Korn e Ego Kill Talent: Memorável, intenso e insano

Korn e Ego Kill Talent: Memorável, intenso e insano
Há pelo menos 18 anos marcando presença na rota dos grandes shows internacionais, Porto Alegre já recebeu uma imensa gama de artistas dos mais diversos estilos. Dentre esses estilos, o Nu-Metal é, talvez, aquele que menos privilegiou seus fãs. No último domingo, um dos principais expoentes do estilo se apresentou pela primeira vez na capital gaúcha: o Korn botou o Pepsi On Stage abaixo, em um show pra ninguém botar defeito.

Os shows no Pepsi On Stage sempre apresentam ao público alguma novidade na atração de abertura. Dessa vez, a produtora local brindou o público com uma das melhores bandas da nova safra do Rock brasileiro: Ego Kill Talent, capitaneada pelo gaúcho Jonathan Correa (ex-Reação em Cadeia), apresentou um repertório autoral baseado em seu álbum de estreia – o excelente trabalho homônio lançado em janeiro. Com um backline interessante – a ausência de amplificadores da atração de fundo deu à banda um pouco mais de espaço e mobilidade – e uma formação idem (já que os instrumentistas se revezam nas funções), o Ego Kill Talent levantou parte do público já na primeira canção do set, a ótima “Just to Call You Mine”. Ao longo da apresentação, foram ganhando a audiência com o peso, a energia e a densidade da execução de suas composições. Destaque para “Still Here”, “Sublimated” e “Try (There Will Be Blood)”, que encerrou o show de pouco mais de 35 minutos. Apesar de figurar recentemente como um nome forte na cena brasileira, o Ego Kill Talent vem para marcar território e fazer jus à pecha de “uma das melhores bandas do novo Rock brasileiro”. Quem chegou cedo, ganhou a oportunidade de apreciar uma excelente apresentação do quinteto.

Com pouco mais de 20 minutos de atraso, já sem sinal de amplificadores no palco (atitude rara, mas peculiar, que a tecnologia proporciona – o Avenged Sevenfold já se apresentara dessa forma naquele mesmo local), o Korn sobe ao palco e promove uma verdadeira catarse com “Right Now”. Na sequencia, “Here to Stay” e “Rotting in Vain” mantêm o pique da apresentação. É cair no lugar comum apontar a entrega do vocalista Jonathan Davis ou o peso monstruoso das guitarras de James Shaffer “Munky” e Brian “Head” Welch, mas, nessa turnê, foi diferente. Além da subestimada – e brilhantemente precisa – performance do baterista Ray Luzier, o baixo foi destaque: com a ausência de Fieldy, o convidado especial Tye Trujillo (filho de Robert Trujillo, do Metallica), foi o responsável pelas quatro cordas (que, na troca de instrumentos também foram cinco e – curiosamente – três). Com apenas doze anos de idade, mas uma segurança e uma presença de gente grande, Tye se mostrou totalmente incorporado à banda, levando as frequencias baixas necessárias ao som do Korn ao vivo. Orgulhoso, Trujillo pai acompanhava tudo de perto, no lado esquerdo do palco.

Sem muito espaço pra conversa – o que pode render acusações válidas de um show burocrático ou protocolar – O que se viu a seguir foi sempre a combinação de peso, melodia e entrega (do público e da banda – na maioria das vezes um ao outro). Quem esperou muito tempo para estar frente a frente com o Korn pode apreciar petardos como “Somebody Someone”, “Y’All Want a Single”, “Make Me Bad”, “Blind” e “Good God”, que fechou a apresentação. Simples e direto, com poucas interações verbais com o público, foi com pouco mais de uma hora que a banda deixou o palco. Ainda faltavam clássicos e dois deles foram os escolhidos para a etapa derradeira: “Falling Away From Me” e “Freak On a Leash”, uma dobradinha matadora, fecharam os quase 75 minutos de apresentação do Korn em Porto Alegre.

Memorável, intenso e insano. Essa foi a leitura possível do show do Korn em Porto Alegre. Uma turnê especial, com o menino Trujillo mostrando que talento vem de berço e os veteranos do Nu-Metal deixando claro que ainda tem muita lenha pra queimar.

Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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