James Taylor e Elton John trazem a Porto Alegre sua turnê conjunta

Noite de terça-feira em Porto Alegre e a temperatura amena é convidativa para um gande evento open-air. Ainda em um de seus primeiros eventos, o excelente Anfiteatro Beira-Rio – um espaço perfeito para shows desse porte e imensamente superior a famigerado Estacionamento da FIERGS – recebe uma dobradinha de peso: James Taylor e Elton John trazem a Porto Alegre sua turnê conjunta. O público predominantemente adulto de mais de 24 mil pessoas pôde apreciar uma verdadeira avalanche de hits em mais de três horas de espetáculo.

James Taylor

Por volta das 19h55 quando a trilha cessa para o início do primeiro show. Acompanhado de uma verdadeira big band (eram doze músicos de acompanhamento), James Vernon Taylor entra em cena para “Wandering”. Ovacionado, assume posição no banquinho ao centro do palco, porém, para surpresa dos fãs, sem o violão. O que parecia ser um momento especial – ver James sem seu característico instrumento – foi logo explicado pelo cantor. “Eu quebrei o meu dedo, e hoje não vou poder tocar a guitarra”, disse Taylor, entre algumas frases proferidas em um português bem decente. Na sequencia, o primeiro cover da noite, “Eveyday”, de Buddy Holly, também arrancou aplausos.

Arranjos elaborados e muitíssimos bem escritos, instrumentistas de primeira linha e um bom gosto latente no que tange aos detalhes foram, durante toda a apresentação, pano de fundo para a ainda bela, firme, afinada e característica voz de James Taylor, que emocionou o público durante mais de uma hora de show. Seja em seu início, mais calmo e sutil, com “Walking Man”, “Country Road”, “Today Today Today” e “Carolina in My Mind” ou na metade derradeira, mais animada e dançante, com “Mexico”, “Your Smiling Face” e “Shower the People”, James prova e comprova sua versatilidade e competência, que justifica sua permanência na estrada aos 69 anos. Os destaques ficaram por conta da bela “One More Dream in Rio”, canção nascida da experiência do músico no primeiro Rock in Rio, em 1985, e do contato que teve com expoentes da música brasileira como Cartano Veloso, Gal Costa e Milton Nascimento, e do clássico absoluto “You’ve Got A Friend”, cantada em coro pelo público e, disparadamente, a mais aplaudida em toda a apresentação. O encerramento com chave de ouro ficou por conta de outra versão, “How Sweet it Is (to be Loved)”, de Marvin Gaye.

Superando expectativas, James Taylor surpreendeu positivamente, deixando excelentes memórias nos porto-alegrenses que compareceram ao Anfiteatro Beira-Rio.

Elton John

O relógio marcava 21h51 quando as luzes se apagam para o início do espetáculo. O excelente guitarrista Davey Johnstone, que acompanha Elton há mais de dois mil shows, levanta o público com o riff de introdução de “The Bitch is Back”. Elton John, ovacionado, entra em com um casaco brilhante, tendo às costas a inscrição “Capitain Fantastic”. Logo na primeira música, Elton mostra-se afinado e dono de uma técnica invejável ao piano. Na sequencia, “Bennie and the Jets” e “I Guess That’s Why They Call It the Blues” esquentaram o público desde a pista até as cadeiras e arquibancadas ao fundo do Anfiteatro.

Cantando de maneira impecável, seja do ponto de vista técnico ou interpretativo, e armado com o carisma monstruoso que lhe é peculiar, Elton John descarregou em Porto Alegre um repertório bem pensado. A sucessão de hits que Sir Elton John traz nas mangas é indefectível. Nela, podemos ressaltar a belíssima dobradinha “Rocket Man” e “Tiny Dancer”, que emocionou com refrãos cantados a plenos pulmões pelo publico, as ótimas “Goodbye Yellow Brick Road” e “Skyline Pingeon” e a trinca matadora que encerrou a etapa regulamentar: “I’m Still Standing”, “Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘n Roll)” e “Saturday Night’s Alright for Fighting”. Com algumas pessoas já deixando o local para evitar o trânsito caótico que se faz presente em todos os grandes shows em Porto Alegre, Elton John e sua banda retornaram, ainda, para “Candle in the Wind” e “Crocodille Rock”, que encerraram mais uma passagem do cantor e pianista pela capital gaúcha.

Mesmo com mais de duas horas de show e com impressionantes 22 canções interpretadas de forma impecável, ainda faltaram hits emblemáticos como “You Gotta Love Someone”, “Nikita”, “Sacrifice” e “Circle of Life (Can You Feel The Love Tonight)”. Porém, há de se levar em consideração que estamos falando de um artista completo com mais de quatro décadas de carreira. A ausência de algumas de suas canções mais populares em nada desabona – e talvez até mesmo engrandeça – a apresentação perfeita de Elton John na noite de terça-feira em Porto Alegre. Resta torcer para que, em uma próxima ocasião, sejamos novamente brindados com este espetáculo musical de qualidade ímpar.

Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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