Porto Alegre em Cena – Neva
setembro 13, 2009
Categoria POA em Cena, Reviews
No pequeno Teatro do Sesc, repleto naquela última apresentação da peça Neva (12/09), presenciamos o desenrolar de uma polêmica. O público que saía da sala se dividia entre elogios e críticas ferozes. Não percebemos críticas com relação à técnica, à direção ou à atuação dos três atores, mas sim à mensagem transmitida pelo texto. De fato, um tema muito inquietante, principalmente para a classe teatral.
O negro e o vermelho monopolizaram o palco, representando bem o clima que se desenrolaria ali em cima. Sarcasmo, desdém, inveja e ressentimento permeiam os intervalos do ensaio de três atores na São Petersburgo de 1905, às margens do Rio Neva. Seus jogos interpretativos exaltam um mundo próprio, fechado, em que disputas de vaidades são os laços que os ligam, numa valorização extrema da importância de sua arte, alheia aos conflitos prementes do mundo extramuros.
Olga Knipper é uma atriz consagrada internacionalmente, extremamente dedicada ao teatro e que vive uma crise: seu marido, um grande diretor teatral, está internado em um sanatório alemão, definhando em virtude da tuberculose, muito longe dos holofotes do teatro. Essa situação, na visão de Olga, macula a sua imagem de atriz perfeita. Ela se alimenta de representações sobre todas as coisas, inclusive sobre como teria sido a cena de quando recebeu a notícia da morte do seu marido. Leia mais
O projeto Unimúsica traz a Porto Alegre o cantor e compositor Lenine
setembro 9, 2009
Categoria Reviews
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O projeto Unimúsica já ganhou lugar de destaque na cena musical gaúcha por trazer grandes atrações, sejam elas conhecidas do grande público ou não, mas sempre com muita qualidade. Na noite de quinta-feira essas duas características se juntaram, materializadas em um único nome: Lenine.
O artista pernambucano desembarcou em Porto Alegre mais uma vez, em menos de um ano, para fazer uma apresentação muito diferente daquela feita no Bourbon Country em dezembro do ano passado. Naquela noite, a apresentação ficou por conta de Lenine acompanhado de sua banda, que divulgava o recém lançado disco Labiata.
Já na noite de quinta-feira, a temática era outra, e o que vimos foi um apanhado de sua carreira, em ordem cronológica, onde o cantor e compositor nos presenteou com uma apresentação bem mais intimista, onde, por vez e outra, no intervalo das músicas, fazia pequenos comentários sobre como se dera o processo criativo de vários dos temas apresentados.
Eram 19:20 quando Lenine se dirigiu ao palco do Salão de Atos da UFRGS para dar início a sua apresentação, acompanhado apenas de seu violão, uma garrafinha de água e sua estante com o roteiro que seguiria aquela noite.
Começa o show explicando que sua carreira solo teve início com o disco Olho de peixe e foi a partir dele que começou o set list. A primeira foi O último por do sol, composição que marca bem o seu estilo de compor nesse período, início dos anos 90, onde suas músicas eram marcadas com um toque mais nordestino, intensificado nas três que vieram depois, Miragem do porto, seguida de Olho de peixe e finalizando as canções do primeiro disco, Tuarenguê nagô.
Depois de um intervalo de cinco anos é a vez de O dia em que faremos contato, disco que, de fato, tornou Lenine conhecido nacionalmente e que começa a fazer uma ponte entre a música dita “nordestina” e outra mais urbana, com toques modernos e de outros estilos. Não que isso fosse algo inexistente em suas composições anteriores, mas a partir daqui fica mais nítido.
A ponte dá início à segunda etapa do show. Logo depois vem a música que mostrou Lenine para o grande público, Hoje eu quero sair só, que fez os presentes cantarem do início ao fim, mostrando ser esse formato (cantor e público) perfeito para esta música, resultando em uma interação natural entre ambos. Candeeiro encantado vem em seguida e também ficou muito legal, com uma levada bem marcada e Lenine tirando uns sons do violão como se fossem tiros de espingarda, ou alguma coisa do tipo. Terminando essa etapa, tivemos a música que dá nome ao disco, O dia em que faremos contato.
Mais dois anos e meio se passaram e era vez de Na pressão, disco de maior vendagem de Lenine e que confirmou o compositor entre os grandes nomes do cenário nacional. Essa etapa do show já começa com o seu clássico maior: Jack soul Brasileiro, muito bem recebida pelo público, que cantou entusiasmado, como a música pede. Dando uma acalmada no ritmo da apresentação, vem outra obra marcante, Paciência, que no formato voz, letra, violão e público, teve seu ponto forte. Meu amanhã e Relampiano também não passaram despercebidas.
Agora, já em 2001, foi a vez do lançamento de Falange Canibal, onde o conceito de experimentalismo foi levado mais a fundo. A primeira música escolhida para representar esse disco foi Sonhei, com seu compasso bem variado e que mostra a intimidade que Lenine tem com seu instrumento, seguida de O silêncio das estrelas, muito bonita, e Rosebund, que foi responsável por um momento de interação muito interessante, que preparou o terreno para O homem dos olhos de raio X chegar levantando os presentes de novo.
Nas transições entre um álbum e outro, Lenine fazia alguns comentários a respeito do disco. Como os dois seguintes eram gravações ao vivo, In cite e Ácustico MTV, Lenine explicou que o grande tempo entre esses dois discos é fruto do seu objetivo maior em fazer música: viajar pelo mundo tocando-a. E acrescentou que eram discos ao vivo, mas com algumas músicas inéditas, como a maravilhosa Do it, tocada com a mesma energia registrada no CD, seguida de Virou areia e terminando com uma composição do acústico, Lá e cá.
Chegando ao término da apresentação e com 20 músicas já tocadas, foi a vez do filho mais novo se fazer presente, Labiata seria o último álbum da noite. Este disco, que talvez traga as músicas mais densas e pesadas da carreira do compositor e que mais tiveram seus arranjos adaptados para esse show. Ótimos exemplos são as três canções executadas na sequência final do show, a começar por Magra, com seu ritmo meio hipnótico, É o que me interessa, que ao vivo ficou belíssima, e fechando com a mais famosa e trilha da novela global (que aliás eu nunca entendi o motivo, haja visto que a letra não tem nada a ver com a personagem da qual ela é tema) Martelo bigorna, que deu término a cronologia de discos lançados até agora pelo pernambucano.
As passagens de Lenine por terras sulinas é tão rara, que o público não parou de chamá-lo ao palco para o tão famoso bis. É claro que ele voltou, mas avisando que os discos tinham acabado, e que não tinha mais repertório, sendo essa a melhor piada da noite. Veio então Leão do norte, que fez o pessoal levantar das cadeiras e se embalarem ao ritmo desse frevo do disco Olho de peixe. Após, tivemos uma embolada entre público e cantor, que de fato foi a despedida da noite.
Os gaúchos agradecem ao projeto Unimúsica por trazer este e outros grandes artistas num formato mais intimista e próximo do público. E vale lembrar que o ingresso para as apresentações era um 1kg de alimento, valor simbólico se comparado ao imenso talento desse artista que se chama Lenine.
Por: Ângelo Borba
Fotos: Samuel Nervo
Seu Jorge transforma o Pepsi On Stage em uma grande roda de samba
agosto 30, 2009
Categoria Reviews
Noite de verão em pleno inverno gaúcho: num sábado de temperaturas elevadas no Rio Grande do Sul, Seu Jorge, um dos maiores nomes da música brasileira atual traz a Porto Alegre seu show “América Brasil“, transformando o Pepsi On Stage em uma grande roda de samba.
Os trabalho começaram com um atraso de uma hora e quinze minutos: Eram 0h14min quando Seu Jorge subiu ao palco para “Trabalhador”. O som, embora potente, não era claro. A luz, em compensação, não deixou nada a desejar. Surpreendentemente, Seu Jorge começou o show apenas cantando. Ele, que é, no geral, responsável pelo violão e guitarra em seus shows, acabou por cantar duas músicas sem estes instrumentos. Na primeira, o violão foi assumido por um de seus percussionistas. Na música seguinte, uma inédita*, não houve violão. O início do show se completa com “Hágua“, canção que fala de ecologia, água e aquecimento global. Nesta, o cantor assume a guitarra, uma Fender Telecaster de timbre excelente.
Estas três primeiras músicas foram, todas elas, estendidas, ocupando 27 minutos da apresentação. Seja em longos trechos instrumentais ou na inclusão de outras músicas em sua execução (como “A Carne” em “Hágua“), a banda não se preocupou em como o público reagiria diante da longa duração das músicas.
Seu Jorge faz parte daquela gama de artistas com duas facções de fãs: a que conhece apenas os grandes sucessos do rádio e a que aprecia seu trabalho mais a fundo, conhecendo de fato a obra do artista. Isso começou a ficar claro em “Carolina”, primeiro grande hit de Seu Jorge no Brasil e em “É Isso Aí“, versão de “The Blower’s Daughter“, de Damien Rice, originalmente gravada no DVD “Ana & Jorge“, em parceria com a cantora Ana Carolina. Entre essas duas canções, o público ganhou de presente uma “batalha de pandeiros”, entre três dos músicos que acompanham Seu Jorge. Foram sete minutos de batucada. Leia mais
Show do DVD “Luz Negra – Fernanda Takai ao Vivo”
Fernanda Takai veio a Porto Alegre ontem, no Teatro do Bourbon Country, apresentar o seu DVD “Luz Negra – Fernanda Takai ao Vivo”, que por sua vez é baseado no seu primeiro álbum solo, “Onde Brilhem os Olhos Seus”. Para quem não sabe, trata-se de um disco com canções do repertório de Nara Leão, mas com uma roupagem que mistura o pop rock do Pato Fu com um tempero de MPB.
O show é surpreendente, principalmente por dois motivos: a qualidade das canções ao vivo, com a riqueza dos seus arranjos e a interpretação da cantora, e o bom humor de suas intervenções entre as canções. Mas o que chamou a atenção, logo no início, foi que os integrantes foram entrando no palco escuro, um a um, posicionando-se nos seus devidos lugares, até entrar a Fernanda Takai, que se colocou à frente de todos, no microfone. Como estava escuro, ninguém teve coragem de aplaudir por não conseguir garantir que aquela era ela – até que uma alma corajosa puxou o coro dos aplausos e o show começou.
No quesito qualidade, as músicas tocadas no show não devem nada às versões do disco: tratam-se de ótimas releituras, todas com um ar “retrô-moderno” que as tornam únicas, juntamente com a voz ame-ou-odeie de Fernanda Takai. O show começou com “Canta, Maria”, seguida de um tímido boa noite para o público.
Depois veio “Luz Negra”, que dá nome ao DVD – cujo tema da capa estava reproduzido no fundo do palco – e “Diz que fui por aí”, com interessantes solos de guitarra de John, marido de Fernanda Takai e guitarrista do Pato Fu. Destaque, nessa última música, para o backing vocal da baterista Mariá Portugal. Mariá, aliás, é a responsável pela excelente condução de “Lindonéia”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, a quarta canção do show.
Até então, Fernanda Takai cantava estática em frente ao microfone, de forma tímida. Porém, quando a banda começou a tocar “Com Açúcar, Com Afeto”, música que Chico Buarque fez sob encomenda para Nara Leão, numa versão muito mais alegre do que a original, Takai tirou o microfone do pedestal e até arriscou uma dancinha. Com John nos backing vocals desta vez, a música ainda contou com um ótimo uso da luz no seu final – aliás, destaque para a iluminação ao longo da apresentação, muito bem utilizada. Leia mais
A malemolência da vagarosa em um espetáculo de Céu.
agosto 28, 2009
Categoria Reviews
Nascida em abril de 1980, Maria do Céu Whitaker Poças é filha de um maestro com uma artista plástica, mostrando que o seu universo, desde o berço, sempre foi rodeado de muita criatividade. Criada em São Paulo, decidiu, ainda na adolescência, que iria seguir o caminho da música.
Ao completar 18 anos, embarcou para Nova Iorque e, a partir disso, o mundo começou a conhecer a cantora Céu. Ao natural, foi ganhando destaque no cenário musical internacional e embarcou, definitivamente, na estrada da música. Voltando ao Brasil, mais precisamente em 2005, lançou seu primeiro disco, denominado “Céu”, onde participou da composição da maioria das letras.
Seu primeiro cd foi distribuído para América Latina, América do Norte e Europa. Na levada do reconhecimento, mostrando que está na dimensão das estrelas brasileiras, a cantora Céu apresentou as músicas do seu novo disco, “vagarosa”, ao público que compareceu em bom número nas dependências do Bar Opinião. Não lotou, mas isso não fez a menor diferença.
A noite estava agradável em Porto Alegre, um prenuncio da primavera, e os presentes no Bar Opinião souberam ocupar os espaços livres para dançar no swing da carismática cantora.
Antes de falar sobre o show, cabe mencionar que será difícil não fazer algum trocadilho com o nome da cantora.
Com um pé musical na Jamaica, outro na malemolência e diversidade musical brasileira, agregada com o charme de sua voz manhosa, dengosa, na dose certa, Céu com seu riso, por vezes, tímido, mas, sempre cativante, é uma daquelas cantoras que quando abre a boca hipnotiza os presentes, transferindo-os para um universo particular, único. Leia mais



