Red Fang e Slayer: Peso e violência no palco do Pepsi On Stage

Noite de quinta-feira, dia 11 de maio, e o palco do Pepsi On Stage dá seguimento a serie de sideshows do Maximus Festival dedicados à capital gaúcha: se na noite anterior Ghost e Rob Zombie fizeram ótimos shows frente à um público modesto – porém devoto – de menos de mil pessoas, a noite seguinte reservou ao Pepsi On Stage um público bem superior. As pouco mais de três mil pessoas presentes puderam apreciar dois shows cheios de peso e energia, com uma banda clássica de seu estilo e outra, mais nova, no auge de sua atividade.

Red Fang

Há quem diga que o Rock morreu, que o Rock está em baixa, que não existe banda nova com qualidade. Porém, com um pouco de iniciativa é possível encontrar excelentes bandas de Rock surgidas nesse século. E, para nossa sorte, uma delas, em seu auge criativo e produtivo, brindou o público de Porto Alegre com seu show, encarando o desafio de esquentar o público para o Slayer. O Red Fang, banda americana de Stoner Rock, ganhou alguma popularidade nos últimos anos com seus videoclipes criativos e bem sacados (como os de “Hank is Dead”, “Blood Like Cream” e, especialmente, “Wires”). Escalados para o Maximus Festival, vieram a Porto Alegre para apresentação ao lado da banda de Tom Araya.

Da mesma forma que o Ghost na noite anterior, foi com pontualidade que o quarteto subiu ao palco: às 21h a banda toma posição, troca cumprimentos e dá os primeiros acordes antes de “Blood Like Cream”. Se no álbum o Red Fang soa coeso e consistente, ao vivo isso é potencializado. O entrosamento e a química entre seus integrantes é perceptível, especialmente nas quebras de tempo e pequenas paradas que fazem parte da personalidade musical do Red Fang. Os destaques ficam por conta dos vocais, excelentemente executados, de Aaron Beam (baixo e vocal) e Bryan Giles (guitarra e vocal), e da escolha do repertório, que contou com os hits “Malverde”, “Wires” e “Prehistoric Dog”, que encerrou a curta apresentação do Red Fang. Dona de uma discografia nada extensa, porém competente, o Red Fang dá, no palco, o seu melhor. Fica a expectativa por uma passagem dos caras por essas bandas para que possamos, enfim, conferir o show completo.

 

Slayer

O que se pode dizer de um show do Slayer? Se você acha que um show do Slayer é pesado, é violento, é veloz, é um atropelamento por uma máquina impiedosa, você está certo. Porém, é mais. É mais pesado, é mais violento, é mais veloz e é mais impiedoso. Do começo ao fim, os sócios-fundadores Tom Araya (baixo e vocal) e Kerry King (guitarra), ao lado de Paul Bostaph(bateria) e Gary Holt (guitarra), deram a uma das mais fervorosas bases de fãs do mundo exatamente aquilo que estes esperavam: uma pilha de clássicos do Thrash Metal executados com extrema energia, peso e visceralidade.

Pouco depois do horário previsto, Araya e seus comparsas sobem ao palco e dão início ao “wall of death” com “Repentless”, faixa que dá nome ao mais recente álbum da banda. Em seguida, o primeiro clássico: “The Antichrist”. O público, como não poderia deixar de ser, foi à loucura. A partir dali, a coisa só ficou mais pesada e violenta.

Clássico sobre clássico, o Slayer entregou tudo o que dele se esperava: “Postmortem”, “War Ensemble”, “Die By The Sword”, “Death Skin Mask”, “Fight ‘till Death” e “Seasons in the Abyss” (uma das mais aclamadas da noite) foram apenas alguns dos hinos entoados por banda e público naquela noite. Porém, o melhor sempre fica para o final: escolhido à dedo, o encerramento contou, na sequencia, com “South of Heaven”, “Raining Blood”, “Black Magic” e “Angel of Death”, não deixando pedra sobre pedra no Pepsi On Stage.

Não há como escrever sobre o show do Slayer cair nesse tipo de lugar comum, porque é isso que o Slayer é: brutalidade. Mesmo com quase quatro décadas de atividade nas costas, o Slayer ainda apresenta uma energia juvenil ao descer a porrada em hits que ajudaram a construir a história do Thrash Metal. Não é a toa que são um dos Big 4 e nem é por acaso que são, como pudemos ver em Porto Alegre, uma das mais amadas, cultuadas e respeitadas bandas da história do Metal. Aqueles que, surpreendentemente, sobreviveram ao show do Slayer, vão levar pra sempre na memória a lembrança de uma das mais épicas noites de Metal da história de Porto Alegre.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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