Millencolin: energia, potência e velocidade do início ao fim

A Suécia é um país maravilhoso, seu povo oferece uma série de bons exemplos ao mundo, mas pra quem é fã de música, o local é lembrado por ser berço de algumas das melhores bandas de Rock nos últimos 30 anos! Uma dessas bandas, o Millencolin, referência quando se trata de Hardcore melódico, fez um show empolgante em Porto Alegre, na noite de domingo, 08 de outubro de 2017.

Eram passadas às 21hs quando a banda subiu ao palco, para o delírio dos fãs, que já indicavam uma certa ansiedade. Como cartão de visitas, apresentaram “No Cigar”, uma das músicas mais conhecidas do público, trilha sonora do icônico jogo de vídeo game Tony Hawk’s Pro Skater 2, do ano de 2000. Jovens e velhos fãs foram a loucura! O primeiro andar do Bar Opinião virou uma grande roda punk, não era tarefa fácil sair ileso de tamanha energia, que reprimida por poucos eventos do gênero ao longo do ano, foi finalmente liberada, contagiando à todos, mas especialmente a banda, que reconheceu a resposta do público.  

O show teve sequência com “Sense & Sensibility”, ótima canção do novo álbum, True Brew, de 2016. Depois foi a vez de “Ray”, uma das melhores canções da discografia da banda, e voltando ainda mais no tempo, “Olympic”, direto dos anos 90! “Penguins & Polarbear”, do álbum Pennybridge Pioneers, de 2000, levou o público para um tempo em que a banda estava no auge, uma canção que certamente foi trilha sonora de muitos dos que a cantaram a plenos pulmões, ou apenas a sentiram, entre um empurrão e outro, na imensa roda viva, que seguia pulsando, música após música. Para a turma mais old school, “Fazil’s Friend”, do primeiro álbum da banda, seguida de “Bring Me Home”, do álbum mais recente, foi um contraste interessante de observar, experiência que ainda se repetiria mais a frente.

Um momento interessante, que vale registrar, foi quando a banda fez uma parada e o público passou a entoar um canto típico de torcidas de futebol, o vocalista Nikola Sarcevic reconhece a canção e comenta que eles sempre a ouvem, quando tocam na América do sul, especialmente no Uruguai e na Argentina. Ao ouvir a palavra Argentina, parte do público ensaiou uma vaia, então Nikola emenda: “mas nesses lugares eles cantam mais alto”. Como resposta, o público passou a cantar ainda mais forte, dessa vez, acompanhado pelo vocalista, bem humorado, que demonstrou conhecer a letra, num portunhol bem aceitável. Depois desse episódio, a banda apresentou uma de suas canções mais belas, “The Ballad”, que como o nome sugere, foi a balada em meio a pancadaria, um momento bem vindo para o espetáculo, uma canção que marcou parte da geração do início dos anos 2000.

Ainda vale destacar a dobradinha “Mr. Clean”, que abre o primeiro álbum da banda, seguida por “Egocentric Man”, que abre o álbum mais recente, duas grandes músicas com pelo menos 22 anos de diferença entre elas, uma forma de mostrar ao público que é possível evoluir sem perder as raízes. “Fox” foi uma das canções mais celebradas, já naquela função do sai e volta do bis, “Bullion”, outra canção poderosa, dava a deixa que o show se encaminhava para a reta final. “Duckpond” e “ Farewell my Hell” vieram na sequência, deixando “Black Eye” como a canção que encerrou a noite e a turnê sul americana.

O Millencolin fez uma apresentação competente e empolgante, Nikola, Mathias, Erik Ohlsson e Fredrik Larzon, se estavam cansados devido ao fim de turnê, não demonstraram, conduzindo um show de hardcore do jeito que se espera, com energia, potência e velocidade, do início ao fim. Os suécos se apresentaram por cerca de uma e hora e meia, na medida certa, todos saíram satisfeitos, com a certeza que deixaram seu melhor, público e banda.

Por: Thiago Floriano Barbosa

Fotos: Doni Maciel

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