Ghost e Rob Zombie: Espetáculos audiovisuais no Pepsi On Stage

Porto Alegre, que já se firmou há mais de uma década na chamada “rota dos grandes shows internacionais”, agora também começa a marcar presença no mercado dos sideshows, aquelas apresentações solo de artistas que compõem o line up dos grandes festivais no centro do país. Se em setembro a capital gaúcha receberá visitas de diversos artistas escalados para o Rock in Rio, agora, em maio, foram as atrações do Maximus Festival que deram as caras por aqui. Na última quarta-feira, dia 10 de maio, os suecos do Ghost e o americano Rob Zombie trouxeram ótimos espetáculos audiovisuais ao palco do Pepsi On Stage.

Ghost

Por volta das 21h o sexteto sueco Ghost, capitaneado pelo Papa Emeritus III, sobe ao palco com a empolgante “Square Hammer”. Logo de cara, alguns aspectos chamam a atenção: som e luz impecáveis, com bastante luminosidade vinda da frente e tornando ainda mais fortes e marcantes as imagens dos integrantes. Além disso, a ausência da mitra (tradicional “chapéu de Papa”) na cabeça do líder da banda. Vestindo um traje solene, mas em nada semelhante a um traje pontífice, Emeritus levantou o público com uma performance empolgante, mas um pouco decepcionante do ponto de vista do figurino. E, por fim, a ausência da baixista Nameless Ghoul Water: enquanto os guitarristas percorriam o palco, o baixo podia apenas ser ouvido. A dúvida se havia o uso de trilhas pré-gravadas de baixo (da mesma forma que as utilizadas para os backing vocals) virou assunto entre os fãs mais atentos, especialmente com a canção seguinte: “From the Pinnacle to the Pit”, que conta com uma introdução executada pelo baixo.

Na sequencia, vieram “Ritual” e “Cirice”, também empolgando o pequeno, porém fervoroso, público presente. As menos de mil pessoas presentes – que mal preenchiam o espaço das pistas VIP e comum – começavam a por em questão quem deveria ser a atração de fundo. Em uma das poucas interações com o público, Papa Emeritus esclarece a respeito das quatro cordas: a baixista se machucou no show da Argentina e, por conta disso, acomodou-se ao fundo do palco para cumprir com suas obrigações profissionais.

Preciso e certeiro tanto nas execuções quanto na escolha do repertório, o Ghost acabou por surpreender com sua qualidade ao vivo e com um setlist curtíssimo: foram apenas oito canções, predominantemente do álbum Meliora. Se a intenção era deixar o famoso “gostinho de quero mais”, o Ghost acertou em cheio. Após “Year Zero”, “Absolution” e “Mummy Dust”, a banda optou “Monstrance Clock” como última e derradeira canção do set. Sem se despedir, a banda deixa o palco de forma abrupta e rápida, o que acabou sendo um tanto estranho.

Rob Zombie

O relógio marcava 22h20 quando as luzes se apagaram para o show de fundo. Pela primeira vez em Porto Alegre, Rob Zombie e sua trupe deram o pontapé inicial com “Dead City Radio and the New Gods of Supertown”. Ao contrário de toda a luz do show do Ghost, o show do eterno vocalista do White Zombie optou por um clima soturno, com muito vermelho e azul. Já o som, esse sim, deixou a desejar. Bastante embolado no início, foi somente ao longo das canções seguintes que se pode ouvir com mais clareza cada instrumento. No entanto, é impossível deixar de comentar a reação dos fãs. Se não compareceram em grande número, compensaram totalmente em energia e monstrando-se conhecedores da obra de Rob. Cantando junto e com as letras na ponta da língua, Rob Zombie cativou os que tanto tempo esperaram por um show seu na capital.

Da mesma forma que o Ghost, Rob Zombie entrega um espetáculo onde a música não tem o papel principal, mas divide o protagonismo com a performance e os aspectos visuais. Seja no posicionamento (os três integrantes à frente da bateria variam muito o posicionamento no palco, em cima de três praticáveis), na indumentária (as roupas e os instrumentos são um show à parte) ou na incansável movimentação (já que ninguém pára), Rob e sua banda não abrem espaço para desatenções. E, entrando na seara da música propriamente dita, não há como não destacar o talento e bom gosto (tanto na execução quanto na escolha de modelos bonitos e extravagantes de guitarra) do guitarrista John 5. John não é qualquer um. John toca muito e é um gênio subestimado, já que é, ao lado do frontman, o grande responsável pela identidade sonora da banda.

Rob não fala muito com o público. Está mais ocupado levando-o a loucura. Até mesmo a principal interação com a plateia foi sem muitas palavras: subir ao palco com uma bandeira brasileira, usada como uma capa.

Quem foi esperando ouvir clássicos do White Zombie pode ter ficado um pouco decepcionado, já que apenas “More Human Than Human” esteve presente no set. Porém, as melhores canções da carreira solo de Rob Zombie estavam lá, executadas com o vigor de quem estava em frente a uma plateia numerosa, o que demonstra que não apenas de imagem e carisma é feita a carreira de Rob Zombie, mas também de muito profissionalismo e comprometimento com seus fãs.

Após mais de uma hora de show, a banda se despede para não um, mas dois retornos ao palco: o primeiro bis ficou por conta de “The Lords of Salem” e

“Get Your Boots On! That’s the End of Rock and Roll”, enquanto o encerramento ficou por conta de “Dragula”. A primeira das duas noites de sideshows do Maximus Festival em Porto Alegre foi curiosa e marcante. Pouco público, bons shows especialmente memoráveis e a sensação de que um local menor poderia tornar a experiência ainda mais interessante.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

 

 

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1 comentário

  1. tiagofb

    Ta louco! O som no show do Ghost estava horrível! Ali sim a voz estava embolada. E falar em energia dos fãs num show onde quase todo mundo estava parado….

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