Mr Big: Emanando energia no Opinião

No último dia 22, a banda californiana Mr. Big voltou a se apresentar na capital gaúcha. Foi a terceira passagem do grupo (hoje, um quinteto) pela cidade, dessa vez na turnê do álbum “Defying Gravity”, lançado em julho deste ano. A banda também esteve em Porto Alegre em 2010 e em 2015.
Seja pelos sucessos de rádio e TV dos anos 90 ou pela qualidade técnica dos músicos, o Mr. Big sempre foi uma banda de fãs muito fieis, não importando sua colocação nas paradas de sucesso. Se os anos dourados já se foram, a banda segue enchendo casas (não mais ginásios) com gente que sabe tudo sobre sua formação, trajetória e discografia.
Vários pontos são bastante óbvios, como a abertura com “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”, também conhecida como “a música das furadeiras”, que nunca deixa de ser impressionante, passando por hits de presença imprescindível, como “Green-Tinted Sixties Mind” (com um pequeno trecho cantado a capella por todos os membros. Baladas que impulsionaram a banda ao estrelato no início dos anos 90, como “To Be With You”e “Wild World” também são parte importante de um show do Mr. Big – e jamais falham.
Para quem acompanha os lançamentos da banda mais a fundo, certamente foi uma boa surpresa ver que músicas da fase pós 2009 (ano em que a formação original voltou a se reunir) ainda fazem parte do set, a exemplo de “Undertow”, “American Beauty” e “Around the World”, todas elas do excelente álbum “What If…”. Em compensação, o sucessor “The Stories We Could Tell” não teve espaço no repertório atual e o próprio Defying Gravity é mencionado em apenas duas músicas… E é aí que está o ponto baixo do show: nas fracas “Everybody Needs a Little Trouble” e “1992” – esta última trazendo uma letra que tenta ser saudosista, mas acaba desnecessariamente soando derrotista ao falar da época em que o grupo era sucesso mundial e habitava o topo do mainstream.
Também fica impossível falar de Mr. Big sem dar atenção às personas que compõem a banda: Eric Martin compensa em “bom-mocismo” o que já não alcança com a voz, ainda que esteja longe de ser o que chamamos de ex-cantor; Paul Gilbert e Billy Sheehan, ícones absolutos em seus respectivos instrumentos (guitarra e baixo) transbordam diversão e satisfação, além de uma esperada aula do que se fazer nas seis e nas quatro cordas; o não tão novato Matt Starr cumpre o papel de substituir o carismático Pat Torpey, acometido pelo Parkinson. A relação da banda e dos fãs com Torpey é ímpar: reconhecimento e incentivo sempre. Pat segue excursionando com a banda, participando do processo de composição e gravação dos álbuns, além de tocar percussão e cantar os backing vocals que são característica da sonoridade do Mr. Big. Torpey ainda assume a bateria em “Just Take My Heart”.
Ao assistir a terceira apresentação da banda, não restam dúvidas em afirmar: elas são todas muito semelhantes. E esse é um ponto positivo; todas são excelentes. O setlist pode variar pouco, mas a qualidade da execução e o carisma com que músicos e público se tratam, garantem um espetáculo memorável.
A energia que ainda hoje emana de hits como “Alive and Kickin'”, “Addicted to that Rush” e “Colorado Bulldog” causa sentimento de recompensa: é impossível ser fã do Mr. Big e deixar o local do show com sensação de que não valeu a pena. A impressão é a de que se pode assistir a banda diversas vezes ao ano e sair de alma lavada em todas elas.
SETLIST:
Daddy, Brother, Lover, Little Boy
Undertow
Alive and Kickin’
Temperamental
Just Take My Heart
Take Cover
Green-Tinted Sixties Mind
Everybody Needs a Little Trouble
Price You Gotta Pay
Solo Paul Gilbert
Take a Walk
Wild World
Rock & Roll Over
Around the World
Solo Billy Sheehan
Addicted to That Rush
Encore:
To Be With You
Colorado Bulldog
1992
Baba O’Riley

Por: Murilo Bittencourt
Fotos: Doni Maciel

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