The Who: valeu a pena esperar

Noite de terça-feira e o Anfiteatro Beira-rio se preparar pra receber uma das maiores bandas da história do rock: pela primeira vez no Brasil o The Who chega a Porto Alegre para uma das apresentações mais aguardadas do ano. Após um show impecável no Rock In Rio, a banda de Pete Townsend e Roger Daltrey – únicos membros remanescentes – proporcionou um espetáculo de igual magnitude na capital gaúcha.

Também fazendo sua estreia em Porto Alegre, o Def Leppard fez uma abertura de luxo: com uma estrutura grandiosa, cheia de telões de alta resolução que cobriam praticamente toda a extensão do palco, o quinteto inglês embalou o público com sucessos de sua carreira. Destaque para “Love Bites” – bastante conhecida no Brasil através da versão “Mordidas de Amor”, do Yahoo, que foi tema de novela na década de 80 – e “Pour Some Sugar On Me”, além da performance do guitarrista Phil Collen, impecável tanto na escolha dos timbres quanto na execução certeira. Como não poderia deixar de ser, outro aspecto interessante de encarar o Def Leppard ao vivo é poder não apenas ouvir, mas ver como se vira o baterista Rick Allen, que, após perder o braço esquerdo em um acidente de carro em 1984, precisou adaptar a bateria com um pedal para as batidas na caixa e, desde então, toca o instrumento usando apenas um braço. Exemplo de força de vontade, Allen criou todo um aparato e um novo estilo para manter-se como baterista da banda. Com show completo, competente e divertido, o Def Leppard cumpriu bem a missão de esquentar os motores para a atração de fundo.

Durante a troca de palco, a primeira surpresa: enquanto aguardavam pela montagem, o telão ao fundo exibia a história do The Who, com informações interessantes como modelos de instrumentos utilizados, produtos oficiais da banda, premiações e outras curiosidades. Antes mesmo do primeiro acorde, o The Who já dava indícios de um espetáculo diferenciado.

Pontualmente às 21h30 as luzes se apagam para atração de fundo com uma imensa letreiro dizendo “Mantenha a calma, aí vem o The Who”. Ovacionados, Daltrey, Townsend e seus comparsas dão o pontapé inicial com uma trinca matadora: “I Can’t Explain”, “The Seeker” e “Who Are You” já valem o ingresso. De cara, as coisas ficam claras: Porto Alegre estava diante de um dos melhores shows de Rock que a cidade já viu: som e luzes excelentes. Músicos de apoio de primeiríssima linha – com destaque para Zack Starkey, nada menos que o filho de Ringo Star e ex-baterista do Oasis – executando arranjos perfeitos. E dois senhores septuagenários em alta performance. Pete Townsend mostra, em cima do palco, por que é considerado um dos guitarristas mais influentes da história do Rock. Ao seu lado, Roger Daltrey ostenta jovialidade e uma performance vocal quase que irretocável. Após um festival onde senhores com duas décadas a menos de idade deixaram tanto a desejar, Daltrey ensina como se faz.

O setlist da turnê é outro destaque, com vários pontos altos. Entre eles, cabe destacar “My Generation”, a belíssima “Behind Blue Eyes” e “Amazing Journey”, esta com um show a parte de Daltrey. Se durante todo o show Roger foi competente, nesta ele se mostrou excepcional. Uma performance de causar arrepios, demonstrando segurança e talento mesmo na sustentação das notas mais altas. Nunca é demais lembrar que estamos falando de um homem de 73 anos de idade. Impressionante, para dizer o mínimo.

Mesmo não sendo amigos há muito tempo, Daltrey e Townsend demonstram um entrosamento que justifica a permanência da banda na estrada. O show encaminha-se para a reta final com uma quadra de tirar o fôlego: Pinball Wizard”, “See Me, Feel Me”, “Baba O’Riley” e “Won’t Get Fooled Again”. Após mais de 2h00 de apresentação, o bis encerra a epopéia roqueira com “5:15” e “Substitute”.

Épico e grandioso. É o mínimo a se dizer sobre o show do The Who. Não é errado afirmar que o The Who foi responsável pelo melhor entre os sideshows do Rock in Rio que vieram a Porto Alegre. Fizeram a alegria dos fãs como manda o figurino, afinal, é o que se espera dos dinossauros. Os pais do movimento mod, nas personas de Roger Daltrey e Pete Townsend, entregam não apenas um repertório de clássicos, mas também um show incrível, apoteótico, digno de uma das maiores bandas de rock do mundo.

Sem dúvida alguma, valeu a pena esperar.
Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

 

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