Edu Falaschi: Revisitando a própria história no Opinião


Edu Falaschi já é figurinha carimbada em Porto Alegre há pelo menos 15 anos. Desde meados de 2001 ele vem se apresentando com o Angra e posteriormente com o Almah quase que anualmente (as vezes até mais de uma vez por ano) por aqui. Mesmo assim, conseguiu reunir um bom público no dia 27 de julho no Bar Opinião.

Entre  saudosistas e novos entusiastas que não tiveram a oportunidade de assistir aos shows dele até 2012, Edu apresentou  sua nova tour focada em seus mais de dez anos no Angra, que após alguns problemas com o nome, acabou batizada de Rebirth of Shadows Tour, fazendo menção aos dois principais álbuns lançados com a banda de Rafael Bittencourt e cia: Rebirth (2001)  e Temple of Shadows (2004).

A escolha do nome da tour foi certeira, pois o setlist ficou basicamente dentro destes dois álbuns, com alguns desvios para o Hunters and Prey (2002) e apenas uma música do Aurora Consurgens (2006), deixando o Aqua (2010) totalmente de fora.

Após a introdução de Deus Le Volt, Edu entra no palco ao som de Spread Your Fire. O volume altíssimos dos PA’s dificultam um pouco ouvir o som da guitarra de Roberto Barros, mas em compensação, a bateria de Aquiles Priester e o baixo de Raphael Drafas ficam em destaque. Na sequência,  Acid Rain e Running Alone completam o trio de abertura para um primeiro respiro. Com o violão na mão, Falaschi promete um show longo antes da Wishing Well.

Sempre carismático e agradecendo muito aos presentes, Edu demonstra estar bastante feliz fazendo essa turnê. Apesar dos problemas que teve e que resultaram em sua saída do Angra em 2012, ele mostra muito carinho pelas músicas escolhidas para a ocasião.

A primeira escolha do disco  Hunters and Prey vem com Caça e Caçador, versão em português da música que dá título a esse disco. Aqui, Diogo Mafra mostra técnica nos  riffs originalmente executados por Kiko Loureiro. E para terminar o primeiro ato do show, a banda usa Angels and Demons e Breaking Ties, esta última, a única música do Aurora.

Sozinho no palco, Edu usa o violão para um pequeno set acústico, e não consegue escapar de tocar o que já virou clássico em seus show: Pegasus Fantasy, tema do desenho Cavaleiros do Zodíaco. Ele ainda ataca com Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, antes de pedir que todos o acompanhem em Late Redemption, fazendo as linhas vocais originalmente gravadas em parceria com Milton Nascimento. E o público responde cantando a letra toda e deixando o vocalista com um sorriso no rosto.

Pausa para o descanso da banda, menos para Aquiles, que faz um solo de bateria sincronizado com um medley de bases pré-gravadas, com direito até a Brasileirinho no meio. Conhecido bem pelos gaúchos, Aquiles conquista a todos com sua técnica e musicalidade.

A Banda volta ao palco com The Temple of Hate e segue na montanha russa com a balada, também do Hunters and Pray, Bleeding Heart. Esta que já teve regravação até em versão forró.

Logo após Millenium Sun, Falaschi apresenta oficialmente a banda que o acompanha e que tem a difícil responsabilidade de reproduzir as complexas linhas do Angra. Seus companheiros do Almah Raphael Dafras e Diogo Mafra e são responsáveis pelo baixo e pela guitarra, e quem os acompanha na outra guita é Roberto Barros, carinhosamente apelidado de Wesley safadão pelo público. Fábio Laguna e Aquiles Priester, que como Edu, participaram do Angra, completam o time. Novamente agradecendo a presença de todos, Falaschi pede para  cantarem o hino rio-grandense, afirmando que esse tipo de coisa só acontece aqui no Rio Grande do Sul. Ele chega a gravar com o próprio celular as pessoas cantando a plenos pulmões, e esse vídeo pode ser assistido nas suas redes sociais. Aquiles, que morou em Porto Alegre muitos anos, aproveita e também pede o microfone para lembrar de seus primeiros show no Opinião e o orgulho de fazer parte do Hangar, uma banda gaúcha e outro nome forte do Metal brasileiro. Depois dos discursos, o show encerra com Waiting Silence e Live and Learn antes da pausa para o bis.

Os dois maiores clássicos desta fase retratada na tour foram escolhidos para fechar a apresentaçã:. Rebirth e Nova Era, conseguem arrancar o restinho de fôlego do fãs.

Uma noite especial. Até para aquelas que já acompanham o músico há anos, mas que talvez não tenham visto essa ou aquela música tocada ao vivo. E para os mais novos, foi a oportunidade de ver estes clássicos na voz original.

Mesmo com alguns problemas na voz e um pouco de falta de entrosamento das guitarras, foi uma noite divertida. E é sempre com sair de um show essa sensação boa.

Setlist:

  • Deus Le Volt
  • Spreado Your Fire
  • Acid Rain
  • Running Alone
  • Wishing Well
  • Caça e Caçador
  • Angels and Demons
  • Heroes of Sand
  • Breaking Ties
  • Pegasus Fantasy
  • Trem das Onze
  • Late Redemption
  • Solo de bateria
  • The Temple of hate
  • Bleeding Heart
  • Millenium Sun
  • Waiting Silence
  • Live and learn
  • Rebirth
  • In excelsis / Nova Era
  • Gate XIII

Por: Carlos Porto
Fotos: Doni Maciel

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