Helloween: coroamento uma história no Pepsi On Stage

Noite de terça- -feira em Porto Alegre e o Pepsi On Stage se prepara para receber, mais uma vez, um show da banda alemã Halloween. Em sua turnê de reunião, Pumpkins United, o agora septeto viaja o mundo com os reforços de peso de Kai Hansen – primeiro vocalista da banda e fundador do Helloween e do Gammaray – e de sua figura mais histórica, o vocalista Michael Kiske. Com ingressos esgotados a banda proporcionou uma noite de lavar alma dos fãs.

Pontualmente às 21h o espetáculo tem início. Ao som da introdução instrumental “Initiation”, o público saúa a chegada dos alemães. Para o pontapé inicial, a escolhida foi “Halloween”. Cantada por Kiske e Deris, o clássico levantou o público e bastou para anunciar a energia que dominaria a noite: uma banda dando tudo de si para um público àvido por receber essa energia. A estrutura – que contou com uma iluminação caprichosamente operada, um bom trabalho no som (o que não é tão simples assim de se obter no Pepsi On Stage) e até uma pequena passarela que permitia aos cantores avançar em meio ao público – também foi dígna da importância do momento. Na sequencia, ainda com Kiske e Deris, um dos maiores hits da história da banda: “Dr. Stein”, levou o público ao delírio.

O repertório, como não poderia deixar de ser, deu preferência aos clássicos. Entre eles, “Kids of the Century”, “If I Could Fly”, “I Can” e o interessante medley de canções originalmente gravadas na voz de Kai Hansen. Cantadas pelo próprio, “Starlight”, “Ride the Sky”, “Judas” e Heavy Metal (Is the Law) aqueceram os corações dos fãs mais antigos. Há de se destacar, ainda, a interação dos vocalistas em canções das quais não necessariamente fizeram parte da concepção: ver Kiske e Deris cantando “Perfect Gentleman”, a bela “Forever and One” (que poderia ter sido melhor apresentada se armada de um violão em vez de um chorus com drive – uma escolha questionável para o momento) e, especialmente, “Why”. Antes desta, Kiske contou que não ouvira mais material do Helloween desde a sua saída, pois estava chateado – (cruzou os braços em gesto simbólico de desapontamento) – mas que posteriormente ouvira e gostara muito de algumas canções, especialmente “uma do Master of the Rings”. A interação entre Deris e Kiske, que já vinha sendo excelente, foi ainda melhor em “Why”. Porém, houve espaço para material mais recente. A surpresa da noite ficou por conta da substituição de “Rise and Fall” por “Where The Sinners Go”, que foi muito bem recebida pelo público presente. Para encerramento da primeira parte do espetáculo, uma trinca bem escolhida e certeira: “Sole Survivor”, “Power” e “How Many Tears”, esta última cantada pelos três vocalistas: Deris, Kiske e Hansen.

Mas, obviamente, ainda faltava muito para que tudo se desse por terminado. A exemplo do que vinha acontecendo nos outros países da turnê, foram dois encores. No primeiro, Michael Kiske mostrou a que veio em uma das músicas que mais marcaram sua fase no Helloween: “Eagle Fly Free”, e a emoção tomou conta do público com a emblemática “Keeper of the Seven Keys”. No segundo, catarse completa e final apoteótico com direito a enormes bolas estilizadas e chuva de papel picado em “Future World”.

Por conta de tudo que foi apresentado ao longo de mais de duas horas e meia de show, a Pumpkins United conquista um lugar na história do Metal como uma das turnês mais legais que se pode presenciar. Não entre as maiores, não entre que mais fizeram dinheiro, mas entre as mais legais de se ver. Foi uma mistura de saudosismo, alegria, celebração, senso de oportunidade, timing perfeito e disposição de todos os involvidos – público, inclusive. Ver Andi Deris se divertindo ainda mais do que o habitual, presenciar Kiske sendo o vocalista de primeiríssima linha que sempre foi, aprender com o profissionalismo de Kai Hansen que aprendeu todas as canções do set e, principalmente, sentir o espirito de equipe desse grande time, fizeram com que a noite de 31 de outubro de 2017 ficasse, para sempre, nos corações e mentes dos fãs do Helloween.

Que venha o próximo!

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Doni Maciel

 

Publicações Relacionadas

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *