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Noite de celebração para os fãs do Rock Progressivo do Focus


focus1 Noite de celebração para os fãs do Rock Progressivo do Focus

Domingo, dia 07 de Março foi noite de celebração para os fãs do Rock Progressivo. A banda holandesa Focus, um dos expoentes do estilo, se apresentou para um público pequeno, porém seleto, no Teatro do CIEE.

Pontualmente as 20h as luzes se apagaram. Após breve anuncio, Thijs Van Leer (Órgão Hammond, Flauta e Voz), Pierre Van Der Linden (Bateria), Bobby Jacobs (Baixo) e Niels Van Der Steenhoven (Guitarra) subiram ao palco para um medley de “Focus I” e “Anonymus”. Na sequência, Outro clássico: “House of the King”. Guiada pela batida da música, a platéia acompanhou com palmas e ovacionou Pierre Van Der Linden nas viradas de bateria. Ainda na etapa inicial do show, mais duas “Focus”, medley de “Focus II” e “Focus III”.

“Obrigado… Essas foram ‘Focus II e III’… Ao longo dessa apresentação haverá material novo com o qual vão se deparar e também músicas mais antigas. Esta é uma música nova de autoria do nosso baixista Bobby Jacobs e se chama “Aya-Yuppie-Hippie-Yee” Anunciou Thijs Van Leer.

Logo em seguida, o público fez, mais uma vez, silêncio para ouvir Thijs Van Leer: “O show é dividido em 2 partes: Daqui a pouco faremos um pequeno intervalo para que vocês possam ir ao banheiro, beber alguma coisa… E, depois do show, estaremos esperando por vocês para conversar, apertar as mãos e… para os que tem algum material nosso, se vocês insistirem, assinaremos. Não é chantagem, é sério.”. A forma como foi anunciada causou risos, mas o que ficou mais claro entre o público foi a alegria pela promessa surpreendente, devidamente cumprida após o concerto. Thijs continuou: “As vezes temos esse tipo de chantagem, chantagem de sentimentos. As vezes temos tantos sentimentos que…” (aqui um acorde estrondoso no Hammond) “Eruption”.

Foi com a já citada “Eruption” que a banda foi aplaudida de pé pela primeira vez. No mínimo, razoável, diante do êxtase de 17 minutos da versão, onde o grande Thijs Van Leer deixou o Hammond e dirigiu-se ao centro do palco, fazendo a flauta de bengala e ainda convidando o público a participar das vocalizações. Logo depois, a emoção da execução perfeita de “Sylvia” proporcionou um final apoteótico para a primeira metade do show.

Após o break de pouco mais de 15 minutos, nada mudou: o público, silencioso durante as músicas para melhor apreciá-las e estrondoso ao final de cada canção. A banda, por sua vez, arrebatadora e com uma execução precisa de grandes clássicos do Rock Progressivo. Destacaram-se, na segunda etapa, “Hurky Turky II” (com uma breve execução da “Marcha Turca”), “La Cathedrale De Strasbourg”, “Harem Scarem” (anunciada como “uma canção sobre o álcool, composta no bar que fica a apenas 3 metros da Catedral) e a emocionante “De Ti O De Mi”, que Thijs dedicou ao amor. Também houve espaço para solos, sendo o do baterista Pierre Van Der Linden o mais aclamado.

Para encerrar, um solo de Van Leer, tocando inicialmente órgão com a mão direita e flauta com a esquerda, passando apenas à flauta logo depois. Era chegada.a hora da canção mais emblemática do Focus: Hocus Pocus, presença certa em todas as apresentações e ponto alto do show na capital. Após duas horas e meia de show, os holandeses ainda encontraram fôlego para o bis, para o qual “Neurotika” foi a escolhida.

O show do Focus foi de fato isso: um show. Um show de técnica, feeling, entrosamento e bom gosto. Show de profissionalismo, de arte e, claro, de respeito e gentileza com o público, visto que, além de receber os fãs após o show, fez o mais importante: valer cada centavo do ingresso. Um show genial de uma banda única onde, certamente, todos saíram satisfeitos.

Que venha o próximo, e que seja logo!

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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A apoteose de Oswaldo Montenegro


Oswaldo Montenegro

Nessa sexta-feira, 5 de março, o cantor, compositor, escritor, diretor de cinema e pintor psicodélico (de paredes), Oswaldo Montenegro, esteve em Porto Alegre para apresentação do seu show “Quebra Cabeça Elétrico”, o qual se tornou DVD em 2009. A proposta de Oswaldo nesse trabalho é homenagear músicos como Alceu Valença, Belchior, Wagner Franco, Chico Buarque, Caetano Veloso, entre outros.

Seguindo a estética do DVD, o show se inicia com “Agalopando” (Alceu Valença), e Oswaldo aproveita para entrar no palco em meio a atmosfera mística dos primeiros acordes da música. Em meio aos tecidos, e as luzes vermelhas e amarelas, a segunda música é “Não diga num blues” (José Alexandre/Mongol), deixando bem claro a musicalidade mais “rock n’ roll” deste projeto, em que Oswaldo toca guitarra e não violão.

Não perdendo a ordem das músicas feitas no DVD, entra Madalena Salles, para executar na flauta transversa a música “A Loucura Amarela”, imaginem de que cor o palco se encheu… Obviedades a parte, o show segue com a famosa canção de Belchior “A Palo Seco”. A versão de Oswaldo Montenegro ficou bonita, sem modificações expressivas (aliás, como todas as outras), porém, mais sentimentalista, e carregando sempre aquela estética apoteótica que o compositor colocou em todo seu show.

Ainda homenageando Belchior, toca-se a música “Na hora do almoço”, na qual se introduz um trecho de “Partido Alto” (Chico Buarque), essa sim ficou interessante. Madalena Salles não participa tanto com a transversa nesse espetáculo, ficando mais no teclado, porém, retorna a nos agraciar com seus sopros na música “Na primeira Manhã” (Alceu Valença).

Quebrando com a rotina, a banda toca “Do Muito e do Pouco” (Zé Ramalho), música que, acreditem, não está no DVD! Mas a minha alegria não deve ter sido compartilhada com o cantor que, pediu para a platéia cantar o refrão junto, porém a característica tímida do público porto-alegrense prevaleceu. O músico deve ter se sentido acuado, pois voltou a ordem cronológica do DVD tocando  a belíssima “A moça e o povo” (Alceu Valença), seguida pela não menos bela, “Pavão Mysteriozo” (Ednardo).

No embalo da beleza, da apoteose e do clima místico, são apresentadas ao público “Muito romântico” (Caetano Veloso), “Vapor barato” (Wally Salomão/Jards Macalé). Dando mais uma escapadinha no roteiro Oswaldo toca “Todo Mundo é lobo por dentro (Petulante)”, e tenta de novo animar o público a cantar o refrão, dessa vez já era possível ouvir um coro suave entre a platéia.

Na seqüência fica no palco só o cantor e o guitarrista Alexandre Meu Rei, para a execução de “Quando a Gente Ama”, “Aquela Coisa Toda”, e fechando o ciclo das composições próprias a bem conhecida “Lista”. Aos poucos, todos os músicos voltam ao palco para tocar “Deus lhe pague” (Chico Buarque), música que muitos podem pensar estar marcada no tempo, porém em épocas como a nossa, de ditaduras “invisíveis”, não há música mais atual que essa!

Se encaminhando para o final do show, ainda são apresentadas as músicas “Quebra Cabeça” (Paulinho Soares e Marcelo Silva), “Canalha” (Walter Franco) – e nessa o Montenegro conseguiu fazer o público perder a timidez e gritar numa forma de catarse, essa palavrinha mágica, que muitas vezes fica entalada na garganta depois que a gente lê o jornal pela manhã – “Travessuras”, “Lua e Flor”, “Estrada Nova” e finaliza com “Intuição”.

Quando eu achei que o Oswaldo tinha abandona o script, o pessoal pede um bis e o músico recita o poema “Metade”, com acompanhamento no piano. O poema foi seguido da belíssima “Bandolins”, a animada “Vamos Celebrar” e uma brincadeira com o público em que a música parava para que todos pudessem gritar bem alto o que quisessem.

Predileções artísticas a parte, Oswaldo Montenegro é digno do nosso reconhecimento, um artista de pensamento crítico aguçado, seu talento enquanto músico e instrumentista são inegáveis, e sua coragem em tentar levar a arte para além dela mesma, uma proeza, que não é feita por muitos numa sociedade que tem vivido a margem do silêncio.

Por: Samuel Nervo

Fotos: Jucinara Schena

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O infernal Nando Reis, no melhor sentido da palavra.


Nando Reis

Antes mesmo de desembarcar em Porto Alegre, Nando Reis já tinha noção do que lhe esperava.  A procura por ingressos para o seu show foi tamanha que o cantor paulistano recebeu o convite para fazer uma apresentação extra, na sexta, no mesmo Opinião.

Ele aceitou e, para satisfação do público, foi marcada uma reabertura de temporada em dose dupla. Acredito que faz tempo que isto não ocorria, se é que, um dia, já ocorreu.

Diante desse cenário de expectativa, a quinta-feira se anunciou trazendo a sensação de abafamento, com sol, céu azul, e calor. Um dia típico de verão porto-alegrense.

Durante a noite, nas dependências do renovado bar Opinião, os novos aparelhos de ar-condicionado trabalhavam, literalmente, a todo vapor, tentando amenizar a temperatura que, na rua, registrava 26 graus.

No entanto, com Nando Reis e Os Infernais, o clima, sugestivo, ou recomendável, era quente mesmo.

Porém, antes de falar do show, cabe mencionar algumas mudanças no bar.

Além do novo sistema de ventilação, vale ressaltar o uso da tecnologia na decoração.  Pôsteres de bandas como Rolling Stones e do cantor Johnny Cash interagem, e dialogam, com as luzes da tecnologia.

Há, também, um quadro-telão, com imagens em movimento, localizado na parede da escada que dá acesso à chapelaria e aos banheiros. Pequenas mudanças que fizeram grande diferença nas instalações do bar. Parabéns aos envolvidos.

Para selar a festa, perante um novo sistema de luz, e imagem, só faltava o encontro do público com o cantor. E, bem antes das 23h, isso já se anunciava.

Aproximadamente 1.500 pessoas fizeram-se presentes na reabertura do bar Opinião. Um público jovem, universitário, e com predomínio feminino.

Em meio ao público, procurando uma brecha para avistar o palco, elas transitavam com seus vestidos floridos, coloridos, estampados. Conseqüentemente, proporcionavam um visual magistral em uma noite de calor tradicional.

O relógio recém marcava 23h15min e o pessoal já chamava pelo cantor com o coro de: “Nando, Nando”..

Enfim, depois de um pouco de espera, às 23h45min, ovacionado, com um barulho ensurdecedor do público, o cantor apareceu no palco do Opinião.

Ele estava usando chapéu escuro, camisa preta, sem mangas, e vestia calça jeans. Nos braços carregava o seu velho violão de guerra.

No fundo do palco, um telão grandioso demonstrava mais uma novidade, do bar Opinião, para a temporada 2010. Nas laterais, entrelaçados, complementando a cenografia, retalhos de tecidos delineavam um mosaico abstrato. Coisa doida.

Além dos quatro parceiros tradicionais, da sua banda de apoio, Os Infernais, (guitarra, baixo, teclado e bateria) duas backing vocais integravam o septeto musical paulistano.

Sem muitas palavras, Nando Reis iniciou a apresentação com músicas do mais recente álbum, Drês, como “Hi, Dri”.

Na platéia, mulheres eram erguidas pelos namorados a fim de uma melhor visualização do palco. Paralelamente, no mezanino, o balcão do bar permanecia cheio de gente.

Ali ficaram aqueles que, logo cedo, desistiram de encontrar um espaço na multidão para enxergar o cantor. E, neste caso, para vê-lo, só restava a TV fixada na parede, perto do caixa.

O show iniciou e o público, com as palmas, correspondia a qualquer pedido ou manifestação do cantor.

Quando terminou a terceira música, “sou dela”, Nando Reis falou com os gaúchos pela primeira vez.  Agradeceu a presença de todos e o convite para o show de reabertura do bar.

Também mencionou o cd/dvd MTV ao vivo, gravado no Opinião, e lançado em 2004. Fez uma relação entre os anos e disse que se tratava de uma noite muito especial para ele.

Concomitantemente, agradeceu a receptividade dos porto-alegrenses.

Logo quando terminou a fala, diante de gritos e aplausos, cantou “livre como um Deus”, do cd Drês. Na música, Carlos Pontual dedilhava sua guitarra nervosa, extraindo melodias no canto do palco, à direita de Nando.

Entre uma música e outra, Nando Reis fazia uma pausa para beber água. Usava uma toalha branca para enxugar o suor.

Assim, feito o ritual hidratante, começaram os antigos sucessos. A primeira foi “no recreio”, cantada por Cássia Eller, e prosseguiu com “Drês”, “O mundo é bão, Sebastião” e “Sophia”, canção dedicada à filha.

Antes de “Sophia”, falou mais uma vez com o público, explicando os seus motivos para fazer essa música. O cantor parecia à vontade, em casa.

Nessa altura do show, os presentes se portavam como se tivessem diante do messias, o divino mestre. Era exaltação e devoção. As vozes femininas sobressaiam-se.

Então, no embalo, foi um sucesso atrás do outro. O ápice veio com “all star”, onde o público cantou do início ao fim, quase não se escutando a voz do próprio autor.

Após atingir o primeiro êxtase dos presentes, emendou com “Pra você guardei o amor”, “Relicário” e “A letra A”, música que tem uma perfeita definição: “Quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor”.

Como não poderia deixar de ser diferente, a euforia brotava em todos os cantos do bar. Tinha gente tirando foto, registrando o momento, e casais se abraçando, trocando carícias. Havia uma sincronia sentimental, emotiva, alegria pura.

Nem aqueles que continuavam bebendo no balcão, só ouvindo sua voz, sem vê-lo, demonstravam insatisfação. Mesmo que o som, no mezanino, perto do bar, não chegasse com a mesma nitidez.

Bastava começar a música que os presentes cantavam o resto. Era o momento de extravasar a garganta. Todavia, se tratando “do cara”, faltavam muitos sucessos.

Assim, “não vou me adaptar” levou muitos fãs à rouquidão. Foi outro ponto alto de um show repleto de momentos únicos.

“Não vou me adaptar” contou ainda com um solo de teclado de Alex Veley e seu chapéu de caubói.

Na seqüência, Nando falou sobre a música “conta” do álbum Drês. Mais uma criação dedicada à família. Uma letra que aborda a perda e as angústias de uma dor sem remédio.

Nos versos, “Desde o dia em que perdi minha mãe/ Eu me perdi de mim também”.. Quando terminou, emocionado, concluiu a música pronunciando um “que pena” no microfone.

Depois de mais uma breve pausa para beber água, e enxugar o rosto, o compositor entrou na parte final do show da primeira noite em Porto Alegre.

Cantou “Por onde andei”, “Dessa vez” e “luz dos olhos”, músicas em que diversos casais se beijaram, trocando juras e fidelidades, aos versos de “Os meus olhos vidram ao te ver/
São dois fãs, um par”..

Na música, o tecladista Alex Veley retirou o teclado dos “cavaletes” e o empunhou diante do público que, durante quase duas horas, se aglomerou na frente do palco em busca de uma melhor visualização de seu ídolo.

E ainda teve o bis.

O certo é que a banda faz jus ao nome, ou seja, “infernalmente” afiada, tarimbada e endiabrada, com a graça de Deus.

E é consenso que o posto de “hit man”, que foi de Lulu Santos, nos anos 80, e início dos 90, atualmente, sem dúvida, é de Nando Reis. Na verdade, ele já ocupa o cargo faz mais de uma década.

Trata-se de um artista completo, compositor de mão cheia. O cara que possui o dom da música, a essência nata.

Um especialista que tem o poder de simplificar o complicado e, também, de compor sucessos como quem escova os dentes.

Não é “de graça” que ele possui uma carreira sólida, consistente, com músicas consagradas, e parcerias com Jota Quest, Skank, Cássia Eller, Cidade Negra, Marisa Monte, e por aí vai.. Sem falar dos Titãs e, claro, sua caminhada solo.

Existem aqueles que, por predileção, podem até não gostar do seu estilo musical, porém, se conhecem um pouco de música, são obrigados a reconhecer o talento do paulistano, da capital. Sucesso é com ele.

Além disso, com o nascimento de sua neta, mês passado, como ele relatou em entrevista à rádio Pop Rock FM, também se faz necessário respeitar um “hit avô” brasileiro.

Portanto, caso tenha perdido, nesta sexta, no Opinião, tem mais Infernais e celebração de Reis. O show, extra, está marcado para iniciar às 21h.

A reabertura do bar teve promoção da rádio Pop Rock FM, apoio Lojas Trópico e realização Opinião Produtora.

Por: Silva Júnior

Fotos: Paulo Capiotti

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