A MPB rica e misturada de Vanessa da Mata
setembro 20, 2009
Categoria Reviews
Um dia antes das comemorações do dia 20 de setembro, data do início da revolução farroupilha, há 174 anos, os gaúchos, que lotaram completamente as dependências do teatro Bourbon Country, se renderam diante de uma forasteira, a mato-grossense Vanessa da Mata.
Quando o ponteiro marcou 21h10min, após uma breve apresentação da banda, dos técnicos e de todos que trabalharam no show, feita por uma voz invisível, as cortinas do teatro se abriram. Com isso, a primeira surpresa agradável foi o cenário. Espetacular.
Enraizados no palco, do chão até o teto, galhos secos traçavam um panorama interiorano, rural, da mata nordestina. Eram três ramos de galhos, um de cada lado e outro no meio do palco. Nas suas ramificações, rosas amarelas brotavam na natureza seca. E a iluminação do show destacava ainda mais o cenário que já estava bonito.
Contudo, a maior surpresa estava no palco. Vanessa da Mata surgiu com um vestido longo, amarelado, combinando com as rosas do cenário. Seus pés estavam descalços, o que anunciava que ela queria estar à vontade. Um buque de flores, no pedestal do microfone, dava o toque final na paisagem. A cantora entrou e foi direto ao microfone para começar o show do álbum “Multishow ao vivo”. Iniciou com “Baú”. Leia mais
Show do DVD “Luz Negra – Fernanda Takai ao Vivo”
Fernanda Takai veio a Porto Alegre ontem, no Teatro do Bourbon Country, apresentar o seu DVD “Luz Negra – Fernanda Takai ao Vivo”, que por sua vez é baseado no seu primeiro álbum solo, “Onde Brilhem os Olhos Seus”. Para quem não sabe, trata-se de um disco com canções do repertório de Nara Leão, mas com uma roupagem que mistura o pop rock do Pato Fu com um tempero de MPB.
O show é surpreendente, principalmente por dois motivos: a qualidade das canções ao vivo, com a riqueza dos seus arranjos e a interpretação da cantora, e o bom humor de suas intervenções entre as canções. Mas o que chamou a atenção, logo no início, foi que os integrantes foram entrando no palco escuro, um a um, posicionando-se nos seus devidos lugares, até entrar a Fernanda Takai, que se colocou à frente de todos, no microfone. Como estava escuro, ninguém teve coragem de aplaudir por não conseguir garantir que aquela era ela – até que uma alma corajosa puxou o coro dos aplausos e o show começou.
No quesito qualidade, as músicas tocadas no show não devem nada às versões do disco: tratam-se de ótimas releituras, todas com um ar “retrô-moderno” que as tornam únicas, juntamente com a voz ame-ou-odeie de Fernanda Takai. O show começou com “Canta, Maria”, seguida de um tímido boa noite para o público.
Depois veio “Luz Negra”, que dá nome ao DVD – cujo tema da capa estava reproduzido no fundo do palco – e “Diz que fui por aí”, com interessantes solos de guitarra de John, marido de Fernanda Takai e guitarrista do Pato Fu. Destaque, nessa última música, para o backing vocal da baterista Mariá Portugal. Mariá, aliás, é a responsável pela excelente condução de “Lindonéia”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, a quarta canção do show.
Até então, Fernanda Takai cantava estática em frente ao microfone, de forma tímida. Porém, quando a banda começou a tocar “Com Açúcar, Com Afeto”, música que Chico Buarque fez sob encomenda para Nara Leão, numa versão muito mais alegre do que a original, Takai tirou o microfone do pedestal e até arriscou uma dancinha. Com John nos backing vocals desta vez, a música ainda contou com um ótimo uso da luz no seu final – aliás, destaque para a iluminação ao longo da apresentação, muito bem utilizada. Leia mais
Kleiton e Kledir fazem show de estréia da tour Autorretrato em Porto Alegre
Estreias sempre valem a pena. E foi na estreia mundial da tour “Autorretrato”, de Kleiton & Kledir, que o POA Show compareceu nesta quarta-feira de temperatura amena na capital dos gaúchos.
Acompanhados de uma banda competente (inclusive dois deles, o baterista Adal Fonseca e o tecladista Caio Fonseca acompanham Paula Toller), subiram ao palco as 21h15min com a música que dá nome à tour. Com uma letra bem trabalhada e uma execução fiel e impecável, serviu para mostrar o tanto da qualidade com a qual nos depararíamos naquela noite. O público, formado principalmente por pessoas que viveram o auge da carreira da dupla nos anos 80, era permeado por poucos mais jovens que já aprenderam a apreciar o trabalho dos irmãos.
A qualidade do som estava, de fato, acima da média do TBC. Já elogiei o som do local aqui por diversas vezes, mas neste show foi realmente especial. Principalmente pela qualidade vocal de Kleiton e de Kledir.
A grande surpresa da noite foi a execução de “Paixão”, com o mesmo arranjo original, executado por toda a banda. Tradicionalmente executada apenas por Kledir no formato violão e voz, foi uma escolha acertada da parte da dupla.
“O Kleiton falou sobre sonhos agora há pouco…A gente, na década de 70, tinha cabelo na cintura, calça boca de sino e sonhava muito. Sonhava até ser prefeito de Porto Alegre”, numa clara referência ao amigo e parceiro José Fogaça, presente no show. Foi assim que iniciaram “Vento Negro”, grande sucesso dos Almôndegas na década de 70.
Em meio ao show, uma cena inusitada: “Só um minutinho, por favor, que a borrachinha do meu ‘in ear’* ficou dentro da minha orelha”. Kledir deixa o palco por 2 minutos. “To salvo, to salvo!”, alivia-se, sob aplausos.
Houve espaço para tudo: os grandes hits, como “Maria Fumaça”, material do último CD/DVD, como “Estrela Cadente”, “Pelotas” e “Eva” e até mesmo para os hinos da dupla Gre-Nal. Kledir, colorado, foi o primeiro a cantar o hino do time do Beira-Rio. Em seguida, os tricolores foram homenageados pelo gremista Kleiton. Agradeceram ainda pela presença de todos e disseram-se muito gratos pelas homenagens que receberão: Cada um se tornará consul do seu time do coração, e receberão ainda o título cidadãos porto-alegrenses. “Finalmente poderemos dizer que somos de Porto Alegre”. Leia mais
João Bosco
Uma das grandes atrações do 4° Festival de Inverno de Porto Alegre se apresentou no Teatro do Bourbon Country nesta noite de sexta-feira. João Bosco com seus quase 40 anos de carreira, fez uma apresentação contagiante e quente do início ao fim.
O show começou às 21:10min de forma embalada, mas um pouco contida, perto do que viria depois, a primeira da noite foi Holofotes seguida por um samba bem antigo e já regravado por dúzias de artistas, Incompatibilidade de gênios fez o público vibrar, tanto com sua levada, como com os solos dos músicos que acompanham João nesta turnê, e que são os mesmos do último CD/DVD lançado pelo artista, Obrigado, gente, que se tornou seu bordão ao término de cada música apresentada. Mas voltando aos seus companheiros de estrada, é incrível como estes caras tocam! São poucos os casos em que a platéia não fica entediada com solos virtuosíssimos, e este foi um desses poucos casos. Bom gosto e muita técnica não são tão fáceis assim de se juntarem. Vale citar o nome dessas feras: Nico Conceição no baixo, Nelson Faria nas guitarras e Kiko Freitas na bateria.
A terceira canção da noite foi Bala com Bala, grande sucesso de sua carreira, seguida de Odilê, Odilá e O ronco da cuíca, mantendo o pique do show, que contava com uma grande participação da platéia, ávida por ver no palco essa lenda da nossa música e que tem uma ligação muito íntima com nosso Estado, pelas parcerias com Elis Regina, que o próprio João fez questão de exaltar e relembrar algumas histórias e clássicos imortalizados na sua voz, como veremos adiante.
Neste trecho do show o clima dá uma acalmada, e as canções lentas tomam a tônica, começando por Tarde, de Milton Nascimento, seguida de Desenho de Giz e Lígia, de Tom e Chico, tanto a sua versão de Tarde e de Lígia ficaram muito bonitas, sendo acompanhadas pelo público que pareceu ter aprovado as duas versões.
Jade foi a escolhida para voltar a apresentação pro seu lado mais animado, e culminou em duas de suas músicas que mais marcaram seu jeito de compor versátil, com aquele violão em um ritmo sem igual, foram elas: Nação e Coisa feita. Após essas duas, só vieram clássicos, a começar por Corsário, que preparou a platéia para o que viria depois…
Muitos artistas tem composições que não podem faltar nos shows, mas que se às vezes ficam de fora de uma apresentação, o público não sente tanta falta assim, por já estar cansado de ouvir. Mas com certeza este não é o caso de O bêbado e o equilibrista, que emocionou muito os presentes, fazendo alguns até chorarem. João cantou só a primeira frase da música, o resto ficou por nossa conta.
Terminada a apresentação o público queria mais, veio o já tradicional bis, que nesse caso surpreendeu, pelo número de músicas tocadas. Iniciou com Memória da pele, seguida de A paz e O trem azul, do antológico disco Clube da Esquina, que na época de seu lançamento, coincidia com o início da carreira de João Bosco, e que deu título ao último CD lançado por Elis Regina.
Papel machê, a exemplo de O bêbado e o equilibrista, foi outra cantada do início ao fim pela platéia. E pra terminar de vez o show, que chegou a exatas duas horas, Linha de passe encerrou de forma muito animada esta grande apresentação.
Ano que vem tem mais Festival de Inverno, se sua coordenação conseguir manter este nível, teremos mais uma semana de muita música e o que é melhor, de ótima qualidade
Por: Ângelo Borba
Gilberto Gil
Noite de Sábado e um dos maiores nomes da MPB se apresenta em Porto Alegre: Gilberto Gil volta ao Teatro do Sesi para única apresentação na Capital. Logo na chegada somos surpreendidos com a boa notícia de que podemos fotografar o show inteiro (N. do R: normalmente as fotos são limitadas às três primeiras músicas), por conta da temática da tour, onde as pessoas são influenciadas a registrarem os shows em fotos e vídeos com suas câmeras e celulares.
O show inicia, antes das 21h10, com “Banda Larga Cordel”, que dá nome a tour e também ao último disco de Gil e fala sobre modernidade e tecnologia. Destacamos, aqui, também, a beleza e grandiosidade do cenário do show, bem de acordo com as cores e a arte do álbum. Em seguida, dois clássicos: “Tempo Rei” e “A Novidade”. Um público bastante contido apreciava as canções quase em silêncio. “Muito boa noite, Porto Alegre. Obrigado pela presença, sempre simpática, sempre querida, sempre cheia desse entusiasmo gaúcho, naturalmente apreciado por todos nós do resto do Brasil, essa terra brasileira. Como Caetano já dizia… os gaúchos são mais baianos que os baianos…” com aquele tom pausado e tranquilo que lhe é peculiar. Leia mais




