O novo espetáculo de Ney Matogrosso

abril 16, 2010
Categoria Reviews

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Depois de ter feito três memoráveis apresentações na capital gaúcha ano passado com o espetáculo Inclassificáveis, Ney Matogrosso retorna para, dessa vez, apresentar seu mais novo espetáculo: Beijo Bandido, cujo título foi retirado de um trecho da música “Invento” do gaúcho Vitor Ramil e, de certa forma, indica um pouco da atmosfera que permeia o disco e o recente show. O amor, o desejo e, por ventura, as suas desilusões marcam o novo universo lírico de Ney.

Bem diferente da turnê passada onde o estilo que consagrou o cantor estava presente com força total nas suas vestes e na postura de Ney no palco, esta nova ideia de formato, musical e visual, que foi apresentada é diametralmente oposta a da turnê anterior. O que se presencia agora em cima do palco é um Ney acompanhado de uma banda acústica e muito próxima a da música de câmara, com violino, cello e piano. Uma percussão também foi cuidadosamente inserida para dar mais vida e deixar o repertório mais próximo do popular, como foi o conceito que aos poucos se imprimiu ao disco, e vem sendo assim desde os últimos anos: construir uma ponte entre seu público mais velho, da época dos “Secos e Molhados” e a juventude que entra em contato com a sua obra mais recente. O repertório do show deixa claro essa concepção, sempre mesclando clássicos do cancioneiro popular com músicas de artistas novos, consagrados ou não.

Vestindo um terno de cor clara e com o palco ornamentado de maneira muito simples para que nada distraísse o foco do principal, sua música, Ney Matogrosso aparece diante a platéia do teatro Bourbon Country ao som de “Tango para Tereza”, exibindo sua potência vocal incrível, em uma música que exige dele um desempenho muito parecida ao que costumava apresentar no início da sua carreira, há mais de 40 anos. Após outros dois clássicos, “Da cor do pecado” e “Fascinação” foi a vez de apresentar a canção que originou o espetáculo: “Invento”, do já citado Vitor Ramil, e abriu caminho para o time de compositores “novos” que Ney costuma gravar em seus discos. Uma versão muito bacana para esta grande composição.

A seleção do repertório foi um show à parte, digna de quem tem décadas de experiência e não só isso, possui também um bom gosto extremo. Foram vários os destaques da apresentação, mas poderia citar a energética versão para “A bela e a fera” de Chico Buarque e Edu Lobo, a novata e totalmente “Matogrossiana” “Da cor do desejo” de Junior Almeida e Ricardo Guima e, por fim, a maravilhosa “Bicho de sete cabeças” de Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Renato Rocha. Sou da opinião que esta é uma das mais belas composições da musica popular brasileira, é quase uma covardia Ney colocá-la no repertório do show, pois a chance de não funcionar, ainda mais na sua voz, é praticamente nula.

Acompanhado de uma banda talentosíssima, que criou arranjos precisos para o que cada composição exigia no seu espaço e importância no show, Ney se apresentou acompanhado de músicos a sua altura. No auge dos seus 67 anos, ainda possui uma voz impecável que nos dá a certeza de que muitos outros espetáculos, com conceitos e repertórios renovados, ainda farão parte da carreira deste que pode ser considerado uma das maiores vozes e talento da nossa música, em plena atividade e cheio de projetos futuros. Pelo carinho que o público demonstrou nesta noite de terça-feira, ainda o veremos trazer seus shows para cá por muitos anos ainda.

Por: Ângelo Borba

Fotos: Jucinara Schena

Oswaldo Montenegro

fevereiro 18, 2010
Categoria Agenda

oswaldo+montenegro Oswaldo Montenegro

Data: 05/03/2010
Local: Teatro do Bourbon Country
Hora de Início: 21h

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Projeto “Eu Faço Cultura” com Zeca Baleiro

novembro 25, 2009
Categoria Reviews

zeca6p Projeto “Eu Faço Cultura” com Zeca Baleiro

O projeto “Eu Faço Cultura”, iniciativa conjunta do MCPC (Movimento Cultural do Pessoal da Caixa) e da Caixa Seguros, chega pela terceira vez a Porto Alegre. Depois das apresentações de Nando Reis e Vanessa da Mata, no último domingo foi a vez do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro apresentar sua música ao público gaúcho.

No horário marcado, 20h, começa o show de abertura. O violinista francês radicado no Brasil Nicolas Krassik apresenta um repertório com muito samba e música brasileira, mas também claramente influenciado pelo jazz. Acompanhado de um baterista e um violonista competentíssimos, agradou ao pequeno público que o assistia.

Pouco depois das 21h15 Zeca Baleiro sobe ao palco com “Meu Amor, Minha Flor, Minha Menina”, do disco “Baladas do Asfalto e Outros Blues”. Em seguida, outro sucesso “Eu Despedi o Meu Patrão”. Aparentemente contrariado com algo, Zeca manteve o semblante sério durante as primeiras canções do set. Foi assim também em “Salão de Beleza” e “Proibida pra Mim”, onde Baleiro incluiu um trecho de “Zóio d’Lula”, outro sucesso do Charlie Brown Jr..

Zeca Baleiro foi então até o fundo do palco para deixar a guitarra. Retornou de costas para o público, com uma dancinha. Foi ali que o cantor se mostrou sorridente pela primeira vez. Felizmente seu ânimo, a partir daquele momento, mudou da água para o vinho. Antes de “Bola Dividida”, Zeca pediu desculpas por sua voz, e então foi possível perceber que o cantor estava bastante congestionado. Talvez fosse esse o motivo do desconforto.

O clima que já era light ficou ainda mais tranqüilo com o set acústico preparado pela banda. “Essa música não é minha. Mas é minha também.” Veio então um dos destaques da noite, a execução com três violões (um terceiro foi assumido pelo baixista Fernando Nunes) de “Bicho de Sete Cabeças”, de Geraldo Azevedo. Um dos momentos mais emocionantes da apresentação. Ao final, Fernando deixa o palco para que apenas Zeca e o guitarrista Tuco Marcondes mandassem “Vapor Barato” e “A Flor da Pele”.

Como de costume, alguém gritou “Toca Raul”. Obviamente uma provocação bem humorada ao compositor que escreveu exatamente sobre este bordão na música que leva este título. Zeca, simpático, canta um trecho de “A Maçã” e conclui: “É… acho que vou fazer…”. Deixou a expectativa de uma possível versão.

O repertório contou ainda com clássicos como “Babylon”, “Telegrama”, “Ópio”, “Quase Nada” e “A Alma Não Tem Cor”, mas também houve ausências significativas como “Piercing” e “Lenha”, que ficaram de fora.

Para encerrar, mandou “Toca Raul”, homenagem ao grande Raulzito que acabou se tornando carro chefe de seu último disco, “O Coração do Homem Bomba”.

Para o bis, a já tradicional junção de “Detesto Coca Light” e “Heavy Metal do Senhor”, em uma versão explosiva e cheia de energia, como o Heavy Metal deve ser. “Heavy Metal do Senhor” levantou o público de forma que nenhuma outra canção o fez até ali e provou que ainda é, sim, o maior hit de Zeca.

Um bom show, com um resultado estético bacana.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine


Após 15 anos o Bar Opinião volta a receber Arnaldo Antunes

outubro 5, 2009
Categoria Reviews

Arnaldo 1 26 Após 15 anos o Bar Opinião volta a receber Arnaldo AntunesQuinta-feira, 1º de outubro. Após 15 anos o Bar Opinião volta a receber Arnaldo Antunes, lançando seu novo disco “Iê Iê Iê”. O projeto faz parte do programa Natura Musical, que desde 2005 apoia iniciativas culturais ligadas à música. No palco, Arnaldo canta ao lado dos músicos Betão Aguiar (baixo e voz), Chico Salem (violão e voz), Marcelo Jeneci (teclados e voz) e Curumin (bateria e voz), além do conhecido guitarrista como Edgard Scandurra (guitarra e voz),  ex-IRA!. O figurino é do estilista Marcelo Sommer, que ao lado de Márcia Xavier também assina o cenário.

Figurino e cenário que, aliás, são um show a parte. A banda sobe ao palco pouco antes da meia noite, vestindo elegantes ternos e calçando tenis All Star em couro. O cenário, por sua vez, é formado por diversas camisetas estendidas ao fundo, com as mais variadas estampas: há espaço para frases de efeito (“Eu voltei, agora pra ficar” e “Clapton is God!”), referências à música (Beatles, Rolling Stones, Black Sabbath e Luiz Gonzaga), ao cinema (“A Noite dos Mortos-Vivos” e “O Poderoso Chefão”) e até mesmo para a universidade gaúcha PUCRS. A idéia curiosa proporcionou um efeito estético lindíssimo e bastante colorido. Não houve quem não apreciasse.

Abriram o show com a faixa título do novo álbum, seguida de “Vem Cá”, do mesmo trabalho. Na sequência, “Essa Mulher”, do disco “Paradeiro”. Muito performático, Arnaldo é puro carisma e conquista seu público sem grandes esforços. O som, um pouco prejudicado, não permitia que se ouvisse o vocal com clareza até ali, mas foi sendo corrigido ao longo da apresentação.

“Boa noite, Porto Alegre! É muito bom estar aqui de novo, de volta…”

Após uma bebericada tímida na cerveja que estava colocada cuidadosamente a sua disposição ao lado do tecladista Marcelo Jeneci, a banda manda “A Casa é Sua”. O set-list, que já estava disponível ao público através de um bonito folder explicativo produzido pela empresa patrocinadora, contou com o novo disco na íntegra. Além disso, apenas seis canções, entre elas “Consumado”, parceria com os Tribalistas Marisa Monte e Carlinhos Brown e “Pra aquietar”, de Luiz Melodia. Um pouco cansativo para quem ainda não ouviu o último trabalho do cantor. Leia mais

Caetano passa pelo RS outra vez para divulgação do último álbum, Zii Zie.

setembro 28, 2009
Categoria Reviews

caetano2 Caetano passa pelo RS outra vez para divulgação do último álbum, Zii Zie.A turnê  de Zii Zie, mais recente lançamento de Caetano Veloso, passou pelo RS uma segunda vez este ano. Na primeira, quando tocou em Porto Alegre, a equipe do site POASHOW acabou não conseguindo fazer a cobertura para vocês, mas desta vez foi diferente. Fomos até Caxias do Sul com o intuito de cobrir o show deste que ainda é um dos maiores compositores da música brasileira.

A noite fria de sexta-feira não intimidou os presentes que se dirigiam a sociedade campestre “Recreio da juventude”. O show estava marcado para as 22h, e com um atraso de 20 minutos foi dado o início da apresentação de Caetano.

A banda CÊ, composta por Pedro Sá, Marcello Callado e Ricardo Dias Gomes, que acompanha o compositor nesta turnê, e que foi responsável por grande parte da criação do seu novo álbum, entra no palco que estava ornamentado com uma asa delta atrás da bateria. Logo Caetano se junta a eles para dar início à apresentação com Tem que ser viola, de Fantasmão, compositor do estilo africano muito popular hoje em dia chamado de Kuduro. Assim como aconteceu com quase todas as músicas apresentadas aquela noite, esta ganhou uma versão bem ao estilo “transambas” que Caetano usa para definir os arranjos de suas novas composições. Seguiram com Sem cais, música do último disco e primeira de muitas outras que viriam a serem apresentadas nesta noite.

Misturando o seu repertório novo com clássicos de sua carreira, foi a vez de uma de suas mais bonitas composições, Trem das cores fez com que os presentes se transportassem para um universo que só as músicas de Caetano conseguem criar. Leia mais

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