Titãs: estreando da nova formação em Porto Alegre

Noite de sexta-feira em Porto Alegre e a cidade recebe, novamente, uma apresentação dos Titãs. No entanto, dessa vez a passagem da banda pela capital gaúcha tinha outra cara: a banda que mais encolhe em todos os tempos na última semana apresenta, pela primeira vez, sua nova formação. Com apenas três dos oito Titãs originais (Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Belloto), a banda apresentava aos gaúchos o guitarrista Beto Lee e o baterista Márcio Ferga. O público, predominantemente adulto, compareceu em bom número, ainda que longe de lotar as dependências do Opinião.

 

Pontualmente às 21h o telão sobe para que, um a um, Ferga, Belotto, Brito, Beto e Branco tomassem posição. Portanto uma taça, Sérgio Brito dá o último gole antes que Ferga desse início a “Cabeça Dinossauro”, faixa que dá nome ao mais clássico álbum da carreira dos Titãs. Em seguida, a primeira canção do set a apresentar uma diferença brusca em relação ao que vinha sendo apresentado até a atual turnê: “Diversão”, com Sérgio Brito nos vocais, em substituição à Paulo Miklos. Embora tenha perdido força, o público respondeu bem ao clássico, assim como em “Aa Uu”, que veio na sequencia. Esta, perdeu os tradicionais coros, por motivos óbvios: há menos vozes no palco. Também foi interessante perceber as diferenças de timbre e de estilo entre Sérgio e Branco no baixo: enquanto o primeiro optou por um Fender Precision e por linhas um pouco mais trabalhadas, Branco segue a linha mais simples e firme, fazendo uso de um MusicMan.

Cheio do carisma que lhe é peculiar, Branco Mello anuncia a próxima do set: “A Melhor Banda de Todos Os Tempos da Ultima Semana”. A partir dali, o público do Opinião pôde se esbaldar com uma avalanche de clássicos (foram apenas duas canções do álbum Neheratu: “Fardado” e “Terra a Vista”. Além dessas, houve espaço para “O Pulso”, “Sonífera Ilha”, “Televisão”, “Marvin” e até para algumas surpresas, como “Pra Dizer Adeus” com Tony Belotto nos vocais e para uma dobradinha oriunda do álbum mais pesado da banda, “Titanomaquia”: “Será que é isso que eu Necessito?” e “Nem Sempre Se Pode Ser Deus”, executadas em sequência, não tiveram tanto impacto no público, mas arrancaram reações mais acaloradas dos que conhecem o trabalho da banda um pouco além dos grandes sucessos.

O grande destaque da nova formação é, sem dúvida alguma, Beto Lee. A escolha acertada trouxe aos Titãs, por parte daquele que talvez seja o melhor guitarrista que a banda já teve, uma técnica refinada além de muito bom gosto tanto na escolha dos timbres (a combinação Gibson + Orange acrescentou muito) quanto na execução dos arranjos simples, porém marcantes e certeiros, dos clássicos titânicos.

O show já caminhava para seu final quando a banda emenda uma trinca de ases, encerrando a etapa regulamentar: “Homem Primata”, “Polícia” e “Flores” fecham a primeira parte da apresentação, com o público cantando junto do começo ao fim. O que seria um final excelente, antecedeu o bis irregular, com “Desordem”, “Bichos Escrotos” e “Vossa Excelência”. As duas últimas, aquelas onde Paulo Miklos mais fez falta: seja com seus vocais que dão cara, voz e personalidade a “Bichos Escrotos” ou pela interpretação única que sempre deu a “Vossa Excelência” (onde Sergio Brito contou com uma constrangedora estante de partitura para ler a letra), a execução desse par de temas ao vivo passou de fundamental a desnecessária. Após sucessivos pedidos do público, a banda retorna novamente para a batidíssima versão de “É Preciso Saber Viver”, encerrando a noite.

A atual turnê dos Titãs é algo para se refletir. Existe algum sentido nessa continuidade? Se levarmos em consideração que cinco dos oito Titãs não estão mais ali, a resposta é um não retumbante. Se olharmos pela ótica de que os Titãs são, sim, titãs da música brasileira, pessoas de relevância artística e histórica incontestáveis e que marcaram sua obra nos corações e na memória afetiva de muita gente, lotanto apresentações Brasil afora, a resposta é um óbvio sim. O ponto é: os Titãs, além de música, são adaptação. Cada perda representou uma renovação e não é diferente agora. Branco, Tony e Sérgio, com seus comparsas mais jovens que dão gás a essa nova encarnação dos Titãs ainda apresentam um show honesto, dígno, competente e muito interessante de se ver.

Vida longa aos Titãs!
Que venha o próximo.

 

 

Cabeça Dinossauro
Diversão
Aa Uu
A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana
O Pulso
Aluga-se
Será que É Isso Que Eu Necessito?
Nem Sempre Se Pode Ser Deus
Sonífera Ilha

Fardado
Terra à Vista
Televisão
Lugar Nenhum
Pra Dizer Adeus
Epitáfio
Pro Dia Nascer Feliz
Go Back
Marvin

Homem Primata

Polícia
Flores

Desordem
Bichos Escrotos
Vossa Excelência

É Preciso Saber Viver

Por: Marcel Bittencourt
Fotos: Doni Maciel

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