Ana Carolina canta muito e interage pouco no show de Porto Alegre

maio 29, 2010
Categoria Reviews

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Público variado e lotação moderada foi o que o Teatro do Bourbon Country recebeu na noite do último dia 26, quando Ana Carolina apresentou as canções do show N9ve. Antes do show, fãs mais fervorosas gritavam o nome da cantora, empunhando rosas vermelhas e cartazes com mensagens de carinho explícito. Um calor humano que não combinou com a falta de energia de Ana Carolina no palco. Alguns comentários dão conta de que ela teria se irritado com problemas técnicos que teriam aparecido na primeira noite. De todo modo, Ana Carolina pouco falou com os fãs, não apresentou sua banda e fez um show de pouco mais de uma hora de duração.
 
N9ve é seu nono disco em dez anos de carreira e o show apresentou um resumo desta trajetória. Com músicas de álbuns anteriores, como Hoje eu To Sozinha, Rosas, Louca Tempestade e Elevador, a platéia vibrou e cantou junto mesmo diante da postura austera de Ana Carolina. Voz vigorosa, banda competente, cenário simples porém com elementos diferentescomo uma plataforma móvel, e uma cantora contida marcaram este show.
 
As músicas de N9ve, lançado em 2009, também foram cantadas com devoção pelos fãs. Entreolhares e Tá Rindo, É? se destacaram na apresentação. “8 Estórias” foi interpretada enquanto um vídeo com três mulheres, ora de lingerie, ora nuas, era reproduzido no telão. A música fala justamente de diversas mulheres. Em todo o show, aliás, Ana Carolina insinua, nas letras e nos gestos, a sua já sabida bissexualidade. Condição que, aliás, é totalmente bem recebida pelos fãs que acompanham a carreira da cantora.
 
Embora o contato com o público tenha sido tímido e Ana Carolina não tenha conversado muito com os fãs gaúchos, seu show agradou a quem gosta de suas letras e músicas, a não ser por ter sido considerado curto demais. É uma cantora focada na densidade de suas letras e não na performance ao apresentá-las. Porém, talvez se assumisse uma outra postura no palco, fizesse sua música crescer e tocar mais ainda quem a ouve.
 
Ana Carolina ainda fez mais um show em Porto Alegre, no dia 27 de maio, no mesmo teatro. Muitos fãs que foram até o Bourbon na quarta, retornaram na quinta, o que prova que a artista consegue agradar a muitos, apesar da sua quase apatia no palco.
 
Por: Jacqueline Oliveira
Fotos: Jacqueline Oliveira
 

Ana Carolina

maio 10, 2010
Categoria Agenda

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Data: 26 e 27/05/2010
Local: Teatro do Bourbon Country
Hora de Início: 21h

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Maria Rita e a despedida de Samba Meu em Porto Alegre

maio 4, 2010
Categoria Reviews

JacquelineOliveira 9698 Maria Rita e a despedida de Samba Meu em Porto Alegre

Com alguns minutos de atraso, Maria Rita e sua banda subiram ao palco do Teatro do SESI na última sexta-feira, dia 30 de abril. Vestindo o mesmo figurino que a acompanha desde o início da turnê – há dois anos – a cantora arrancou gritos emocionados dos fãs portoalegrenses. Este foi o último show da turnê do álbum Samba Meu, lançado em setembro de 2007, que já havia passado por aqui outras cinco vezes. Totalmente bem recebida pelo público, Maria Rita inicia cantando “Samba Meu” à capela para em seguida emendar com “O Homem Falou”, de Gonzaguinha.

Samba Meu é um disco repleto de bons e clássicos sambas compostos por diversos autores brasileiros. A vibração das músicas toma conta da platéia. Gritos, assovios e todo mundo cantando junto com Maria Rita é uma constante em seus shows. Os primeiros acordes de “Tá Perdoado”, composição de Franco e Arlindo Cruz fez os gaúchos se sacudirem nas poltronas do Teatro do SESI.

Emocionada, Maria Rita cumprimentou a platéia e falou sobre a responsabilidade que foi para ela tocar na cidade pela primeira vez, no início da carreira. Segundo ela, haviam avisado: “se eles gostarem, vão te amar; se não gostarem, te odiarão”. Sua voz serena e aveludada diz, sob risos dos fãs, que acha que eles gostam dela já que ela veio tantas vezes à cidade e sempre com sucesso.

Muitos foram os pontos altos da apresentação da cantora em Porto Alegre mas há de se destacar, principalmente, a evolução musical pela qual esse show passou. Acompanhada por uma impecável banda, Maria Rita brinca e faz o que bem entende com sua voz. É como se nada fosse ensaiado, de tão natural que soa a quem tem o privilégio de ouvi-la. E sua integração com os músicos é algo divertido de observar. No momento de apresentar a banda, a artista também agradece aos técnicos de som e a todos aqueles que ficam “por trás” do palco, fazendo o show acontecer.

“O que é o amor” foi cantada em coro pelo teatro que, embora não estivesse lotado, teve um bom número de público. Mais algumas músicas de Samba Meu ainda foram apresentadas até que “Muito Pouco”, música do álbum anterior, Segundo, entrou rasgando nos ouvidos dos presentes. Música forte com interpretação igualmente forte, arrepiou a platéia. A partir daí, quem é fã da carreira de Maria Rita, foi presenteado com uma série de canções de seus dois primeiros cd’s. “Pagu”, “Encontros e Despedidas”, “Conta Outra” e tantas outras músicas que fizeram e ainda fazem sucesso na voz de Maria Rita levantou, literalmente, parte dos fãs que ainda se seguravam sentados nas poltronas do teatro. Curiosamente, o arranjo de suas músicas “antigas” pareceu renovado e totalmente integrado ao clima sambista do show.

O tão esperado bis, no qual ela canta “Não deixe o samba morrer”, veio e veio com tudo. Com lágrimas nos olhos e fãs, de pé, em frente ao palco, Maria Rita cantou, dançou e emocionou quem vivenciou aquela noite. E de nada adiantou a segurança do teatro e as recomendações da produção do show, pois as câmeras fotográficas não pararam um minuto de registrar tudo isso. A voz embargou mas a cantora conseguiu terminar o belo e animado último show da turnê em solo gaúcho.

Maria Rita emociona, diverte e mostra, a cada dia mais, que não precisa ser comparada a Elis Regina pois já conquistou seu próprio espaço. Desde a ousadia de gravar um álbum diferente de seus dois primeiros, até a evolução cênica e musical de seus shows, sua versatilidade prova a quem quiser a que ela veio. E continuará provando. É esperar para ver o novo trabalho!

Setlist

HOMEM FALOU

TA PERDOADO

MARIA DO SOCORRO

TRAJETÓRIA

O QUE É O AMOR

CRIA

RECADO

MUITO POUCO

PAGU

ENCONTROS E DESPEDIDAS

CAMINHO DAS ÁGUAS

A FESTA

CARA VALENTE

CORPITCHO

CASA DE NOCA

NUM CORPO SÓ

MALTRATAR

CONTA OUTRA

Por: Jacqueline Oliveira

Fotos: Jacqueline Oliveira – www.jacquelineoliveira.com.br




Maria Gadú em Porto Alegre

abril 20, 2010
Categoria Reviews

A quinta-feira começou ranzinza na capital farroupilha. Embora o calor estivesse acima da média para a estação, o céu nublado denunciava as pegadas do tempo. Desse modo, pouco a pouco, as nuvens foram encobrindo o céu dos gaúchos até que a chuva veio medrosa, porém, refrescante. Nessa combinação climática, a temperatura foi caindo gradativamente.

Assim, às 22h50min, o termômetro da Av. Borges de Medeiros registrara 17 graus, fora o vento miúdo.

Todavia, para abrilhantar à noite, São Pedro colaborou. A chuva deu uma trégua, as estrelas apareceram e, no céu, as três Marias puderam acompanhar, do alto, o deslocamento da quarta, no caso, Gadú.

Aos 23 anos, a cantora mostra que, musicalmente falando, há esperança na nova geração..Para quem nunca tinha visto seu show, como eu, ficou a agradável surpresa de assistir uma baita cantora, autêntica, com qualidade, personalidade e, sobretudo, muito talento.

Nascida em São Paulo, mas, radicada no Rio de Janeiro, Maria Gadú ganhou destaque nacional com “shimbalaiê”, executada, literalmente, na novela Viver a Vida, da rede Globo.

Falo isso porque nas novelas, geralmente, as músicas são tocadas por 30 segundos, no máximo. Desse modo, os trechos que simbolizam lugares, identificam personagens ou anunciam momentos, se repetem incessantemente.

Foi o que ocorreu com “shimbalaiê” que, para muitos, chegou a “enjoar”. Logo, causou equivocadas objeções ao trabalho da cantora. Porém, para as pessoas que rotulam Maria Gadú somente por essa música, vos aviso: ela é muito mais, e o melhor ainda está por vir..

Acontece que, por outro lado, foi justamente à novela que abriu as portas da fama e, conseqüentemente, do reconhecimento para a cantora. Uma oportunidade que, provavelmente, será lembrada saudosamente por ela, daqui muitos anos.

Agora, voltando ao show, quando os ponteiros marcavam 23h24min Maria Gadú subiu ao palco do Opinião. Utilizava um boné e vestia camiseta regata, cor preta, calça jeans e tênis. Também usava óculos.

Entrou e, como de costume, foi sentar-se em um banquinho de bar, localizado diante do pedestal. Trazia consigo o violão.

Ao pegar o microfone, saudou os presentes e começou a apresentação com “encontro”.

Outra surpresa da noite foi ver a participação do público. Aproximadamente 1.200 vozes cantavam verso a verso, sem parar, mostrando total conhecimento das músicas da paulistana.

Entre eles, muitos casais, jovens, senhores e senhoritas prestigiavam a cantora.

Quando terminou a primeira música, os gritos da platéia mesclavam-se com os aplausos e assobios. No palco, visivelmente feliz pela recepção, Maria Gadú exibia um sorriso largo, pleno, porém, tímido.

O show continuou com “bela flor” e “shimbalaiê” que, tocada na íntegra, arrancou muitos aplausos e, nas cordas vocais do público, decibéis de reconhecimento.

Acompanhando a cantora uma banda composta de cinco músicos, entre baixo, teclado, percussão, bateria e guitarra. Por problemas técnicos, de audição, não consegui pegar o nome dos músicos na totalidade, contudo, saúdo todos destacando o baterista, João Viana, filho do Djavan, e o guitarrista Fernando Caneca.

Dando continuidade, Maria Gadú cantou “tudo diferente”, bela canção de André Carvalho, que está no seu cd.

Nos versos, o público cantava: “Todos caminhos trilham pra gente se ver/todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu/ eu ligo no sentido de meia verdade/metade inteira chora de felicidade..”.

No final de cada música, sistematicamente, Maria Gadú sorria timidamente e, em seguida, voltava-se para sua banda e os aplaudia. Dividia o prestígio com os músicos.

Mais tarde teve “Dona Cila” e “lanterna dos afogados”, música dos Paralamas do Sucesso.

Logo após, para delírio do público, principalmente, o feminino, cantou “A história de Lily Braun”, uma versão espetacular da música de Edu Lobo e Chico Buarque.

Enquanto o público cantava, dançava, Fernando Caneca solava com sua guitarra, dedilhava as cordas com a perícia de um cirurgião.

Quando terminou a canção, a jovem cantora dialogou com a platéia. Disse que “era maneiro voltar a Porto Alegre” e mencionou a participação que fez no show de Vanessa da Mata, mês passado, no teatro do Sesi.

Depois das recordações, Maria Gadú chamou ao palco o amigo, carioca, Leandro Léo. Juntos, só com violão, guitarra e voz, cantaram “Hoje a noite não tem luar”, da banda Legião Urbana. Leia mais

O novo espetáculo de Ney Matogrosso

abril 16, 2010
Categoria Reviews

Ney Matogrosso

Depois de ter feito três memoráveis apresentações na capital gaúcha ano passado com o espetáculo Inclassificáveis, Ney Matogrosso retorna para, dessa vez, apresentar seu mais novo espetáculo: Beijo Bandido, cujo título foi retirado de um trecho da música “Invento” do gaúcho Vitor Ramil e, de certa forma, indica um pouco da atmosfera que permeia o disco e o recente show. O amor, o desejo e, por ventura, as suas desilusões marcam o novo universo lírico de Ney.

Bem diferente da turnê passada onde o estilo que consagrou o cantor estava presente com força total nas suas vestes e na postura de Ney no palco, esta nova ideia de formato, musical e visual, que foi apresentada é diametralmente oposta a da turnê anterior. O que se presencia agora em cima do palco é um Ney acompanhado de uma banda acústica e muito próxima a da música de câmara, com violino, cello e piano. Uma percussão também foi cuidadosamente inserida para dar mais vida e deixar o repertório mais próximo do popular, como foi o conceito que aos poucos se imprimiu ao disco, e vem sendo assim desde os últimos anos: construir uma ponte entre seu público mais velho, da época dos “Secos e Molhados” e a juventude que entra em contato com a sua obra mais recente. O repertório do show deixa claro essa concepção, sempre mesclando clássicos do cancioneiro popular com músicas de artistas novos, consagrados ou não.

Vestindo um terno de cor clara e com o palco ornamentado de maneira muito simples para que nada distraísse o foco do principal, sua música, Ney Matogrosso aparece diante a platéia do teatro Bourbon Country ao som de “Tango para Tereza”, exibindo sua potência vocal incrível, em uma música que exige dele um desempenho muito parecida ao que costumava apresentar no início da sua carreira, há mais de 40 anos. Após outros dois clássicos, “Da cor do pecado” e “Fascinação” foi a vez de apresentar a canção que originou o espetáculo: “Invento”, do já citado Vitor Ramil, e abriu caminho para o time de compositores “novos” que Ney costuma gravar em seus discos. Uma versão muito bacana para esta grande composição.

A seleção do repertório foi um show à parte, digna de quem tem décadas de experiência e não só isso, possui também um bom gosto extremo. Foram vários os destaques da apresentação, mas poderia citar a energética versão para “A bela e a fera” de Chico Buarque e Edu Lobo, a novata e totalmente “Matogrossiana” “Da cor do desejo” de Junior Almeida e Ricardo Guima e, por fim, a maravilhosa “Bicho de sete cabeças” de Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Renato Rocha. Sou da opinião que esta é uma das mais belas composições da musica popular brasileira, é quase uma covardia Ney colocá-la no repertório do show, pois a chance de não funcionar, ainda mais na sua voz, é praticamente nula.

Acompanhado de uma banda talentosíssima, que criou arranjos precisos para o que cada composição exigia no seu espaço e importância no show, Ney se apresentou acompanhado de músicos a sua altura. No auge dos seus 67 anos, ainda possui uma voz impecável que nos dá a certeza de que muitos outros espetáculos, com conceitos e repertórios renovados, ainda farão parte da carreira deste que pode ser considerado uma das maiores vozes e talento da nossa música, em plena atividade e cheio de projetos futuros. Pelo carinho que o público demonstrou nesta noite de terça-feira, ainda o veremos trazer seus shows para cá por muitos anos ainda.

Por: Ângelo Borba

Fotos: Jucinara Schena

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