Entrevista: Ego Kill Talent

No último domingo, dia 23 de abril, o vocalista do Ego Kill Talent, Jonathan Correa, conversou com o POA Show sobre a banda, que vem se destacando entre os novos nomes do Rock no Brasil.

Confira, que o papo foi ótimo:

POA Show – Como foi formado o Ego Kill Talent?

Jonathan Corrêa – Conheço o Theo e o Rafael há mais ou menos uns 14 anos, quando eu estava gravando o disco do Reação em Cadeia no Rio de Janeiro, e eu fiquei amigo do Theo e do Rafa de cara. Em contrapartida o Jean estava nos Estados Unidos com o Diesel, e ele volta pro Brasil e entra no Sepultura. E o Rafael e o Theo tinham muito contato com a galera do Sepultura. Quando o Jean saiu do Sepultura, o Theo tava fazendo festival – ele tinha uma banda com o Rafael chamada Saiwoa – e eles já tinham parado de tocar e estavam se dedicando a fazer festival, fez o SWU e o Maquinaria. E aí chegou a um ponto em que eles pensaram “é muito desgastante e eu estou vivendo de uma parada pelo lado contrário, estar no backstage enquanto eu queria estar no palco”… essa foi o drive do cara. E coincidiu com a saída do Jean do Sepultura, quando eles se encontraram e resolveram fazer um som. Na sequencia veio o Rafa, que era outro batera, e ali já começou essa dinâmica de mudança de line-up durante o show e durante as gravações – por contar com dois bateras que são multi-instrumentistas – e com o passar do tempo a coisa foi ficando mais séria e o Theo me ligou: “Estamos com um projeto, uma coisa séria, som em inglês” e eu topei na hora. Então eu fui pra São Paulo, gravei umas demos e a gente formou a banda.

POA Show – Todos os instrumentistas tocam dois instrumentos na banda. Como surgiu essa ideia de fazer diferente e como foi a definição de quem tocaria o que? Vocês chegaram a executar as músicas com outras pessoas em outras funções?

Jonathan Corrêa – Realmente muda. Essa situação dos bateras é uma coisa muito peculiar. A entrega do Jean e do Rafa é muito intensa, até porque o instrumento natural, vamos chamar assim, dos caras é a bateria. Vou focar no lance da composição: a gente compõe e, daqui a pouco, está o Jean na batera ou o Rafa e a gente vai construindo a música. O que a gente pode perceber é que as cores da música são diferentes quando é um ou outro na bateria. É muita intensidade ali e tu podes ver a escola dos caras, é algo muito único com relação ao que a gente tá fazendo. Às vezes eu trago um riff, o Jean traz um riff, a gente se desapega daquilo (porque quando você cria uma parada você se apega, se afeiçoa por aquilo ali) e a gente desconstrói as coisas. Nem sempre quem criou o riff é o cara que vai tocar, mas não é nada imposto. É muito natural, é um processo muito natural da banda essa coisa da criação. Por exemplo: quando o Jean ta na batera, o Rafa tá no baixo ou o Theo tá no baixo. Ao mesmo tempo quando o Jean tá na guitarra, o Rafa tá na batera. Ainda não aconteceu do Jean ir pro baixo. É tanta coisa, que chega a ser confuso (risos), mas é legal, porque o público fica ali “o que é que está acontecendo?”, mas a entrega é a mesma, ninguém deixa a entrega cair.

POA Show – A banda optou por canções em ingles. Por quê?

Jonathan Corrêa – Primeiro porque soa melhor. Soa muito melhor. Tem tudo a ver, o Rock não foi feito pelo brasileiro. O português é uma língua muito bonita, tem seu charme, mas o inglês, musicalmente, ele cabe. Ele é sonoro. O que vem depois, seria uma consequência disso: o inglês te abre portas pro mundo inteiro. Diferente do português, em português você vai para um nicho onde as pessoas ouvem Rock em português. Mas principalmente é porque soa melhor. Galera fica dizendo “banda brasileira cantando em inglês, palha, não sei o quê”… Particularmente eu fico meio de cara com isso. Olha as bandas da Suécia: a língua principal deles não é o inglês. Claro, é um segundo idioma em alguns países, mas pensa comigo, o Brasil tem todo um potencial com muitas bandas fazendo um Rock em inglês e aí não pode fazer porque a galera fica de cara? É foda. Eu já ouvi pra caralho isso, essa crítica em relação a fazer o som em inglês e não em português.

POA Show – Desde o lançamento do 1o single era possível ouvir que havia algo diferente e de qualidade ali. Desde então vieram os EPs e agora o album. Como vem sendo a repercussão?

Jonathan Corrêa – É doido, porque todos nós viemos de histórias diferentes com acontecimentos de carreira diferentes. O Jean tocou com Sepultura, viajou o mundo inteiro, com o próprio Diesel, o cara tocou no Rock in Rio e foi pros Estados Unidos e assinou um contrato de um milhão de dólares com o Clive Davis, umas coisas surreais… e agora a gente volta vários passos pra trás pra começar do zero – não é um zero, mas é quase um zero – então é um recomeço. E quando a gente lançou esse disco a coisa começou a espalhar de um jeito que a gente ficou meio assustado, por estar acontecendo uma coisa rápida. Hoje a gente está sendo considerado o segundo case do Spotify por ter entrado em alguns playlists grandes ao redor do mundo. A gente bateu 608 mil ouvintes mensais no Spotify em dois meses de lançamento do disco. O crescimento é realmente muito rápido e a gente está tentando acompanhar esse crescimento pra criar uma base de fãs. Porque a coisa está indo mas a banda ainda não chegou nesse ponto de construção de base. Tanto que a gente veio pro sul agora pra fazer essa tour e foi legal pra caramba. É uma construção mesmo, é o laço que a gente precisa e é muito surpreendente.
POA Show – Parte do material que está no álbum já havia sido lançado antes. Foi intencional? Como foi a produção do álbum? Quem produziu, mixou e masterizou?

Jonathan Corrêa – Foi. A gente pensou em lançar os EPs justamente pra deixar a coisa fresh. Lançar os EPs foi uma forma de ter um pouco de atenção a mais – tanto de mídia quanto das pessoas. É complicado lançar um disco inteiro de cara porque muita gente não ouve um disco inteiro, então você acaba não aproveitando bem as músicas. Já com a questão do EP fica mais fácil de o cara sentar e tirar um tempinho. Foi uma sacada que funcionou. Depois a gente compilou no álbum, a gente não regravou nada. Quanto a produção, no primeiro EP, o Sublimated, a gente chamou o Steve Evetts, produtor americano, que é um cara que trabalhou com Misfits, The Cure, com o próprio Sepultura em dois discos, e é um cara que é um amigo da galera. A gente importou o cara e gravamos essas primeiras três músicas. Depois a gente reimportou o cara pra gravar a segunda etapa para completar o disco. Ele levou o material pra mixar lá fora e a gente masterizou lá também. Levou um tempinho pra fazer, foi um processo um pouco mais demorado, não foi tudo ao mesmo tempo – até porque a banda estava se formando, estava nesse processo de se entender, de entender essa dinâmica.
POA Show – A banda se apresenta em palcos de diferentes proporções. Como é viver essa realidade com uma banda, sendo que alguns integrantes vem de realidades de estruturas maiores?

Jonathan Corrêa – Vou te falar que é bom pra caralho, porque é renovador. Porque você sai daquela zona de conforto. Todo show, antes de a gente entrar no palco a gente fala “é agora!”. Sacou? “É o que a gente tem agora e nada mais!”. Independente das nossas projeções, do que a gente almeja, a gente tem que viver esse agora. E a gente deixar pra trás essa zona de conforto onde a gente tinha uma puta estrutura todo o tempo e começar de novo e fazer as coisas acontecerem te traz uma plenitude muito grande. Faz você dar valor de novo pra uma parada que em outro momento tinha entrado num automático. E a gente está tentando fazer diferente. Porque a gente já aprendeu tanto, já apanhou tanto na estrada, que a gente está tentando fazer de um jeito diferente, independente de ser tocando com o Korn ou tocando em um boteco. Essa é que é a parada, é aproveitar o que a gente está fazendo naquele momento.

POA Show – Vocês estão indo agora, em seguida, para o Download Festival em Paris. Existem planos para outros shows e para levar a banda para o mercado exterior?

Jonathan Corrêa – Sim. A gente tem um agente em Los Angeles que faz toda essa parte de booking internacional e a gente está pra receber uma agenda. vamos agora pro Download em Paris, tem algumas coisas pintando na Alemanha, e outras coisas não confirmadas mas muito bem encaminhadas. Depois a gente volta pro Brasil pra Rock in Rio e alguma coisa no Chile. A ideia é fazer o máximo que a gente puder.
POA Show – Hoje vocês abrem o Korn, talvez um dos pontos altos da carreira da banda. Como foi a o convite, a preparação e o que os fãs podem esperar?

Jonathan Corrêa – Então… a gente recebeu o convite da Hits pra fazer e foi muito bacana, o Korn, querendo ou não, é uma banda muito significativa pro Rock e é uma honra poder fazer parte disso, principalmente em uma primeira vez em Porto Alegre. É começar com o pé direito. A gente espera entregar a energia completa a todos que estiverem lá com a gente.

 

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