Bon Jovi: estreia com altos e baixos no Beira-Rio

Noite de terça-feira e a temperatura agradável é convidativa para um grande show. No último dia 19 de setembro, uma das maiores bandas da história do Hard Rock americano, o Bon Jovi, fez sua estreia na capital gaúcha. Frente a um público predominantemente feminino e adulto, o grupo capitaneado por Jon Bon Jovi fez uma apresentação irregular, cheia de altos e baixos.

A abertura ficou a cargo do The Kills, que não conseguiu cumprir a missão de esquentar o público. Com um show burocrático, apático e frio, serviu apenas de trilha sonora para a espera pelo show de fundo. Nenhum destaque. Nem mesmo seu principal sucesso, “Doing it to Death”, foi capaz de conquistar mais do que contidos e educados aplausos após os acordes finais.

Com surpreendentes dez minutos de antecedência as luzes se apagam para a chegada do Bon Jovi. “This House Is Not For Sale”, faixa que dá nome ao mais recente álbum da banda, foi a escolhida para abrir os trabalhos. Sem arrancar grandes reações e sem o impacto que um nome dessa magnitude merece, a banda emenda mais duas canções, que também não empolgam: “Raise Your Hands” e “Knock Out”. Com o trabalho na house mix também deixando a desejar – bateria e backing vocals muito altos, ao contrário do baixo e da voz de Jon, enterrados em meio às guitarras e dos quais pouco se ouvia – a trinca inicial foi meramente protocolar.

O jogo virou por completo com o primeiro hit da noite: “You Give Love a Bad Name” levantou o público desde o clássico coro inicial até a última nota. A partir dali, vieram os grandes hits que, aliados ao carisma, à beleza e à sensualidade de Jon Bon Jovi, em meio a tanto saudosismo no ar, finalmente trouxeram à tona o clima de show de arena.

A escolha do setlist foi questionável, optando por algumas canções não tão conhecidas – como “Who Says You Can’t Go Home” e “We Got It Goin’ On” – e deixando de fora algumas daquelas que seriam obrigatórias. Os pontos altos ficaram por conta de “Bed of Roses”, “Wanted Dead or Alive”, “It’s My Life” (uma das mais bem recebidas em todo o set) e da interessante versão acústica para “Someday I’ll Be Saturday Night”.

Visivelmente feliz diante de seu público, Jon Bon Jovi se dirigiu por diversas vezes ao público, sempre demonstrando gratidão. Andou pelas plataformas laterais e chegou até a descer ao fosso para um contato mais próximo dos fãs. Deu tudo de si, suou – literalmente – a camisa e vestiu a bandeira do Brasil sob fortes aplausos. Com mais de duas horas de show, a banda encerra o tempo regulamentar com uma versão estendida de “Bad Medicine”.

Para o bis, a mesma postura: sorriso no rosto, mas longe de gerar catarse que se espera dessa parte do show: “In These Arms” e “Blood on Blood” antecederam “Living On A Prayer”, um dos maiores sucessos da história da banda. Nela, um momento um pouco constrangedor: após enfrentar dificuldades já nos primeiros refrãos, quando veio o último, após uma modulação (aumento da tonalidade) de um tom e meio, nada restou a Jon Bon Jovi senão convocar o público para assumir os vocais. Dada a apresentação por encerrada, o público ainda ensaiou um coro pedindo “Always”, mas ficou apenas na vontade.

Em uma apresentação inconstante, a estreia de Bon Jovi em terras gaúchas deixou a desejar em termos musicais, ao mesmo tempo em que fez sobrar entretenimento e carisma. Se a voz já não é a mesma – o que obriga o cantor a deixar de fora músicas indispensáveis como I’ll Be There For You”, “Blaze of Glory” e a ainsiosamente aguardada “Always” – a performance sensual e o sorriso de Jon Bon Jovi acabam arrancando mais aplausos do que muitas das músicas do repertório. Vale pelo valor histórico da estreia de um ícone do Rock americano por essas bandas e pela memória afetiva, principalmente.

Por: Marcel Bittencourt
Fotos: Edu Defferrari

Setlist

This House Is Not for Sale

Raise Your Hands

Knockout

You Give Love a Bad Name

Born to Be My Baby

Lost Highway

Because we can

I’ll Sleep When I’m Dead

Runaway

We got it going on

Someday I’ll Be Saturday Night (versão acústica)

Bed of Roses

It’s My Life

Who Says You Can’t Go Home

Rollercoaster

Wanted Dead or Alive

Lay Your Hands on Me

Have a Nice Day

Keep the faith

Bad Medicine

Bis

In These Arms

Blood on bloog

Livin’ on a Prayer

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