesar de pequenas alterações de uma cidade para a outra. Baladas clássicas como “Cryin'”, “Crazy”, “Livin’ On The Edge” e “I Don’t Wanna Miss a Thing”, responsáveis por conquistar muitos fãs nas últimas décadas, se fizeram presentes e deram espaço para o canto de uma plateia emocionada, com letras na ponta da língua (só faltou “What it Takes”).
Músicas dignas de “Best Of”, como as divertidas “Dude (Looks Like a Lady)”, “Rag Doll”, “Same Old Song and Dance” e “Walk This Way”, fizeram muitos dos presentes caírem na dança. Surpresas menos óbvias, como “Rats in the Cellar” e “Kings and Queens”, respectivamente dos álbuns “Rocks” e “Draw the Line” (para muitos, a fase de ouro do Aerosmith) serviram de presente aos verdadeiros fanáticos.
O show, que já trazia várias referências à campanha do Outubro Rosa (em peças de roupa na cor citada, em laços nas vestes dos integrantes e em imagens de fundo) agora teve uma referência mais explícita nos telões, antes, é claro, da banda executar “Pink”.
Alguns covers vêm sendo tocados nesta turnê. Em Porto Alegre, a banda apresentou sua versão da clássica “Come Together”, dos Beatles, “Train Kept A-Rollin'” de Tiny Bradshaw e “Stop Messin’ Around”, do Fleetwood Mac – esta cantada por Joe Perry enquanto o público assistia  a imagens do guitarrista visitando o monumento ao Laçador. Um momento diferente e inusitado, no qual Steven Tyler acompanhou a banda na harmônica, liberando o centro do palco para que Perry encarnasse um bluesman.
A pausa para o bis foi um pouco mais longa do que o planejado: os roadies trouxeram um piano branco à ponta da passarela, mas o sinal do instrumento não chegava ao público. Nada grave: em questão de dois minutos, Steven Tyler retornava ovacionado ao palco, pronto para introduzir “Dream On”, na qual o vocalista atingiu seu ponto alto, chegando às mesmas notas registradas há mais de quatro décadas.
O encerramento do show se anunciava com a introdução de baixo para “Sweet Emotion” – único momento no qual o baixista Tom Hamilton vem à frente da passarela. Com o clássico absoluto do álbum “Toys in the Attic”, o Aerosmith se despede de Porto Alegre abaixo de fumaça e chuva de prata, com uma performance incrível de todos os músicos.
Final épico, para um show épico, nesta que pode ter sido a última visita da banda à capital gaúcha.
SETLIST
Back in the Saddle
Love in an Elevator
Cryin’
Crazy
Kings and Queens
Livin’ on the Edge
Rats in the Cellar
Dude (Looks Like a Lady)
Same Old Song and Dance
Monkey on My Back
Pink
Rag Doll
Stop Messin’ Around (Fleetwood Mac cover)
I Don’t Want to Miss a Thing
Come Together (The Beatles cover)
Walk This Way
Train Kept A-Rollin'(Tiny Bradshaw cover)
ENCORE:
Dream On

Sweet EmotionPor: Murilo Bittencourt

Foto: Edu Deferrari

Related posts

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *