Paul McCartney: espetacular, no mais amplo sentido da palavra

Foto: Marcos Hermes/TF4

Noite de sexta-feira com tempo fechado. Após uma quinta-feira bastante chuvosa, todos os caminhos apontavam para um local: o Estádio Beira-Rio. Palco de diversos shows históricos – Como Rolling Stones e Roger Waters – a casa do Internacional se prepara para receber pela segunda vez Paul McCartney, um dos artistas mais importantes da história da música mundial. A abertura ficou por conta do gaúcho Frank Jorge, que, acompanhado de Luciano Albo, apresentou sucessos da carreira solo e da Graforreia Xilarmônica.

Antes do show – cerca de meia hora – os telões laterais começaram a exibir carretéis giratórios com imagens da história da carreira de Paul. Desde os primórdios do Quarrymen (banda que antecedeu os Beatles) até a carreira da maior banda da história, sem deixar de fora o Wings, a carreira solo e os grandes parceiros como Stones, Who, Zappa, Dylan e outros. Poucos minutos depois do horário previsto (o show fora, dias antes, antecipado das 21h30 para as 21h), as luzes se apagam para que a estrela da noite entrasse em cena.

Um acorde. Único. Especial. Aquele definido pela revista Rolling Stone como “o maior acorde da história do Rock and Roll”. Bastou um acorde para levantar o público e anunciar “Hard Day’s Night”. Cantada em coro – como não poderia deixar de ser – a canção foi um excelente pontapé inicial. Na sequência, “Junior’s Farm”, “Can’t Buy Me Love” e “Jet” mantiveram o clima da apresentação. A iluminação – com muita luz branca, favorecendo a captação das imagens que iam para os telões – foi primorosa. O som, por sua vez, não ficou para trás: todos, absolutamente todos, os detalhes podiam ser ouvidos com clareza. Até mesmo a percussão por vezes executada pelo tecladista Paul Wickens e os backing vocals sussurrados do baterista Abe Laboriel Jr faziam a diferença quando solicitados.

“Hoje eu vou falar um pouquinho de português” – Falou Paul, logo na primeira pausa, em um português ainda melhor do que aquele da 2011.

O repertório foi vasto. Diante da grandiosidade da carreira em questão, era impossível que clássicos não fossem preteridos. Porém, aos 75 anos, o ainda incansável Paul McCartney apresenta trinta e sete canções ao longo de quase três horas de show. Os destaques ficaram por conta de “A Day In Life” e “Eleanor Rigby”, que emocionaram o público, do pequeno, mas muito pertinente, ato político antes de “Blackbird” – This song is about human rights. Direitos Humanos”, disse Paul McCartney, causando aplausos e despertando uma importante reflexão. Ao final, novamente, Paul lembra “Direitos Humanos. Precisamos agora” – e pela trinca irretocável que encerrou a primeira parte da apresentação: “Let It Be”, “Live and Let Die” – com suas já tradicionais e cada vez mais impactantes explosões – e “Hey Jude”.

Para o bis, Paul retorna com uma interessante versão acústica de “Yesterday”, recebe no palco um quarteto de dançarinas vestindo blusas que faziam referência a Sgt Peppers para “Sgt. Peppers Reprise” e encerra com outra sequencia matadora: “Birthday”, “Helter Skelter” e a trinca que encerra o clássico álbum “Abbey Road” (o último a ser gravado pelos Beatles de fato): “Golden Slumbers” e “Carry That Weight”, a última do set antes de “The End”. Uma escolha simbólica e com boa carga de poesia.

Durante quase 180 minutos Paul McCartney deu tudo de si no palco. Além de cantar – muito bem, especialmente se considerarmos que o menino tem 75 anos de idade – transitou, sempre com competência, por cinco instrumentos: baixo elétrico, guitarra, violão, ukulele e piano. Acompanhado de músicos de primeira linha – além dos já citados Wickens e Abe, os guitarristas Rusty Anderson e Brian Ray são aulas de bom gosto tanto nas execuções quanto na escolha dos timbres – Paul esbanjou simpatia e carisma, comunicou-se com a platéia sempre recebendo aplausos em retribuição e, de fato, mostrou e demonstrou o que é ser, na plenitude musical do termo, um Beatle.

Como o próprio Paul exclamou no palco: “tri bom!”.

Por: Marcel Bittencourt

Que venha o próximo.

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