Ratos de Porão: Cada Dia Mais Sujo e Agressivo

Noite de domingo em Porto Alegre e os Ratos de Porão, grande expoente do Punk nacional, volta a se apresentar no palco do Opinião. Promovendo seu mais recente álbum, Século Sinistro, o quarteto fez mais um show memorável, com a violência que lhes é peculiar. Antes dos veteranos paulistas, uma revelação local: Diokane, banda recém-formada por Homero (vocal) Diego Cezar (guitarra), Duduh (baixo) e Gabriel Kaverna (bateria), fez um show curto, porém à altura da atração de fundo. Apresentando apenas músicas autorais, o Diokane entrega peso, brutalidade e energia dígnas dos grandes nomes do estilo. Vale ficar de olho nesses caras que, certamente, vão fazer muito barulho na cena.

Com cerca de meia hora de atraso, o quarteto formado por João Gordo (voz), Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) sobe ao palco para dar início à apresentação. Comemorando os 30 anos de Cada Dia Mais Sujo e Agressivo e os 25 anos do clássico RDP Ao Vivo, a banda dá o pontapé inicial respeitando a ordem do álbum de estúdio com “Tattoo Maniac”, “Plano Furado”, “Ignorância” e “Crise Geral”. Resolvido um pequeno problema com o som de guitarra (que soava baixa e estridente em “Tattoo Maniac”), a banda levantou o público com a brutalidade de sempre.
– “Porto Alegre! A gente tá comemorando aqui os 30 anos desse disco, “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo” e também tá comemorando os 25 anos daquele disco al vivo, então… Morreeeeeeeeeeer!!!”, berrou o vocalista João Gordo antes do clássico que abre o álbum de 92. Ainda mais ovacionados, o Ratos de Porão segue quebrando tudo, desta vez com alguns clássicos. Em um setlist escolhido de maneira interessante, brindaram o público com alguns hits como “Mad Society”, “Beber Até Morrer” – disparadamente a mais comemorada de todo o setlist na noite – e “Expresso da Escravidão”, onde João Gordo chamou a atenção para o problema do trabalho escravo no Brasil com uma frase curta e direta: “Está acontecendo hoje isso”. Porém, não apenas de seus grandes hits se fez o repertório: houve espaço para algumas peças mais obscuras como “Arranca Toco” e outras faixas de “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo”: “Pensamento de Trincheira”, “Peste sexual” e “Sentir Ódio e Nada Mais”.

“Muito obrigado, amigos! Não sei quantos shows a gente já fez aqui nesse lugar e aqui em Porto Alegre, mas vir pro Rio Grande do Sul é sempre foda!”, agradeceu Gordo ao microfone. Com quase uma hora de show, a apresentação encaminha-se para o final com uma trinca escolhida de maneira especial: “Crucificados Pelo Sistema”, “Aids, Pop, Repressão” e “Igreja”, que fechou mais uma passagem do Ratos de Porão pela capital gaúcha.

Um pouco prejudicados pelo som, o Ratos fez, no último domingo, mais um show memorável, dígno de sua história e de quem leva o nome do Brasil pelos quatro cantos do mundo. Não é à toa que os quatro mantém viva a história de uma das mais respeitadas bandas do punk mundial. E isso, quando vemos os caras ao vivo, percebemos que não é nenhum exagero.
Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Foto: Doni Maciel

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